Abril de 2004
Grandes de Espanha
Ambientes, Costumes e Civilizações

Grandes de Espanha

Avidez da perfeição e grandeza na coragem, na visão ibérica

Plinio Corrêa de Oliveira

Duque de Lerma, Grande de Espanha (séc. XVI)
Grande de Espanha
: qual a origem deste título de nobreza?

Segundo Saint-Simon* - que foi embaixador da França na Espanha e procurou estudar as condições da nobreza espanhola o mais minuciosamente possível - na Espanha primitiva não existiam propriamente títulos de nobreza, como marquês, conde, visconde, barão etc. Mas havia os chamados ricos-homens - designação existente também em Portugal - que indicava grandes proprietários rurais em seu feudo. Eram, portanto, verdadeiros pequenos reis.

Esses senhores eram igualmente designados os grandes, porque se destacavam da massa da população por sua grandeza. Eles eram grandes, à maneira espanhola.

O que era próprio do espanhol?

Uma tendência para a perfeição, que deve ser inerente a todo nobre, mas que no homem hispânico corresponde a uma avidez da perfeição, na coragem. O nobre espanhol, sobretudo o Grande de Espanha, deve mostrar-se desejoso de uma grandeza na coragem de arriscar a própria vida por amor à Fé, por amor aos bons princípios e por dedicação ao bem comum. Arriscar sua vida, mas com elegância, com generosidade, com o desempenho com que o espanhol marcha para a morte quase como quem caminharia para uma gala, para uma cerimônia social importante. Com um passo que seria quase um passo de dança, tal a altaneria e a generosidade com que ele o faz.

E se ele morrer no campo de batalha, derramando seu sangue, uma coisa que no espanhol não se deve notar é pena de si. Pelo contrário, ele morre na tristeza de não ter podido liquidar o adversário; na esperança de que, jogado por terra, ainda tenha um último movimento de energia para liquidar o vilão que o jogou no solo.

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Duque de Alba, Grande de Espanha (séc. XVI)
É oportuno, a propósito, citar um fato pitoresco e significativo. Certo nobre espanhol, comentando o famoso Duque de Alba, Grande de Espanha e herói da luta contra o protestantismo, afirmava que ele cheirava continuamente a ferro e sangue. E o célebre Duque enviou-lhe esta resposta, eminentemente espanhola: "Diga-lhe que este é o cheiro que convém a um homem ter".

* Duque de Saint-Simon (Louis de Rouvroy), 1675-1755. Escritor francês, célebre por suas Memórias, que abrangem a época de Luís XIV e a Regência, um dos maiores clássicos da literatura francesa.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 1º de maio de 1993. Sem revisão do autor.