Agosto de 2003
Vila Nova do Ourém – Portugal
Ambientes, Costumes e Civilizações

Vila Nova do Ourém – Portugal

O perfume da realidade primitiva, boa, reta e cheia de vida

Plinio Corrêa de Oliveira

Para quem experimenta encanto na análise do linguajar das nações, Vila Nova do Ourém é um nome delicioso! Delicioso no quê? Talvez um português, nascido em Portugal, não sinta isso tão bem quanto um descendente de português, nascido do lado de cá do Atlântico.

Ourém exprime o sabor e o perfume das realidades elementares, primitivas, boas, retas e cheias de vida. Da terra, da pedra, do ferro, do leite recém-tirado de uma cabra, ovelha ou vaca, de uma rajada de vento carregado com cheiro de ervas. Dessas coisas não trabalhadas, mas que contêm, em germe, civilizações. Magníficas, quando a civilização as trabalha. Mas, já desde o primeiro aspecto, atraentes e encantadoras, e que lucram muito e perdem um pouco quando a civilização as aperfeiçoa. De maneira que, quando se as vê no estado natural, há um certo encanto próprio a uma realidade que se apalpa com as mãos, e um perfume bom, mas que o civilizado reputaria forte demais.

Vila é um lugar pequeno. Vila Nova do Ourém é um nome que sugere a existência de um passado antigo, em que é concebível ter havido uma vila velha, e depois uma vila nova, cujo acesso se dava por longa estrada do gênero caminho de cabra, substituída depois por alguma auto-estrada standard, que se percorre em poucos minutos. Então, Vila Nova e Vila Velha tornaram-se subúrbios uma da outra, e ambas satélites de uma cidade enorme, localizada perto, que englobou todas as vilas. E, com isso, elas perderam seu encanto. Mas o nome ficou: Vila Nova do Ourém, Portugal!

Não conheço lugar onde o real se apresente de um modo tão carregado de cores, tão truculento e encantador como em Portugal.

 

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 7 de maio de 1983. Sem revisão do autor.