Julho de 1999
Quem foi o Padre Belchior de Pontes?
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Escrevem os Leitores

Quem foi o Padre Belchior de Pontes?

É uma grande satisfação poder escrever à conceituadíssima Editora Padre Belchior de Pontes. Há quase dez anos tenho a graça de assinar a Revista Catolicismo, a melhor do gênero no Brasil. Além disso, sou profundo admirador do apostolado da TFP, da vida e obra do saudoso líder e pensador católico brasileiro Plínio Corrêa de Oliveira.

A título de curiosidade, eu gostaria muito de saber quem foi o Padre Belchior de Pontes – se possível indicando-me alguma biografia sua. Aguardando a vossa resposta, despeço solicitando as vossas orações, assim como eu prometo as minhas.

(M.W. – DF)

Nota da Redação:

Catolicismo, cuja Editora leva o nome desse santo sacerdote jesuíta do século XVII, com gosto responde ao pedido, pois sendo ele nosso Patrono, temos o dever de difundir sua história, aliás tão injustamente esquecida neste Brasil a que ele tanto bem fez.

Já em março de 1968, Catolicismo, em seu número 207, publicou um extenso artigo sobre a vida desse admirável missionário, taumaturgo e profeta, que exerceu seu sacerdócio em São Paulo, então chamada “Vila de São Paulo do Campo de Piratininga”. Nesta seção publicamos algumas rápidas linhas a respeito – baseadas no livro do Pe. Manoel da Fonseca, “Vida do Venerável Padre Belchior de Pontes”, Lisboa, 1752 – pois é, certamente, de interesse dos demais leitores.

Ainda muito menino, Belchior já possuía grande devoção a Nossa Senhora. Quando ele tinha apenas 6 anos, sua mãe, Ignez Domingues Ribeyra, estando enferma, pediu ao esposo a levasse ao médico da Vila, mas que antes passassem pela Capela de Pinheiros (fundada pelo Beato José de Anchieta), onde se venerava uma imagem de Nossa Senhora do Monte Serrate. Depois de ali rezarem, seguiram em busca do médico. Mas quando este examinou Da. Ignez, duvidou que ela tivesse estado doente algum dia...

Ouvindo contar os feitos de São Francisco Xavier no Oriente e os trabalhos dos Veneráveis José de Anchieta e João de Almeida em sua mesma terra, Belchior resolveu imitá-los, entrando em sua milícia, a Companhia de Jesus. Seguiu para a Bahia, onde fez o noviciado e completou os estudos. Já professo, foi elevado ao sacerdócio e enviado pelos superiores às missões de São Paulo, que muito o atraíam.

Durante 40 anos labutou nas aldeias de “Taquacocetyba, Mboy, São Joseph (dos Campos), Jacarey, Nazareth, Araçariguama, Marueri, Itapycyryca...” Não o reteve seu zelo no distrito de São Paulo, mas levou-o mais longe: “Ytu, Guaratinguetá, Taubaté, os sertões de Minas Geraes; percorreu ainda a costa até Pernaguá, subindo dali às Serras de Corityba”.

“As obras do Padre Belchior de Pontes, que, escapando ao seu recato, chegarão `a nossa notícia, parecendo ordinária não deixam de ser heróicas; e bem podemos dizer dellas, o que das de Moysés disseram os Magos a Faraó: Digitus Deis est hic (Exod. 8, 19)”. (O dedo de Deus está aqui).

Tal é o parecer do Padre Mestre Joseph Troyano, da Congregação do Oratório, Qualificador do Santo Ofício, ao fazer em 1751 a censura do livro do Padre Manoel de Fonseca.

Para todos os contemporâneos do Padre Belchior, ele foi um modelo de pureza, sendo tão conhecida nele essa virtude, que os mesmos impuros mudavam de conversa à sua chegada, temendo suas vigorosas repreensões.

Nada lhe parecia excessivo quando se tratava de conservar a virtude angélica. Além de freqüente meditação da Paixão de Cristo e das dores de Nossa Senhora, usava de rigorosíssima guarda do olhar, para que por ele não lhe entrasse no coração o veneno da impureza. Era de uma vigilância meticulosa na matéria.

Dentre as inúmeras predições desse glorioso Varão, encontra-se a profecia que fez da Guerra dos Emboabas e o segundo levantamento das Minas Geraes, ocorrido em 1720, ao tempo do Conde de Assumar.

Contava já 73 anos o venerável sacerdote quando seus superiores o mandaram assistir na Fazenda de Araçariguama, onde permaneceu por dois anos, apesar das fadigas e achaques.

Procuraram aliviá-lo com todos os remédios conhecidos, mas o padre os dissuadia, dizendo que aquele mal era de morte, e que morreria na próxima sexta-feira, às 3 horas da tarde.

Na quinta-feira piorou muito e lhe administraram a Santa Unção e o Viático. Instruiu ele ao Padre Simão Alvares, que o assistia, de como proceder; pediu-lhe que no dia seguinte dissesse Missa de agonizantes, e que na hora derradeira rezasse a oração de Santo Anselmo e lesse a Paixão de Cristo. Quiseram os Religiosos, conforme o costume das Comunidades, assisti-lo durante a noite, mas o servo de Deus lhes recomendou que fossem descansar, pois não morreria antes das 3 horas da tarde seguinte.

De fato, chegadas as 3 horas daquela sexta-feira, ele, que tanto venerava a Paixão de Cristo, entregou ao mesmo Senhor a sua alma, pronunciando os dulcíssimos nomes de Jesus e Maria. Era o dia 22 de setembro de 1719.

Vários prodígios ocorreram após sua morte, entre os quais a cura de uma sua afilhada, que fora atacada por estranha moléstia.

Uma valiosa recordação do Padre Belchior conserva a graciosa cidade de Mboy, hoje chamada Embu, não longe da capital paulista: a igrejinha por ele construída, precioso monumento da piedade antiga.

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