Fevereiro de 2008
A MANGA E O COCO VERDE
Ambientes, Costumes e Civilizações

A MANGA E O COCO VERDE

Duas coisas delicadas produzidas pela natureza brasileira

Plinio Corrêa de Oliveira

A meu ver, duas das coisas mais suaves que a natureza brasileira produz são, em primeiro lugar, a manga, que reputo a fruta-rainha. Naturalmente, pode-se estar em desacordo, mas esta é minha opinião pessoal. Sobretudo a manga daquele tipo que se come com colherinha de chá, essa é fabulosa! Oferece uma pluralidade de sabores maravilhosos.








A manga é, para o paladar, o que representa o órgão para a audição. Com uma diferença em relação ao órgão: ela é tão gostosa que, por assim dizer, exagera no seu campo próprio, que é o sentido do paladar. Deseja-se comê-la tanto, que se come demais. O órgão nunca se ouve exageradamente; e por mais que se o aprecie, é fácil abster-se dele, se o dever nos chama. Não é fácil, contudo, largar a manga, caso o médico diga: Não pode comer. São duas coisas diferentes, e há aqui um valo profundo entre uma coisa e outra.




Em segundo lugar, outra fruta no Brasil tem um único sabor, discreto, pouco definido, mas que para mim exerce uma força de atração extraordinária: o coco verde. A geléia de coco verde ostenta um sabor, em certo sentido, contrário ao da manga: esta pode ser comparada à execução de uma orquestra; o coco verde tem analogia com um instrumento sozinho que toca — um cravo ou uma flauta, por exemplo, com um imponderável marcante.

Parece-me que se deveria colocar junto com a manga e o coco verde outra fruta, a qual talvez não agrade aos frutólogos: a cereja em conserva. A ótima conserva de cereja, seca ou molhada, é também igualmente algo magnífico. Eu a classificaria no mesmo elevado patamar da manga e da geléia de coco verde.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira
em 29 de setembro de 1979. Sem revisão do autor.