Setembro de 2004
O garnisé
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Ambientes, Costumes e Civilizações

O garnisé

Assim como o galo garnisé, há homens que também ignoram sua pequenez

  • Plinio Corrêa de Oliveira

T
ive a oportunidade de assistir a uma briga de garnisés — essa diversão que está fora de moda e proibida por decreto. Enquanto eles não começam a se bicar, o desafio recíproco é um encanto. A briga é um horror, mas o desafio é lindo. Eu seria capaz de ficar uma hora vendo o desafio de uma disputa entre eles, mas nem um minuto assistindo à briga, que consiste numa carnificina horrenda: de repente voa o olho de um, e daí para fora.

Cena de uma briga de garnisés
É mimoso e engraçadinho como os garnisés se tomam a sério. Eles ignoram absolutamente as verdadeiras proporções do universo. Consideram-se o padrão de tudo, tomam aquela briga a sério. A peleja vai por vales e montes, e os garnisés, bravinhos, atacam-se mesmo. Mas o que é propriamente uma gracinha é a prévia provocação recíproca.

Há pessoas que são como os garnisés, constituindo numa cidade, por exemplo, aquela parte contaminada por todas as limitações mentais possíveis. A primeira delas, a mais dolorosa: não percebem que é composta por garnisés, e que nunca deixarão de sê-lo.

O garnisé humano julga que a definição de garnisé é galo pequeno. Mas não é. Há uma intransponibilidade de um para o outro. O garnisé nunca se tornará galo. E isso acontece, por analogia, com certo tipo de homenzinhos.

Há pessoas que têm uma mentalidade tão diminuta, que estão mais ou menos para os homens normais como o garnisé está para o galo.

Os garnisés, em ponto pequenino, fazem tudo quanto o galo faz: o desafio, a briga, etc. Mas toda a sua atuação é tão diminuta, que se tem mais vontade de sorrir — sorrir, aliás, com simpatia — do que tomar a sério a disputa.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em 1º de outubro de 1966. Sem revisão do autor.

 

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