Agosto de 2006
Nossa Senhora de Fátima e os erros morais da Rússia
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Página Mariana

Nossa Senhora de Fátima e os erros morais da Rússia

Muitos católicos, deformados pela mentalidade neopagã moderna, não entendem como um erro moral pode destruir uma sociedade. A ex-União Soviética é exemplo eloqüente disso.

Valdis Grinsteins

As palavras de Nossa Senhora em Fátima, em 1917, foram extremamente claras: “A Rússia espalhará seus erros pelo mundo”. Um erro é uma deformação, um engano, algo que desvia do caminho certo. O que significa espalhar um erro, em concreto? Conforme o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, “espalhar” vem de “separar a palha (dos cereais); despalhar. Lançar para diferentes lados; dispersar; espargir”. Para separar a palha do grão, ambos eram lançados para o alto, sendo que o grão caía no mesmo local, devido ao seu peso maior, e a palha era levada pelo vento para longe, dispersando-se na direção em que ele soprava. Exemplo muito ilustrativo, pois o que é bom — neste caso, o grão — não é dispersado, mas só aquilo que é ruim.

Mas cabe aqui uma outra pergunta: qualquer um pode espalhar um erro? Utilizemos uma analogia, para esclarecer. É natural que uma doença contagiosa seja espalhada por quem a possui, especialmente pelos mais infectados. Igualmente, é lógico que o mais infectado pela doença seja quem mais sofra suas conseqüências. Portanto, ao mesmo tempo ele é vítima e causador de vítimas. Ora, os erros, especialmente os erros morais, são como as doenças contagiosas: o mais deformado pelo erro é aquele que mais o espalha, sendo ao mesmo tempo o que sofre mais os seus efeitos.

O exemplo da doença apresenta um outro ponto interessante para meditar. Normalmente uma pessoa infectada não quer contaminar os outros, e precisa ser muito, mas muito desumana mesmo, para desejar contaminar os outros com a doença que a faz sofrer. Com os erros morais acontece o contrário. Para alguns, não lhes basta cometer o erro e sofrer suas conseqüências; chegam ao grau extremo de se tornar apóstolos do erro, desejando para os outros a mesma infelicidade em que caíram.

Neste sentido, espalhar um erro é um ato de maldade deliberada. Não é um equívoco, um efeito do pecado original em nossa inteligência, vontade ou sensibilidade. Aqui se trata de difundir aquilo que sabemos por experiência que é torto, não funciona, é ineficaz, faz sofrer, deforma. Ao avisar que a Rússia espalharia seus erros pelo mundo, Nossa Senhora advertia também que, partindo desse país infeliz, haveria uma persistência em difundir, de forma contínua e por muitos anos, o que se sabia ser mal. E cabe aqui a pergunta: como sabiam os dirigentes russos que o comunismo estava errado? Não seriam eles bem intencionados, iludidos pelo sonho ou delírio de uma paz universal? Pois, até prova em contrário, todos são bons e não podem querer espalhar conscientemente o mal. Para responder a esta pergunta, comecemos por relembrar um pouco de História.

Rússia: do atraso à decadência

Assassinato da família imperial russa pelos comunistas
Quando Nossa Senhora apareceu em Fátima, em 1917, a Rússia tinha até então sido governada pelos czares, e só a partir da revolução de outubro daquele ano passou a ser tiranizada pelos comunistas. A Rússia dos czares era uma mistura de verdadeiro esplendor com autêntico atraso, de inércia com desejo de conquista, de fatalismo embriagado com magníficos sonhos e devaneios.

Todos os historiadores sérios concordam hoje que, apesar de seus numerosos defeitos, ela estava avançando decididamente no caminho do progresso material, e se tivesse continuado nessa trilha, tornar-se-ia uma potência de primeira ordem. Uma potência verdadeira, não a tapeação chamada União Soviética. Entre seus fatores positivos, a Rússia em 1917 era um dos países com maior número de nascimentos no mundo, e onde o divórcio estava severamente proibido. A legislação favorecia a família tradicional.

Com o comunismo tudo isso mudou, e mudou logo. Defensores do permissivismo moral, os comunistas aprovaram leis favorecendo o amor livre e o divórcio, e em 1920, durante o governo de Lenine, a Rússia foi o primeiro país do mundo a permitir o crime do aborto. O resultado dessa lamentável situação não tardou a aparecer: divórcios numerosos, trazendo como conseqüência famílias cada vez menores, nas quais o número de filhos era limitado em função da perspectiva de estabilidade do “cônjuge”, do trabalho, da moradia ou do capricho dos pais. Filhos abandonados ou entregues a orfanatos, dos quais fugiam depois para formar pequenos bandos de criminosos, logo se tornaram uma praga nacional. Uma geração que crescia sem conhecer o que fosse respeitar os outros. O crime chegou a tais níveis que, visando limitar seus efeitos, Stalin modificou a legislação em 1936, chegando a proibir o aborto. Como não houve nenhum arrependimento verdadeiro, mas apenas interesse político, pouco depois da Segunda Guerra Mundial o aborto voltou a ser introduzido na legislação comunista, bem como todos os outros ditos “avanços”. E a situação tornou-se ainda pior.

A ruína da ex-União Soviética

Num país policialesco, no qual uma delação facilmente fazia alguém ser enviado à Sibéria ou a uma Lubianka, pode-se bem imaginar quantos, afetados pelo divórcio ou pelo abandono do cônjuge, aproveitavam essa situação para se vingar. As delações chegaram a tais extremos, que as pessoas se isolavam umas das outras, pelo medo de serem denunciadas. Mesmo dentro das próprias famílias, que com isso foram se esfacelando ainda mais. A tal ponto que hoje, 15 anos após a queda do império comunista, em minhas freqüentes viagens pela ex-União Soviética, tenho podido observar as conseqüências trágicas dessa política: pessoas que a duras penas conseguem saber se têm tios ou tias, ignoram completamente os nomes dos avós, ou onde se encontra seu irmão; orfanatos lotados; bandos de delinqüentes muito jovens na rua; e uma bebedeira generalizada, a ponto de não ser raro ver moças com uma garrafa na mão às 10 horas da manhã. Sem contar que, em média, os homens morrem aos 50 e poucos anos de idade, em geral de doenças ligadas ao alcoolismo, ou então à AIDS, que já chegou a níveis assustadores.

A cada ano, a população diminui em 700.000 pessoas, e o governo não sabe o que fazer para evitar esse decréscimo populacional. A contracepção virou uma verdadeira praga nacional. Parcelas cada vez maiores da Sibéria estão sendo ocupadas por imigrantes clandestinos da China, Coréia ou Turquia. É inacreditável o grau de desrespeito entre as pessoas. Os mais jovens não respeitam de nenhum modo os mais velhos, e todos se insultam da pior forma possível, por quaisquer motivos. Nem sequer no comércio os vendedores respeitam os fregueses, sendo alguns de um grau de desatenção impressionante. Não existe a norma comercial de que “o cliente sempre tem razão”.

Prefiro não falar do fracasso econômico, pois, se algum dia tiver que escolher entre morar numa favela ou num edifício pré-fabricado dos que abundam em bairros de Vilnius, Riga, Lvov ou Minsk, julgo que escolherei a favela... Nela, pelo menos os vizinhos serão melhores.

E os vícios foram espalhados...


Lenine, Exército soviético e Stalin
Hoje, o que Nossa Senhora de Fátima previu está à vista de todos: erros morais que só existiam na Rússia na década de 20 são moeda corrente no mundo. De forma sistemática, sabendo que aquilo só traria a desgraça, os oligarcas russos insistiram em espalhar suas doutrinas, cujas conseqüências são os mesmos males de que padeciam. O que acontece na Rússia de hoje é o infeliz futuro para o qual caminham todos os países que aceitaram os mesmos erros. A única solução está numa volta aos valores morais do catolicismo. Não há outra. E a própria Rússia o prova. Com a riqueza proveniente do petróleo, o governo vem intentando todo tipo de políticas para reverter o descalabro deixado pelo comunismo, e nenhuma tem dado certo. É que o dinheiro não faz surgir a moral. Ela é fruto da Religião.

Nossa Senhora de Fátima, que nos advertiu quanto à disseminação dos erros da Rússia pelo mundo, nos auxilie com sua graça para erradicá-los de nossas pátrias. E para que esta verdade fique gravada em nossos corações. Basta que Lho peçamos com confiança e perseverança.

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