Fevereiro de 2007
Conjunto residencial moderno
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Ambientes, Costumes e Civilizações

Conjunto residencial moderno

Muito prático para o corpo, absolutamente zero para a alma

Plinio Corrêa de Oliveira

 

A fotografia representa bem um aspecto do mundo moderno: o prático.

O que ela retrata? Um conjunto residencial. Pode ele ter sido construído em Tonkim, em Oslo, em algum futuro bairro de Brasília, em São Paulo, na França, ou em qualquer parte do mundo. Ele é cosmopolita, é internacional.

É um conjunto residencial, mas podia ser uma enorme fábrica ou um vasto edifício penal. Sua característica específica: apenas enorme. Nele não se vislumbra nenhuma preocupação com a beleza.

O plano arquitetônico: quadrados, quadrados e mais quadrados. Só que eles são furados e têm dentro umas janelinhas. Uns alvéolos onde há umas “abelhas” constituídas com nossa carne, e que têm um resto de pensamento; portanto, se dizem homens. Cada homenzinho, cada familinha ocupa um, dois, três buraquinhos desses e se perde nessa imensidade. O que tem isso de belo? No que isso eleva o espírito? Em absolutamente nada. O corpo talvez lá esteja bem servido. Quiçá seja uma boa chocadeira para essas pessoas. A alma humana delas, entretanto, está opressa.

O edifício reflete bem o espírito moderno, revolucionário: só existe a matéria. No interior desse prédio a alma não se prepara a ir para o Céu, porque neste não há nada parecido nem com a feiúra, nem com a monotonia da construção.

Alguém poderia dizer: “Mas, esse sol que se reflete nas janelas não é bonito”? Respondo: o arquiteto não fez o sol, ele planejou as janelas. Quem ousará considerá-las belas? Basta abrir uma delas, e aparece um buraco. É um conjunto de vidros e de buracos.

Mas é prático, pois pode-se encher esse conjunto arquitetônico de seres humanos para trabalhar e arrebentar de trabalhar! É prático, muito prático para o corpo. Para a alma, absolutamente zero.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 10 de fevereiro de 1974. Sem revisão do autor.

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