Agosto de 1995
"Jerusalém, Jerusalém..."
Ambientes, Costumes e Civilizações

“Jerusalém, Jerusalém ... "

Plinio Corrêa de Oliveira


Uma concepção antiigualitária do universo nos mostra como este é uma verdadeira corte cheia de nobres desiguais: uns são mais nobres porque têm mais nobreza no seu ser e outros são menos nobres porque têm menos nobreza no seu ser.

Alguém me dirá: "Mas dê um exemplo." E eu dou um exemplo fácil: o pavão e a galinha Há no pavão uma nobreza evidentíssima: na roda que ele faz, na beleza admirável de suas plumas, na formosura das penas furta-cor azul-verde de seu pescoço ...

No pavão tudo é grande menos a cabeça, mas esta forma o centro pequeno e vivo que dá movimentação a todo o resto, enquanto cabe a um ser sem razão. Seu modo de se mover, é o modo de uma rainha Ele anda com um jeito nobre, calmo, não se assusta com nada quando corre, corre com certa dignidade quando pára, não pára ofegante.


Agora, a galinha é uma miséria como falta de nobreza Ridícula sua forma de correr, ridículo seu modo de cacarejar, ela corre de maneira espavorida, os vermes nojentos que encontra pela terra, ela os devora com gula seu contentamento é um contentamento glutão.

A galinha só tem um lado nobre - é o amor materno com que defende, até com risco de vida, qualquer. de seus pintainhos. Sob esse aspecto o próprio Homem-Deus dignou-se em comparar-se a ela quando disse: Jerusalém, Jerusalém .... quantas vezes Eu quis reunir os teus filhos como a galinha recolhe os seus pintainhos debaixo das asas, mas não quiseste!" (Lc. 13, 34)

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É verdade que a galinha e o pavão são seres irracionais, não têm inteligência, não têm, portanto, nobreza no verdadeiro sentido da palavra, mas no sentido analógico.