Agosto de 1995
Caravanas da TFP: 25 anos de atuação, cinco milhões de km percorridos
Efemérides

Caravanas da TFP:
25 anos de atuação, cinco milhões de km percorridos

Pedro Amarante

Na madrugada de 20 de junho de 1969, uma bomba terrorista explodia na sede do Secretariado Nacional da TFP, em São Paulo, à rua Martim Francisco, 669, bairro de Santa Cecília, destruindo parcialmente o prédio. Danificou também uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição, a qual, desde então, passou a ser venerada no oratório erigido no local, em seu desagravo.

Três dias depois, a TFP saía às ruas em uma de suas mais célebres campanhas, envergando pela primeira vez suas capas vermelhas, ao lado dos já conhecidos estandartes rubros com o leão dourado.

Tratava-se da difusão de edição especial de Catolicismo, a qual, com base em documentos divulgados inicialmente pelas revistas "Approaches", da Inglaterra, "Ecclesia", da Espanha, denunciava a ação de grupos proféticos ocultos, que tramavam a subversão na Igreja.

Desenvolvida a sua atuação nas grandes cidades, a TFP organizou então caravanas de sócios e cooperadores que, nos meses seguintes, percorreram algumas regiões do interior brasileiro.

O resultado da atividade dessas caravanas de voluntários sobre a opinião pública foi tão extraordinário, que a experiência não podia ser relegada ao esquecimento. Um desses voluntários, então jovem de 20 anos, recorda que em São Borja (RS), por exemplo, num só dia sua caravana chegou a vender quase 1.000 exemplares do número especial de Catolicismo. É de notar que a caravana compunha-se de apenas nove elementos, dos quais um ficava ao volante do veículo.

Era o primeiro passo para a constituição de novas caravanas, que tiveram caráter esporádico até que, em agosto de 1970, firmaram-se como instituição permanente na TFP.

Os caravanistas da TFP exercem uma ação especial dentro do amplo conjunto de atividades da entidade. A par de uma intensa ação externa, procuram manter sempre o espírito de oração e recolhimento interior.

Em razão do tamanho do veículo, eles se constituem em grupos de até nove pessoas. Observam a um certo regulamento e, ao lado de sua principal atividade, que é a de difundir as obras da TFP, dedicam parte do tempo à oração e ao estudo.

Nos fins de semana, reservam um período para o lazer.

Periodicamente reúnem-se ora na sede da TFP em São Paulo, ora em alguma sede de outros estados, a fim de se colocarem em dia com notícias, estudos e atividades da associação. É também a ocasião em que se abastecem de material para novas campanhas.

Ao partir, uma caravana pode dirigir-se,por exemplo, ao Sul do País, em pleno mês de julho, o que significa enfrentar gélidos ventos e, conforme a região, até neve. Mas pode ser também o contrário: enfrentar os calores do Nordeste ou os mormaços da Amazônia.

Contudo, "vencer sem perigo é triunfar sem glória". Desta forma, enfrentar as adversidades de clima, más estradas, falta de alojamento, dificuldade de conseguir refeições gratuitas (pois em geral a simples venda de publicações nem sempre cobre as despesas), tudo isso constitui para o caravanista a sua maior galhardia. Respirando o vento do heroísmo, ele vê nas adversidades que enfrenta uma ocasião a mais para defender com bravura os valores básicos da civilização cristã no Brasil. E prosseguir destemidamente nessa verdadeira epopéia.

Os números falam por si: a partir de 1970, mais de cinco milhões de quilômetros percorridos, o equivalente a 13 viagens de ida e volta à Lua. Ao longo desses 25 anos, divulgaram 1.767.908 livros e exemplares de Catolicismo. Visitaram praticamente todos os municípios do Brasil além de um número incontável de vilas e povoados de nosso país-continente.