Fevereiro de 2001

Nossa Senhora de Las Lajas:

 Rainha e Mãe

Plinio Corrêa de Oliveira

“Las Lajas” quer dizer, em português, "as lajes". A pintura à direita está impressa num rochedo existente numa gruta  localizada ao sul do território colombiano, junto à fronteira do Equador, são  reproduzidas nesta contracapa as duas figuras principais. É um como que quadro. Tem todas as características de ter sido pintado mediante o concurso de um  Anjo.

Qual é a beleza da referida pintura?

Devemos distinguir nela dois aspectos: as pessoas de Nossa Senhora e Nosso Senhor, e o colorido.

O colorido todo expressa uma idéia de realeza muito pronunciada. As cores de fundo do quadro são faustosas. Por outro lado, esse vermelho – que tende para o vinho – do traje de Nossa Senhora é uma cor quente, rica, sendo toda essa vestimenta bordada a ouro, o que reforça também a impressão de  um traje de rainha.

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Quanto às pessoas de Nossa Senhora e do Menino Jesus, chama a atenção  primeiramente a grande coroa na cabeça da Mãe de Deus, que não figurava na pintura original. Tão grande que se diria exagerada, se não estivesse tão bem calculada. Não fica pesada demais, mas é a maior que poderia ser. É impossível imaginar uma coroa maior do que essa para a figura que a porta.

Detalhe curioso: a cabeleira da Virgem Santíssima. Os cabelos dEla estão soltos, mas de tal maneira que parecem um manto real. Há um bom gosto, uma noção de majestade e uma arte na disposição desses cabelos, que é uma coisa extraordinária.

Na fisionomia de Nossa Senhora, merece ser ressaltada a altaneria da cabeça. Ela olha de cima, de um modo sério e investigador, de quem deseja ser obedecida. É fisionomia de Mãe, mas de uma Mãe que foi pintada numa hora em que não está sorrindo. Ela não está fixando o olhar com expressão de ameaça ou reprimenda, mas está com a disposição de alguém que, se notar qualquer coisa de errado, passa um pito ou faz uma advertência. É uma realeza exercida com  força.

Por outro lado, o Menino Deus  está portando uma coroa – igualmente acrescentada à pintura original – também muito grande para a sua cabeça, mas não desproporcionada.

Ele está muito amavelmente voltado para quem reza. Ao invés do quadro clássico  – o Menino Jesus sério e Nossa Senhora risonha – nota-se o contrário: Ele se distrai com o laço voltando-se para o pecador, enquanto sua Mãe está séria. O que representa  uma troca de posições, parecendo inverter-se o papel da Medianeira. Na realidade, o pensamento que aí está expresso é muito profundo: Ele é misericordioso porque está sentado no trono da misericórdia  – nos braços de Nossa Senhora. Se assim não fosse, Ele não exprimiria tal misericórdia extraordinária, essa alegria de dar e sorrir.

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No total, o que há de mais interessante no quadro é que, depois de se ter olhado para o Divino Infante e Sua Mãe Santíssima, percebe-se como a maternidade dEla está expressa na pintura. Parece que Ela não está prestando uma atenção próxima no Menino, mas há uma intimidade enorme entre os dois. Nossa Senhora O sustém, como uma mãe carrega um filho inteiramente chegado a Ela, para deixar claro seu sentimento materno. Senso materno, por conseguinte, voltado para o pecador, de quem Ela  também é Mãe.

Nossa Senhora Rainha e Mãe: é o que  expressa admiravelmente esse quadro, que eu considero verdadeiramente uma obra-prima no gênero.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 19 de outubro de 1974. Sem revisão do autor.

 

 

Origem do quadro de Nossa Senhora de Las Lajas

No século XVIII, depois de vários fatos sobrenaturais ocorridos numa gruta nas ladeiras de Las Lajas, a índia Maria Mueses de Quiñones, (ao lado, uma imagem sua, carregando sua filha Rosa) descendente dos caciques de Potosí, encontra sua filhinha de joelhos venerando um quadro da Virgem, tendo nos braços o Menino Jesus e ladeada por São Francisco e São Domingos. Informados do ocorrido, os habitantes do local acorreram para venerar a Virgem, logo denominada de Las Lajas. Em fins do século XIX, foi construído um magnífico Santuário em estilo gótico no local.