Setembro de 1995
Castigos coletivos: punição divina pelos pecados cometidos por nações e povos
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Castigos coletivos: punição divina pelos pecados cometidos por nações e povos

Em todas as eras históricas abrangidas pelo texto da Sagrada Escritura figuram sanções do Criador contra coletividades pecadoras. É compreensível, em vista disso, a escalada de catástrofes naturais e epidemias que se verifica em nossa época neopagã e apóstata.

Júlio de Albuquerque

Vulcão Etna e a cidade de Catânia

Desde sua criação o homem vem se rebelando constantemente contra as ordens, os preceitos e os mandamentos divinos.

Nossos primeiros pais desobedeceram à ordem de Deus e comeram do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, cometendo assim o Pecado Original, pelo qual foram severamente punidos com a perda dos dons sobrenaturais e preternaturais e o exílio neste vale de lágrimas (cfr. Gn 3).

Daí por diante, com o assassinato de Abel por Caim, uma grande parte da humanidade - talvez a maior parte dela - efetive sempre caminhando nas vias do mal, da perdição, da desobediência e da resulta contra Deus.

Tendo em vista esse comportamento do homem, fruto do pecado original e do mau uso do livre arbítrio, Deus passou a usar de sua justiça infinitamente santa para punir o pecador com penas temporais nesta Terra ou, nos casos de impenitência final, com a condenação às penas eternas do inferno.

Mas Deus não se limita a castigar individualmente os homens por sua prevaricação. Quando esta se toma de tal maneira generalizada, a ponto de ser praticada pela maioria maciça da humanidade - ou mesmo de um povo ou dos habitantes de certa região ou país - com requintes de malícia e de impenitência, o Criador pune tais pecadores com grandes castigos coletivos. Ou então ameaça puni-los, caso não se convertam.

Na Sagrada Escritura são incontáveis as ocasiões em que Deus manifesta sua intenção de punir o povo por seus maus costumes e/ou pelas falsas doutrinas que abraçaram.

Não foi outro o motivo pelo qual castigou a humanidade com o dilúvio e, mais tarde, com a confusão das línguas e a dispersão (cfr. Gn 6 e 11).

Em outras ocasiões a punição divina não se desencadeou sobre toda a humanidade, mas apenas sobre certos povos, regiões ou cidades. Foi o caso de Sodoma e Gomorra, atingidas pelo fogo do céu como castigo devido ao pecado de homossexualidade (cfr. Gn 18 e 19).

O pecado coletivo de um povo, mes mo que seja o povo eleito, suscita a cóle ra divina. Em diversas ocasiões Deus ameaçou e puniu o povo judeu por sua apostasia.

E isto aconteceu não só durante o tra jeto no deserto, do Egito rumo à Terra Prometida, como principalmente no período de decadência e divisão do reino. Nessa época Deus enviou ao povo judeu os seus profetas, por cuja voz ameaçava com castigos, caso não se arrependesse de seus pecados e não fizesse penitência.

Como o povo persistisse em sua prevaricação, tais castigos muitas vezes se realizaram, como no caso da seca prevista pelo Profeta Elias (cfr. 3 Reis, 17 e 18), culminando com o cativeiro na Assíria e em Babilônia (cfr. 4 Reis 18, 9­12; 24,10-16; 25).

Poder-se-ia talvez pensar que a punição da apostasia e da impiedade por meio de castigos coletivos sobre povos e nações fosse uma peculiaridade do Antigo Testamento, quando a justiça de Deus se fazia notar com muito mais evidência e a grande misericórdia da Redenção ainda não se realizara.

Tal idéia, porém, é falsa. A misericórdia não veio abolir a justiça, pois em Deus ambas são infinitas. Nosso Senhor Jesus Cristo, ao redimir o gênero humano com Sua morte na cruz, não afastou a possibilidade de castigos sobre povos e nações que recusassem sua palavra e se entregassem ao pecado. Não só nos Evangelhos, como em outros livros do Novo Testamento, são bem claras as advertências nesse sentido.

Assim, Nosso Senhor prevê a punição de cidades que ouviram sua pregação, viram seus milagres e não se converteram (cfr. Mt 11,20-24; Lc 10, 13-15). Como também anuncia o castigo que se abateria sobre o povo judeu pelo deicídio, a destruição de Jerusalém e, muito especialmente, os castigos que virão próximo ao fim dos tempos, em conseqüência da prevaricação generalizada, da apostasia, da impiedade e do empedernimento no pecado (cfr. Mt 23,37-39; 24, 1-35; Mc 13,1-31; Lc 21, 5-33).

Tais castigos importam em guerras, fome, doenças e cataclismos, apenas como prenúncio de outros maiores (cfr. Mt 24,6-8; Mc 13,7-8; Lc 21, 9-11).

O Etna

São Paulo, por sua vez, mostra como Deus castigou os pagãos que se recusaram a aceitar Sua palavra, abandonando-os à imundície e à torpeza das práticas homossexuais (cfr. Rm 1, 18-32).

Finalmente, no Apocalipse São João descreve diversas vezes os grandes castigos coletivos sobre a humanidade, através da rica simbologia das figuras e das cenas que se desenrolam aos olhos do Apóstolo. Especialmente significativos são os castigos anunciados ou descritos nos capítulos 8, 7-13; 9,1-20; 14, 15-20; 16,1-21; 18, 1-24.

Vemos assim que a ameaça, a previsão e a realização de castigos coletivos, como punição de um povo prevaricador, idólatra e apóstata, estão presentes ao longo de toda a Sagrada Escritura, sem exclusão de épocas históricas. Pode-se ainda aduzir um ponto tirado da Teologia da História. Com efeito, nações e povos ­coletividades cuja existência não transcende a vida terrena - não podendo ser recompensadas nem castigadas na eternidade, recebem neste mundo mesmo o prêmio ou o castigo por suas ações.

E claro que a maior parte dos castigos mencionados na Sagrada Escritura já se realizou. Porém aqueles relacionados ao fim dos tempos e às épocas que o antecedem - anunciados e descritos mais especialmente nos Evangelhos e no Apocalipse - ainda estão por se realizar. Seu relato inclui, entre outras calamidades, a ocorrência de cataclismos, fenômenos meteorológicos inusitados, guerras generalizadas, fomes, epidemias, etc.

Escalada atual de calamidades

As notícias que transcreveremos a seguir dizem respeito exatamente a esse tipo de ocorrências. É inegável que os fatos narrados têm uma acentuada semelhança com pré-figuras de outros piores que ainda estão por acontecer. Isto porque a punição coletiva pela iniqüidade e impenitência dos homens continua em vigor nos planos de Deus: E como é público e notório que· a humanidade não caminha pela via dos mandamentos divinos, nada mais natural que Deus lhe imponha castigos que sirvam, ao mesmo tempo, como alerta e punição.

Cataclismos

Vulcão na Costa Rica

–– Jornais e revistas noticiaram que, de janeiro de 1994 a janeiro de 1995, centenas de terremotos e outros tremores menores abalaram o mundo.

–– Em 18 de janeiro de 1994, "Los Angeles, a segunda cidade em importância dos Estados Unidos, sofreu o pior terremoto observado no país nos últimos 20 anos. Como conseqüência de 30 segundos de tremor de terra morreram 55 pessoas, nove vias elevadas se partiram como varas, um conduto de óleo e 250 de gás se romperam, provocando incontável número de incêndios. Três milhões de pessoas ficaram sem luz, devido à ruptura dos fios elétricos; e faltou água para 40 mil.

–– Em outubro de 1994, no Chile, foram registrados diariamente cerca de 100 tremores, tidos como indício de terremotos de maiores proporções, que podem ocorrer a qualquer momento.

–– Em novembro um ciclone, cujos ventos chegaram a 190 km por hora, devastou durante vários dias a região do Caribe, matando mais de 950 pessoas.

–– No início de 1995, em menos de um mês a Colômbia sofreu dois fortes terremotos, tendo sido atingidas 32 cidades, causando a morte de 40 pessoas e ferimentos em 230. Os acidentados apresentavam membros amputados, por terem. ficado presos entre os escombros.

–– Também no início de 1995 a Europa foi devastada por inundações. O fenômeno, classificado como a maior enchente do século, castigou sobretudo a Holanda, a Bélgica, a Alemanha e a França. As chuvas foram responsáveis pelo maior êxodo civil desde a Segunda Guerra Mundial.

–– Em fevereiro de 1994 um terremoto arrasou completamente uma cidade na Indonésia. Em setembro o Pinatubo, um dos vulcões em atividade nas Filipinas, cobriu de lama e cinzas uma cidade inteira e várias vilas. Na mesma ocasião deu-se tragédia similar na Nova Guiné, ficando sepultada a cidade de Rabaul.

–– O Vietnã, que ainda cambaleia sob a tirania comunista, foi atingido em outubro por uma inundação que resultou na morte de mais de 300 pessoas e em 500 mil desabrigados.

–– Quanto ao continente africano, a ilha de Madagascar, no Oceano Índico, foi devastada no início de 1994 pelo mais violento ciclone do século, que fustigou a região com ventos de 350 km por hora.

Em agosto a Argélia foi sacudida por u.m terremoto que matou 147 pessoas.

Porém nenhuma dessas tragédias pode se comparar à que sofreu o Japão.

–– De janeiro a dezembro de 1994 aquele país foi devastado por seis terremotos, aos quais se soma um número incalculável de abalos menores.

–– O ano de 1995, porém, veio aumentar ainda mais o pessimismo dos cientistas japoneses em relação à segurança do país.

–– No dia 17 de janeiro, às cinco e trinta da manhã, apenas 20 segundos de terremoto foram suficientes para arrasar a cidade de Kobe, um dos maiores portos do Japão, e devastar inúmeros outros lugares.

Como conseqüência da catástrofe houve mais de seis mil mortos, 25 mil feridos e 300 mil desabrigados, cujo sofrimento foi agravado por um frio rigoroso.

Guerras e violência urbana

Vulcão no México

A tantos flagelos ainda um outro veio juntar-se, e de proporções desmesuradas: as guerras. Por todos os rincões do planeta vão se avolumando os casos de conflitos armados e guerras declaradas.

No ano passado as notícias diziam que pelo menos em 25 regiões do mundo as guerras prosseguiam.

Especial menção merece a caótica guerra civil que desde 1991 se abateu sobre o antigo território da Iugoslávia. Populações de origem eslava, mas divididas religiosamente (católicos, muçulmanos e greco-cismáticos), vêm sendo dilaceradas por um dos conflitos mais bárbaros do século XX.

As pequenas guerras vinham matando anualmente 500 mil pessoas, segundo estimativas de 1992. Em 1994 esse total foi superado por uma única guerra: de abril a julho um milhão de pessoas foram mortas em Ruanda. Do final da Segunda Guerra Mundial até abril de 1994, mais de 24 milhões de pessoas morreram em cerca de 150 confrontos.

Mas há um outro tipo de extermínio, ainda mais mortífero: a violência urbana.

–– Nos Estados Unidos, por exemplo, a cada 14 minutos uma pessoa é baleada. Somente no ano passado houve 24 mil assassinatos. A possibilidade de uma criança ser morta a tiros é 15 vezes maior que na Irlanda do Norte, em guerra civil há mais de três décadas.

–– Na Alemanha a violência atingiu tais níveis que até a polícia está alarmada e desnorteada, tendo um delegado afirmado: "Trata-se de uma onda inédita de violência. Nunca ocorreram tantos assassinatos, nunca tantas pessoas foram feridas e nunca os c rimes foram tão brutais".

No Brasil a violência urbana atingiu tais proporções que uma pesquisa chegou a demonstrar que no Rio de Janeiro ocorreram mais de 70 mil assassinatos nos últimos sete anos.

Epidemias e novas doenças contagiosas; os supervírus

Segundo os cientistas, os anos 90 marcaram a entrada do mundo na era dos supervírus. Na lista das preocupações, as doenças provocadas por esses novos micro-organismos letais, quase indestrutíveis,já tomaram o lugar do câncer e das doenças do coração.

O diretor do principal centro de investigação de novos agentes patológicos, localizado nos Estados Unidos, afirma não haver garantia de que a humanidade ganhará a guerra contra as doenças. Em conseqüência, a população mundial poderá ser dizimada.

A única forma de vencer essa guerra biológica consiste em criar novos medicamentos capazes de combater os supervírus. Mas há consenso entre os cientistas de que isso não ocorrerá antes do seu alastramento. O número dos micro-organismos que surgiram ultimamente, ou que se tornaram mais resistentes, chega a 25.

Entre eles há, por exemplo, uma bactéria estreptococo do tipo A – ­variação de uma bactéria comum na natureza - que provocou pânico sobretudo na Inglaterra, onde foi denominada bactéria assassina. Os pacientes por ela atingidos morrem em menos de 24 horas.

Outra recente descoberta dos cientistas é o Ebola, que se transmite pelo sangue contaminado ou - o que é pior - pelo ar. Sua origem é desconhecida, e não há como combatê-lo. Ataca as células do sistema imunológico, de modo muito rápido e intenso. Dez dias são suficientes para levar a vítima à sepultura.

O caso da AIOS já foi tratado por Catolicismo, em artigos que apresentaram dados sobre a alarmante difusão no Brasil e no mundo inteiro dessa incurável doença.

Que o conjunto dessas notícias nos leve a avaliar com a devida seriedade a trágica situação a que chegou a humanidade, em conseqüência do não cumprimento dos mandamentos de Deus.


Declarações de sobreviventes do terremoto de Kobe:

- Quando o terremoto começou, a terra se movia para cima e para baixo, e eu não podia fazer nada. Estava estático, assustado com a intensidade do tremor.

- O fogo estalava por toda a parte, em meio a uma massa de fumaça que parecia alcatrão fervendo ; tudo virou um inferno.

- Eu nunca havia sentido algo parecido; pensei que o mundo fosse acabar.

- O prédio inteiro foi abalado por um estrondo enorme. Tremia tanto que as camas se moviam de um lado para o outro; vimos que se tinha "rachado em dois pedaços .... No caminho vimos muitos incêndios, prédios desabados, cadáveres estendidos no chão, mas tentamos não olhar, para não sermos dominados pelo pavor ...



Fontes das notícias
:

- "Time". Nova York, 31/1/94.

- "Newsweek", Nova York, 23-1-95 e 13-2-95.

- "Le NouveIObservateur", Paris, 9-15/2/95.

- "Veja", São Paulo, 25-1-95.

- "Isto É", São Paulo, 25-1-95; 8-2-95.

- "Folha de S. Paulo"; 1-6-94; 19 e 29-1-95; 19-2-95.

- "O Estado de S. Paulo"; 5 e 17-2-94; 27-5-94; 30-12-94; 1-3-95.

- "Jornal do Brasil", Rio, 3-2-95.

- "O Globo", Rio, 16-2-94.

- "Jornal da Tarde", São Paulo, 3-2-95.

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