Janeiro de 2017
São Miguel Arcanjo e a abadia na Normandia
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Esplendores da Cristandade

São Miguel, Príncipe da milícia celeste

       Gabriel J. Wilson

 

Os católicos que estudaram o catecismo sabem que os anjos são puros espíritos criados por Deus para servi-Lo e assisti-Lo diante de seu trono, conferindo-lhes graças e poderes especiais. São sábios, poderosos e fortes, e executam a vontade de Deus, conforme canta o Rei Davi: “Bendizei ao Senhor todos os seus anjos, heróis poderosos que cumpris as Suas ordens, sempre dóceis à Sua palavra” (Ps 103, 20).

Os anjos constituem a milícia celeste. Quando Lúcifer e uma parte deles se revoltaram contra Deus, o Arcanjo São Miguel enfrentou-os, conclamando: “Quis ut Deus?” (Quem como Deus?).O brado de revolta de Satanás e de todos os espíritos malignos foi o brado da igualdade, ao qual se opôs São Miguel. Os demônios tentam os homens no mesmo sentido, e por isso devemos recorrer aos anjos celestes contra as suas artimanhas nesta Terra.

Por esse motivo, o Papa Leão XIII mandou incluir no final da Missa tridentina — que se celebrava em todo o mundo até a promulgação da missa nova por Paulo VI após o Concílio do Vaticano II — uma oração a São Miguel Arcanjo, Príncipe da milícia celeste, pedindo sua proteção para todos os fiéis contra os demônios. O novo rito infelizmente suprimiu essa oração… e o mundo católico nunca esteve tão penetrado por erros, desorientado e dividido como em nossos dias!

São Miguel é por excelência o protetor da Santa Igreja. Suas intervenções ao longo da História o comprovam. Donde a perenidade da devoção ao Arcanjo nos vários santuários, sobretudo na Europa. Pode-se dizer que São Miguel acompanhou desde tempos remotos a evangelização da Europa, realizada pelos monges do Ocidente, convertendo povos bárbaros, secando pântanos e civilizando terras selvagens. Assim fizeram São Patrício, São Columbano e seus discípulos a partir da Irlanda. E igualmente São Bento a partir da Itália (cfr. Plinio Maria Solimeo, Catolicismo, julho/2004). O labor dos santos é sempre acompanhado pela proteção dos anjos, o que explica a ereção de tantos santuários em honra de São Miguel na Europa.

Curiosamente, uma série de lugares sagrados ligados a São Miguel desde tempos imemoriais formam uma linha quase reta que vai do Rochedo de São Miguel (Skellig Michael), na Irlanda (1), até a Terra Santa, onde viveu Nosso Senhor Jesus Cristo, passando pelo Monte São Miguel, ao largo da Cornualha (2), na Grã-Bretanha; pela abadia do Mont St-Michel, na Normandia (3) (que destacamos nas páginas seguintes); pela Sacra di San Michele no Piemonte (4) (vale de Susa, perto de Turim); pelo santuário de São Miguel do Monte Gargano, na Puglia (5), junto ao mar Adriático; pela ilha de Symi, na parte ocidental da Grécia (6), terminando no Monte Carmelo (7), onde viveu o profeta Elias. Outros dizem que essa misteriosa linha termina na piscina de Siloé, em Jerusalém, onde se curavam os doentes no tempo de Nosso Senhor.

          

               

De qualquer forma, pondo à parte as interpretações esotéricas, esses santuários milenares testemunham a consistência da devoção ao Arcanjo que triunfou sobre Lúcifer, o inimigo por excelência dos fiéis da Santa Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

São Miguel volta a brilhar na agulha do Monte

A célebre Abadia do Monte São Miguel, situada na Normandia, no limite com a Bretanha, no Sudoeste da França, é coroada por uma gigantesca estátua dourada do Arcanjo, na ponta da agulha gótica que aponta para o céu. Como parte de uma série de restaurações feitas no monumento ao longo dos três últimos anos, em março de 2016 a estátua de São Miguel foi retirada e inteiramente redourada, voltando a seu lugar no mês de maio seguinte. O Monte São Miguel é um dos monumentos mais visitados da França, ao lado da catedral de Notre-Dame de Paris e do castelo de Versalhes.

          

O Arcanjo — obra do escultor Emmanuel Frémiet (1824-1910) — é o ponto culminante da flecha da abadia, existente desde o século X. Ao pé do imenso edifício, uma encantadora aldeia se desenvolveu. Ao sabor das marés, o Monte se transforma em ilha ao cair da tarde, graças a uma espécie de liturgia das águas do mar e do rio Couesnon. 

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