Maio de 2004
A Salve Rainha - III
Leitura Espiritual

A Salve Rainha - III

Após o autor de La Salve Explicada analisar a primeira saudação, "Salve Rainha, Mãe de Misericórdia", passa a tecer comentários, muito evocativos, à saudação seguinte

Vida, doçura e esperança nossa, salve!

Quadro de Nossa Senhora das Alegrias - Vila Velha (ES)
Como a Virgem é nossa vida? Não existiria a chuva benéfica que fecunda a terra sem a nuvem que a condensa em seu seio e a esparge suavemente; nem os saborosos frutos que nos alimentam, sem a árvore que os produz; nem as frescas águas do arroio, que fertilizam a pradaria e apagam a sede dos fatigados viajantes, sem o manancial de onde se origina; assim também não teríamos sido regenerados na vida sobrenatural da graça - por meio da Redenção, primeiro, e dos Sacramentos depois - se não existisse a Santíssima Virgem. Ou se não tivesse Ela dado seu consentimento ao Anjo quando este lhe anunciou o mistério da Encarnação, comunicando-lhe o modo maravilhoso como se verificaria, dizendo: Faça-se em mim segundo tua palavra. [...]

Como Jesus Cristo veio ao mundo por Maria, Ela não é a vida, mas sim o meio pelo qual nos veio a Vida, o meio pelo qual nos pusemos em comunicação com Deus, que é a fonte da vida.

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Doçura: Não se trata aqui precisamente do gosto sensível, das inefáveis delícias da piedade nem dos elevados gozos do espírito que São Bernardo, São Bernardino de Siena, São Boaventura, Santo Antonio de Pádua, Santo Estanislau Kostka e outros santos experimentaram na devoção a Maria. Para eles, até seu nome era mel saboroso e música regalada, arrancava lágrimas de seus olhos e exaltava o coração de alegria. [...]

Trata-se mais precisamente da confiança que inspiram o grande poder e a bondade sem limites da Virgem, na qual pôs Deus, para nossa dita e consolo, todas as qualidades com que dotou o coração das mães que nos deram o ser, para nossa felicidade terrena. [...]

Trata-se do consolo que infunde em todos os corações crentes o culto da Virgem, a quem a Igreja de Cristo quer que invoquemos com o precioso título de Consoladora dos aflitos; quer dizer, dos órfãos, dos deserdados da fortuna, dos enfermos, dos moribundos, dos pecadores, de todos os que choram.

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Esperança nossa: Formosa invocação, grandiloqüente e consoladora!

Porque a esperança é o alento divino que reanima nosso espírito, abatido pelas infinitas penalidades e pelo incessante batalhar da vida; porque a esperança sustém nossa fé nas promessas do Evangelho, especialmente as que se referem à salvação eterna, que se obtém após triunfar de tantos obstáculos, inimigos e contradições. [...]

Nossa verdadeira esperança, nossa esperança formal, falando em termos teológicos, é, e somente pode ser, Jesus Cristo, nosso Redentor, por cujos méritos infinitos e nossa livre cooperação com a graça somos perdoados e salvos; a Santíssima Virgem é nossa esperança como meio, o mais eficaz, para chegar a seu divino Filho e obter o perdão de nossos pecados, a perseverança em sua santa graça e outros favores, tanto espirituais como temporais. [...]

"Cremos - diz o grande Leão XIII - que nada pode conduzir mais eficazmente a este fim (o de obter a assistência dos socorros divinos nas calamidades que nos afligem), do que fazer-nos propícios, com a prática da religião e da piedade, à grande Mãe de Deus, a Virgem Maria, que é quem pode alcançar-nos a paz e dispensar-nos a graça, pois está colocada por seu Divino Filho no cimo da glória e do poder, para ajudar com o socorro de sua proteção os homens que, em meio das fadigas e perigos, se encaminham à Cidade Eterna" ( Leão XIII, encíclica Supremi Apostulatus).

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(Excertos da obra do Pe. Dr. Manuel Vidal Rodríguez, La Salve Explicada, Tipografia de "El Eco Franciscano", Santiago de Compostela, 1923).

Quadro de Nossa Senhora das Alegrias - Vila Velha (ES)