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A Palavra do Sacerdote

 

Pergunta Nunca me confessei e gostaria de saber o que devo fazer antes de contar meus pecados a um padre.

Resposta Nada torna o homem mais feliz nesta vida do que a paz de alma. E nada o torna mais inquieto do que saber que ofendeu a Deus e não tem certeza de ter sido perdoado. Por isso, o sacramento da Penitência, ou da Confissão, é uma das mais consoladoras verdades e práticas da Igreja Católica, pois tira da própria consciência o imenso peso de nossas faltas e pecados, restituindo-nos a amizade de Deus.

O sacramento da Penitência realmente nos confere a certeza de que, respeitadas as condições para a validade do sacramento, quando o sacerdote nos dá a absolvição e nos diz: “Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”, ele não faz senão emprestar seus lábios a Deus, que é o único que pode perdoar as ofensas cometidas contra Ele, e que de fato nos perdoa.

Algumas pessoas afirmam sentirem-se após a confissão como se lhes tivesse sido tirado um imenso peso das costas, ficando mais felizes do que se possuíssem os maiores tesouros da Terra. A causa dessa sensação advém do fato de elas passarem a sentir a proximidade de Deus, que gratifica o pecador convertido com o festim com que o Pai recebeu de volta em sua casa o Filho Pródigo da parábola.

Como dissemos acima, com base no Catecismo da Igreja Católica, “só Deus perdoa os pecados”. Mas Jesus, precisamente por ser Filho de Deus, disse de Si próprio: “O Filho do Homem tem na Terra o poder de perdoar os pecados” (Mc 2, 10). E o Evangelho narra como, em várias oportunidades, Jesus exerce este poder divino: “Os teus pecados são-te perdoados!” (Mc 2, 5). Porém, “em virtude da sua autoridade divina, [Ele] concede este poder aos homens para que o exerçam em seu nome” (Catecismo, n°1441).

 

“Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados”

O sacramento da Penitência foi efetivamente instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo no primeiro encontro que teve com os Apóstolos no Cenáculo, no dia da Ressurreição: “Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 21-23).

Com essas palavras, de um lado Jesus conferiu aos Apóstolos e a seus sucessores, os bispos, o poder de perdoar os pecados e, de outro lado, deu aos fiéis o preceito de confessar seus pecados para alcançar o perdão. Os Bispos comunicam o poder de perdoar os pecados aos sacerdotes que eles julguem aptos para ouvir confissões (são raríssimos os sacerdotes que não têm esta licença), excetuados “certos pecados particularmente graves [que] são punidos pela excomunhão [...] e cuja absolvição, por conseguinte, só pode ser dada, segundo o direito da Igreja, pelo Papa, pelo bispo do lugar ou por sacerdotes por eles autorizados” (Catecismo, n° 1463), como acontece, por exemplo, neste Ano Jubilar, no qual muitos sacerdotes, designados como “missionários da misericórdia”, receberam autorização para perdoar mesmo os pecados reservados à Santa Sé. Em caso de perigo de morte, porém, “qualquer sacerdote, mesmo que careça da faculdade de ouvir confissões, pode absolver de qualquer pecado e de toda a excomunhão” (idem).

Do dito acima resulta que o sacerdote ocupa no confessionário o lugar de Deus, em cujo nome — como dissemos — perdoa os pecados.

 

Condições para uma confissão bem feita

Como Nosso Senhor concedeu aos Apóstolos e a seus sucessores o poder de perdoar ou reter os pecados, disso resulta que a confissão é um tribunal no qual o réu se apresenta voluntariamente e faz o papel do próprio acusador. E o sacerdote, como juiz, decide se o penitente é digno ou não da absolvição e lhe impõe uma penitência para satisfação de seus pecados. É por isso que, no caso de penitentes que não estão verdadeiramente arrependidos nem dispostos a abandonar o pecado (por exemplo, os divorciados recasados civilmente que querem continuar a viver como adúlteros), o sacerdote é obrigado a recusar-lhes a absolvição, sem por isso transformar o confessionário numa “câmara de torturas”. Essa recusa, aliás, é um incentivo a que eles abandonem o pecado e se reconciliem com Deus. É, pois, também um ato de caridade.

Além de juiz, o sacerdote exerce no tribunal da Penitência os ofícios de mestre e médico, porque deve instruir o penitente quando percebe que ele ignora algumas coisas inerentes à sua conduta moral e porque deve “receitar-lhe” alguns conselhos para curar-se de seus defeitos e afeições desordenadas.

Da parte do penitente, para fazer uma boa e digna recepção do sacramento da Penitência, requer-se:

§  O exame de consciência, depois de invocar o Espírito Santo para que nos ajude a lembrar de nossas faltas e a perceber sua maldade (o meio mais fácil é percorrer os 10 mandamentos e os 7 pecados capitais);

§  A contrição, ou seja, o arrependimento sincero por ter ofendido a Deus, o que inclui o aborrecimento do pecado (não se trata, portanto, de um movimento de sensibilidade, mas de um ato da vontade);

§  O propósito sério, apoiado na graça de Deus, de evitar com empenho todo pecado e toda ocasião próxima de cometê-lo;

§  A confissão exata, sincera e humilde de todos os pecados mortais de que temos consciência, do número de vezes ou pelo menos a frequência com que os temos cometido e das circunstâncias dos mesmos, caso elas façam variar a espécie do pecado (por exemplo, subtrair um objeto sacro de uma igreja não é mero roubo, mas passa a ser um sacrilégio);

§  A satisfação, ou seja, o cumprimento da penitência que nos tenha imposto o confessor, o que pode por vezes incluir a obrigação de ressarcir o dano que foi causado ao próximo ou de reparar o escândalo dado.

Alegria por evitar que uma alma seja condenada às penas eternas

Para uma pessoa que nunca se confessou ou que faz muito tempo que não se confessa, o mais difícil psicologicamente é vencer a vergonha de contar os seus pecados ao sacerdote. Ajuda mui-to a superar essa vergonha o fato de saber que o sacerdote não pode manifestar absolutamente a ninguém nada daquilo que soube em confissão, nem sequer ao próprio Papa, e isso ainda que o ameacem de morte. Em segundo lugar, convém lembrar que Deus confiou esse sacramento a homens como nós, e não a anjos, pelo que o sacerdote não se escandalizará em absoluto por aquilo que o penitente lhe contar. Pelo contrário, quanto maior for o pecado confessado, mais contente o bom sacerdote ficará, porque o confessor é como um pescador que, quanto maior for o peixe que cai em sua rede, mais alegre fica por ajudar uma alma a se salvar eternamente. E, por fim, convém recordar que um dia deveremos passar pelo Juízo Final, durante o qual aquilo que tivermos escondido por vergonha será revelado aos olhos de todo o mundo. Entretanto, os pecados já confessados e perdoados serão escondidos a todos por Deus, segundo ensinam Santo Ambrósio, Santo Agostinho e São Bernardo.

São Boaventura nos dá um conselho muito salutar: confessar primeiro aquele pecado que mais nos envergonha, porque com isso torna-se muito mais fácil confessar os demais. E se custar extraordinariamente confessar um determinado pecado, é preciso pelo menos dizer ao confessor: “Padre, cometi um pecado que não me atrevo a confessar”, porque o sacerdote poderá ajudar o penitente a vencer o medo. O que não se pode nunca fazer é calar um pecado por vergonha, porque com isso comete-se um sacrilégio e não se obtém o perdão de nenhum pecado, ficando-se, portanto, obrigado a confessar depois não somente o sacrilégio, mas o pecado omitido e novamente todos os pecados desde a última confissão válida.

Propósito firme de nunca mais pecar

Mas, o que é passar por uma pequena vergonha, se comparado com os imensos efeitos do sacramento da Penitência? De fato, pela confissão nós recebemos as seguintes graças:

1)    Obtemos o perdão de todos os pecados cometidos e da pena eterna que merecem (quanto à pena temporal, temos de pagá-la nesta Terra — com a penitência que nos impõe o confessor, mais orações e penitências voluntárias; ou então pagá-las no Purgatório).

2)    Recuperamos a amizade de Deus, como também todos os méritos alcançados pelas boas obras anteriores, aumentando em nós a graça santificante pela qual participamos da vida divina.

3)    O Espírito Santo nos proporciona forças para evitar os pecados futuros e combater as nossas más inclinações.

4)    Alcançamos uma grande paz de alma, como dizíamos no início.

Para um adulto que nunca se confessou ou que esqueceu como se recebe o sacramento da Penitência, o mais fácil é simplesmente comunicar isso ao sacerdote e pedir-lhe que o ajude a fazer a confissão.

O mais frequente, em certos países, é que o padre diga ao penitente “Ave Maria Puríssima”, ao que ele responde: “Sem pecado concebida. Abençoe-me, padre, porque eu pequei. Há X tempo que fiz minha última confissão e acuso-me de ter cometido os seguintes pecados”. Depois de uma pequena exortação, o sacerdote pede ao penitente para recitar o Ato de Contrição, cuja fórmula tradicional é: “Senhor meu, Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu, por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas e porque Vos amo e estimo, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração, por Vos ter ofendido; pesa-me também por ter perdido o Céu e merecido o inferno; e proponho firmemente, ajudado com o auxílio de vossa divina graça, emendar-me e nunca mais tornar a Vos ofender; e espero alcançar o perdão de minhas culpas, por vossa infinita misericórdia. Amém.” Depois de recitado o Ato de Contrição, o sacerdote dá a absolvição, impõe uma penitência e manda o penitente ir em paz.

Se a penitência for recitar uma oração, convém fazê-lo imediatamente após a confissão, para não esquecer; e aproveitar a ocasião para agradecer a Deus por ter feito uma boa confissão, pedindo a Nossa Senhora, Mãe de Misericórdia e Refúgio dos Pecadores, a graça de perseverar nos bons propósitos.

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