Abril de 2004
A Salve Rainha - II
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Leitura Espiritual

A Salve Rainha - II

Na edição anterior, iniciamos a transcrição de textos escolhidos sobre a Salve Rainha. Apresentamos a seguir comentários de um abalizado autor a respeito das primeiras saudações dessa sublime oração

Nossa Senhora da Misericórdia
Salve Rainha, Mãe de misericórdia
- A palavra Salve, do mesmo modo que sua análoga Ave, é uma forma de saudação enfática, que expressa em geral sentimentos de respeito ou de veneração, de gratidão, amizade ou benevolência. [...]

De um modo especial, a palavra Salve exprime ora um fervoroso desejo de que Deus guarde ou proteja a pessoa a quem se saúda, ora o contentamento que sua felicidade nos proporciona.

No primeiro destes sentidos, não podia de maneira alguma aplicar-se à Virgem, posto que Ela encontra-se no Céu desfrutando da felicidade mais extraordinária que possa imaginar-se; mas pode ser dirigida a Ela com toda propriedade no último sentido, como homenagem a suas excelsas virtudes e prerrogativas, como felicitação pela imensa dita de que goza, e por suas incomparáveis grandezas.

Neste sentido a saudou o Anjo ao anunciar-lhe o sublime mistério da Encarnação do Verbo. [...]

*     *     *

A Virgem é Rainha por sua dignidade incomparável de Mãe de Jesus Cristo, Rei imortal das almas que conquistou em campo aberto, dando por elas sua preciosa vida; Rei imortal dos séculos, que se sucedem rendendo-Lhe homenagem ante sua Cruz e seus altares, em todas as línguas da Terra, não só na ordem religiosa, mas também na ciência, na arte e nas letras, nas instituições sociais, nas leis e nos costumes.

Tendo Jesus Cristo o principado absoluto e universal sobre todas as criaturas, pois seu Eterno Pai "o colocou à sua destra, acima de todo principado, potestade, virtude e dominação, e acima de toda e qualquer criatura, que tenha um nome não só neste mundo, mas também no que há de vir" (Ef I, 21), como nos diz São Paulo; e havendo sido associada a Santíssima Virgem à empresa divina da Redenção e ao triunfo de seu Filho, é natural que participe de suas prerrogativas como Mãe do "Rei da Glória". [...]

*     *     *

Depois do augusto nome de Deus, não há palavra que ressoe tão gratamente ao coração humano como o doce nome de Mãe. Os suaves ecos desta palavra incomparável comovem de tal maneira a alma, que não há idade, condição, raça nem estado de cultura que permita ao homem subtrair-se à sua terna e poderosa influência. [...]

Pois bem, se todos os fiéis formamos com Cristo um só Corpo Místico, uma só pessoa moral, da qual Ele é a cabeça e nós os membros, a Santíssima Virgem é Mãe de Cristo não só enquanto Deus-Homem, mas também enquanto Salvador, como assim lhe anunciou o Anjo, dando-lhe Ela seu correspondente assentimento; depreende-se daí que é Mãe de todos aqueles que formamos parte integral daquele Corpo cuja Cabeça é Cristo. [...]

*     *     *

Por que de misericórdia?

Porque a clemência é uma virtude especialíssima dos Reis, de tal sorte que, quando se os consagrava, ungia-se-lhes a cabeça com azeite de oliva, símbolo da piedade e da misericórdia, para dar-lhes a entender os sentimentos que deviam palpitar, ante todos, em seus reais peitos - como observa Santo Afonso de Ligório.

Porque, consistindo o reinado de Deus na justiça e na misericórdia, parece ter-se reservado para Ele a justiça, confiando à Rainha do Céu a administração da misericórdia - como sentem João Gerson, grande Chanceler da Sorbonne, São Tomás de Aquino e o Doutor Seráfico São Boaventura.

Porque a Virgem foi predestinada para Mãe do Criador, para que salvasse por sua compaixão os que a justiça de seu Filho não podia salvar; e é tanto mais poderosa quanto mais é misericordiosa - no dizer de São João Cristóstomo e de São Pedro Damião.

(Excertos da obra do Pe. Dr. Manuel Vidal Rodríguez, La Salve Explicada, Tipografia de "El Eco Franciscano", Santiago de Compostela, 1923).

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