Dois tipos de religiosidade
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Ambientes, Costumes e Civilizações

Dois tipos de religiosidade

Plinio Corrêa de Oliveira

Imagem do Redentor venerada no Santuário de Bom Jesus de Pirapora. Abaixo, detalhe de escultura espanhola, autor desconhecido - Museu do Estado, Amsterdã (Holanda)

A bela imagem de nosso Redentor apresentada à [esquerda, etc.] venerada no conhecido Santuário do Bom Jesus de Pirapora (SP), exprime bem o estilo de religiosidade brasileira. Não entra nessa afirmação qualquer conotação nacionalista, mas digo isso em outro sentido.

Assim como a cada pessoa, individualmente, a Providência Divina concede graças especiais, muitas vezes Ela o faz também a uma nação. E o estilo dessa imagem é o que procura comover o fiel pelo doce olhar de Nosso Senhor Jesus Cristo; ao mesmo tempo em que Ele sofre por nós, Ele nos ama e perdoa.

Durante a Paixão, São Pedro havia negado o Divino Salvador três vezes. Mas um só olhar do Redentor da humanidade, cheio de amor e compaixão, comoveu o Príncipe dos Apóstolos e o modificou inteiramente.

O povo brasileiro, que é dotado de um temperamento muito afetivo, pode sensibilizar-se pela manifestação de um carinho desinteressado, do amor que se dedica sem esperar retribuição, por mera bondade. Ao brasileiro tal manifestação de dileção toca especialmente.

Essa forma de sensibilidade difere da religiosidade dos povos ibéricos. O estilo de piedade espanhol, por exemplo, é um tanto distinto.

Qual é a diferença? A meu ver, ela reside num matiz.

Mas, em se tratando de Nosso Senhor, os matizes são muito importantes.

Nas imagens da Paixão esculpidas na Espanha, há uma nota de tragédia. Nosso Senhor exprime um estado de luta contra a dor, como que num combate contra Sua natureza humana, revelando suportar imenso sofrimento. E as disposições de Nosso Salvador em relação a Deus Padre, expressas na frase - "Faça-se a Vossa vontade e não a Minha" - manifesta, com propriedade, certos traços da alma hispânica.

Tal atitude não corresponde bem à posição de alma -- mais doce -- do brasileiro...

Enfim, Deus atrai alguns homens de uma maneira, e outros de modo diverso. Mas, apesar dos matizes dissemelhantes, somos todos filhos do mesmo Criador.

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira
para sócios e cooperadores da TFP em 14 de abril de 1987.
Sem revisão do autor.


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