Junho de 2007
Habitações populares tradicionais
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Ambientes, Costumes e Civilizações

Habitações populares tradicionais

Aconchego da família e solidão aos olhos de Deus

Plinio Corrêa de Oliveira

Vemos nestas ilustrações ao lado, habitações populares. É gente do povo que mora em tais casas.

As construções transmitem a sensação de solidez, dão a impressão de que protegem contra as intempéries. Dentro deles o homem sente-se na intimidade, a léguas de distância da rua, afastado dos outros, com a possibilidade de estar só e de ser ele mesmo, um pouco plenamente ele mesmo, no aconchego da família ou numa solidão completa aos olhos de Deus.

Que sensação agradável experimenta o homem, à maneira européia, quando chega o verão: vasos com gerânios vermelhos, cortininhas, e do lado de dentro uma pessoa calma lendo um livro, uma senhora fazendo crochê ou tricô e conversando com o netinho sentado no chão.



É a vida tranqüila de outrora, cheia de paz. Entretanto, mais funcional do que a das multidões acotovelando-se nos ônibus. Cidades pequenas, onde todos andam a pé para qualquer lugar, onde ninguém está com pressa ou correndo; todos vivem e respiram tranqüilamente. Foi em cidades desse tipo que se formaram os povos europeus saudáveis, que engendraram a maior civilização de todos os tempos.

* * *


Na ilustração ao lado, numa pequena cidade burguesa medieval, vemos uma casa sumamente aconchegante.

Que agradável, por exemplo, num pôr-do-sol de um dia fresco, permanecer nesse terracinho circundado de flores e rezar, ler ou fazer uma grande coisa, que é contemplar. Quando a pessoa tem a alma cheia de grandes pensamentos e de verdadeira fé, não fazer nada não é flanar; não é vegetar como um bobo, mas é deixar a memória falar, fazer desfilar as recordações, ir pensando ao sabor do tempo e das associações de imagens. É ir contemplando.

Foi junto à janela de uma hospedagem em Óstia, na Itália, que Santo Agostinho e Santa Mônica, conversando agradavelmente, tiveram um êxtase: o famoso êxtase descrito nas Confissões do grande Doutor da Igreja.

Quem poderia ter êxtase num arranha-céu contemporâneo? Deus pode tudo, até fazer com que num edifício desses alguém entre em estado místico. Mas é preciso reconhecer que o arranha-céu não ajuda em nada para alguém entrar em êxtase.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 10 de fevereiro de 1974.
Sem revisão do autor.

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