Julho de 2004
Permanência da coalizão desejada no Iraque
A Realidade Concisamente

Permanência da coalizão desejada no Iraque

D. Louis Sako
O islamismo revolucionário está forçando muitos católicos a abandonar o Iraque, escreveu D. Louis Sako, Bispo da diocese de Kirkuk. “Alguns cristãos foram assassinados sob o pretexto de roubar ou vender álcool”.

D. Shlemon Warduni, Bispo auxiliar do Patriarcado caldeu (católico) de Bagdá, pediu aos países da coalizão que não imitem a decisão da Espanha, que abandonou o Iraque: “Agora é importante que os contingentes estrangeiros fiquem no Iraque. Se nos abandonarem, vai ser pior. Seria uma catástrofe se Roma seguisse o péssimo exemplo de Madri”, declarou ao diário “Il Corriere della Sera”, de Milão.

A grande imprensa dedica vastos espaços ao problema iraquiano, mas não tem dado importância a apelos tão expressivos como este.

Esquerda perde liderança para conservadorismo

Em 1964, nos EUA, um conservador “parecia vindo de um outro planeta”, mas hoje o direitismo lidera a sociedade — escreveram no “New York Times” John Mickeltwait e Adrian Wooldridge, autores de A Nação Correta: o Poder Conservador nos EUA.

Para eles, é burrice achar que a mudança dependeu de dinheiro ou deste ou daquele político, mas foi fruto de uma transformação profunda na sociedade. Segundo pesquisa Gallup, 41% dos americanos se dizem conservadores, e apenas 19% esquerdistas. “As grandes universidades e fundações de tendência esquerdista — explicam — têm infinitamente mais recursos” do que os grupos conservadores, porém “a direita superou a América Liberal em organização, combatividade e pensamento nos últimos 40 anos”.

Com o financiamento do multimilionário George Soros, a esquerda está copiando os métodos dos conservadores para recuperar a hegemonia. Mas lhe falta um “centro de convicção e energia”, que — segundo a líder esquerdista britânica Beatrice Webb — é indispensável para atingir a meta.

Regulamentação ameaça pizza italiana

Segundo os entendidos, a existência da pizza remonta à Grécia antiga e tomou a forma atual em Nápoles. Lá, nos lares pobres, as donas-de-casa que não tinham o suficiente para o jantar, movidas pelo amor materno e por seus engenhos, pegavam farinha, faziam uma massa, colocavam um pouco de mozzarela mais aquilo que ainda lhes restasse (tomate, condimentos, etc.), e punham isso no forno. Eis a pizza!

A pizza tem algo de genial. Ela alia o talento e a simplicidade, a originalidade e a variedade, com seu queijo derretido suave como um chantilly e sua fantasia aromática. É um fruto abençoado dos tempos da Civilização Cristã, em que os homens eram penetrados de amor de Deus e de equilibrada resignação à Providencia Divina. Sem mácula de ressentimento ou luta de classes.

Há anos a União Européia vem impondo rígidas normas burocráticas à gastronomia do continente. Já foram atingidos o camembert, a cerveja, as massas etc, ocasionando queda de qualidade e queixas generalizadas. Picado pela mesma mosca dirigista, o governo italiano quer agora regulamentar a pizza, segundo parâmetros técnicos. Um misto de ironia e indignação percorreu o mundo, até mesmo o Brasil. Encaixar a pizza num esquema elaborado nos corredores da burocracia estatal revela não se ter compreendido o que ela representa, equivale a lhe matar o espírito e empobrecer os bons e legítimos atrativos da mesa.

Garantia legal para os nascituros nos EUA

Nos EUA, o ser humano que está para nascer passa a ter todos os direitos legais, qualquer que seja o seu nível de desenvolvimento. Em virtude de lei federal, assinada pelo presidente George W. Bush, quem causar a morte ou lesões a uma criança no seio materno será indiciado por um delito especial. A nova lei não abole o aborto, mas introduz um princípio jurídico que, se for levado ao seu pleno desenvolvimento natural, porá fim ao massacre de inocentes.

O Partido Democrata se opôs à nova norma, porque ela põe em risco a lei do aborto, pelo fato de dar personalidade jurídica ao feto. Assim, o candidato presidencial John Kerry votou contra. O vice-presidente da Academia Pontifícia pela vida, D. Elio Sgreccia, afirmou pela Rádio Vaticana que a nova lei “é um fato jurídico e eticamente muito relevante”, porque a criança que vai nascer passa a ser reconhecida como ser humano.

Heroísmo da Guarda Suíça suscita admiração

No dia 6 de maio, data em que 147 guardas suíços sacrificaram as suas vidas na defesa de Roma e do Papa, a Guarda Suíça Pontifícia comemorou os 500 anos da sua fundação. Na cerimônia, realizada com a presença de membros da Cúria Romana, representantes diplomáticos e autoridades civis e religiosas da Suíça, cada um dos 33 novos recrutas da Guarda Suíça jurou “servir com fidelidade, lealdade e honra o Sumo Pontífice, [...] com todas as minhas forças, sacrificando inclusive, se necessário, minha própria vida”.

O sangue derramado heroicamente pela Igreja é uma glória dessa secular guarda do Papa. Peregrinos e turistas que visitam Roma procuram ver a Guarda Suíça e tirar fotos de seus componentes em seus belos uniformes.

Voracidade fiscal depaupera família brasileira

O aumento dos impostos diretos que atingem a família média brasileira foi próximo de 300%, desde 1970: de 1,19% para 4,46%.

Em 1970, após cobrir todas as despesas familiares e pagar impostos e taxas, sobrava ainda 20% da renda familiar. Hoje as despesas quotidianas absorvem quase toda a renda, ela mesma já muito apertada. Em 1970, as famílias poupavam ou investiam 16,5% do que ganhavam e hoje apenas 4,76%. As tarifas que, somadas às taxas e impostos, levavam 5,27% em 70, hoje consomem 10,85%.

Todas essas cifras se referem a impostos e taxas diretos. Se fossem incluídas as contribuições indiretas, a percentagem daria um pulo assombroso. Os dados são da Pesquisa de Orçamentos Familiares realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a maior análise do gênero feita até agora.

O efeito foi empobrecer a família em troca de serviços públicos ineficientes ou quase inexistentes. Em poucas palavras, o estatismo e o socialismo não dão o que prometem e tiram o que já se tem.

BREVES RELIGIOSAS

Ameaça a célebres símbolos católicos na Espanha

Face à onda de pacifismo e aos atentados islâmicos, crescem na Espanha os temores de que os mais altos símbolos católicos sejam atingidos. Ou, o que é pior, sejam retirados ou entregues aos muçulmanos.

Assim, o presidente da Comissão de Cultura da catedral de Santiago de Compostela, Cônego Alejandro Barral, teve que desmentir rumores largamente espalhados, segundo os quais o cabido teria decidido retirar da veneração dos fiéis a famosa imagem de Santiago Matamoros da Catedral. A imagem representa o Apóstolo a cavalo e de espada em punho, exterminando os mouros na batalha de Clavijo, em 844. O pretexto mencionado era não “ferir sensibilidades de outras religiões” ou o medo de represálias dos islâmicos. O Cônego Barral, embora negando a retirada, reconheceu que essa hipótese é “algo de que temos falado informalmente em várias ocasiões”.

Ilhas Molucas: perseguição anticristã

Grupos muçulmanos vêm atacando os cristãos nas ilhas Molucas (Indonésia). Em fins de abril, os maometanos queimaram uma igreja católica, mataram pelo menos 12 pessoas e feriram 90. O sacerdote católico C.J. Bohm, do Centro de Crise de Ambon, confirmou os fatos.

As hostilidades começaram em 1950, quando a islâmica Indonésia anexou essas ilhas e desde então vem acobertando a tentativa de eliminação dos católicos daquela região.