Abril de 2007
Basílica de Vézelay
Ambientes, Costumes e Civilizações

Basílica de Vézelay

Harmonia, distinção e aspecto prático aliados à beleza

Plinio Corrêa de Oliveira

A fotografia apresenta a fachada da Basílica Santa Madalena em Vézelay (França), igreja monástica, admirável exemplo de arte românica do século XII. Como é diferente das igrejas modernas! A porta central é prática: bastante grande para as multidões poderem entrar e sair facilmente do edifício; elevada, de maneira que permite a entrada de altos estandartes.

A coluna central da porta divide a multidão que entra, evitando de início que as pessoas caminhem numa só direção. Que lindo simbolismo há nisso! Nota-se acima da porta uma imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo — figurando que Ele divide as vias do homem em duas: a da direita, do amor de Deus; e a da esquerda, da perdição. Ele divide os caminhos humanos.


Na parte superior do templo, vemos um lindo trabalho de escultura em pedra. Os construtores colocavam nas igrejas da época esculturas para ilustrar algum fato da História Sagrada, da História da Igreja ou da história de um santo. Assim, ensinava-se religião aos que entram nos templos. Por essa razão as catedrais medievais foram denominadas "Bíblias em pedra".

As colunas, com muita nobreza, suportam todo o peso do edifício. Suficientes, dignas, mas como um carregador que não se verga ao peso da bagagem. Como são diferentes de tantas colunas modernas atarracadas!

Podemos dizer que harmonia e distinção são as notas dominantes do conjunto do edifício, ao qual não falta um aspecto prático.

A arquitetura medieval, tanto de estilo românico quanto gótico, é considerada por muitos estudiosos modernos a mais prática que houve na História. Não há nada num edifício gótico, por exemplo, que não tenha uma razão de ser prática. Nele, entretanto, tudo é belo. Poder-se-ia fazer um longo estudo para provar que todos os aspectos analisados na Basílica de Vézelay têm uma razão de ser prática, mas aliada à beleza.

Um fato histórico importante contribui para aumentar o renome dessa obra-prima do estilo românico: nela São Bernardo de Claraval pregou a segunda Cruzada, em 1146.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em 10 de fevereiro de 1974.
Sem revisão do autor.