A parábola do joio
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Historia Sagrada

A parábola do joio

"Propôs-lhes outra parábola: o reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio o seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e começou a granar, apareceu também o joio. Os servos do proprietário foram procurá-lo e lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Como então está cheio de joio? Ao que este respondeu: um inimigo é que fez isto. Os servos perguntaram-lhe: Queres, então, que vamos arrancá-lo? Ele respondeu: Não, para não acontecer que, ao arrancar o joio, com ele arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; em seguida, recolhei o trigo no meu celeiro" (Mt, 13, 24-30).

"Quando os herejes têm mais liberdade, então soltam o veneno"

Comentários extraídos da "Catena Aurea" de Santo Tomás de Aquino (1)

São João Crisóstomo - Na parábola anterior, o Senhor falou daqueles que não recebem os ensinamentos de Deus, e agora fala daqueles que os recebem de modo alterado, porque é próprio do demônio misturar o erro com a verdade.

Apresenta-nos as ciladas do demônio, dizendo: "E, enquanto dormiam os homens, veio seu inimigo e semeou joio no meio do trigo, e se foi". Com estas palavras nos faz ver que o erro vem depois da verdade, coisa demonstrada pela experiência. Assim, depois dos profetas vieram os falsos profetas; depois dos apóstolos, os falsos apóstolos, e depois de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Anticristo. Porque o diabo não se esforça em tentar, se não vê o que imitar e a quem estender os seus laços. Haja vista, pois, que a semente frutifica, às vezes a cem por um, outras vezes sessenta, e outras trinta, e que ele não pode arrebatar nem sufocar aquela que tem boas raízes. Por isso ele se vale de outro estratagema, confundindo sua própria semente. Ou seja, revestindo suas obras com cores e semelhanças que surpreendem os que se deixam enganar com facilidade. Por isso não disse Nosso Senhor que "um inimigo" semeou uma semente qualquer, mas o joio, que é muito parecida, ao menos na aparência, com a semente do semeador. Tal é a malícia do demônio: semeia quando já nasceu a semente, para desta maneira causar mais danos aos interesses do agricultor.

Nas seguintes linhas descreve, perfeitamente, a marcha dos herejes: "E depois que cresceu a erva e deu fruto, apareceu então o joio". No princípio os herejes não aparecem às claras. Mas quando têm mais liberdade e outros participam de seu erro, então soltam o veneno.

São Jerônimo - Parece que Nosso Senhor contradiz aquele preceito (1 Cor 5): "Tirai do meio de vós o mau". Porque, efetivamente, se se proíbe arrancar o joio e se manda conservá-lo até a colheita, de que modo se há de tirar do meio de nós certos homens? Mas não há, ou é muito pouca, a diferença entre o trigo e o joio, que, quando ainda está em estado de erva e seu talo não contém espigas, é muito parecido com o trigo. Por esta razão Nosso Senhor nos adverte para, sem um exame minucioso, não darmos crédito a coisas duvidosas; devemos deixá-las, a fim de que o Senhor lance fora dos santos no dia do juízo, não os suspeitos de crimes, mas os que, então, serão bem manifestos.

Rábano - É de se notar que, quando disse "semeou boa semente", significa a boa vontade dos eleitos. E nas palavras "veio o inimigo", quis intimar-nos à cautela que devemos ter. E quando acrescentou "um inimigo fez isto", recomendou-nos a paciência. Nas palavras "para não acontecer que..." nos deu um exemplo de discrição. E quando acrescentou "deixai-os crescer juntos até a colheita", recomendou-nos a magnanimidade. E, por último, a justiça, quando disse: "atai-o em feixes para queimar".

Comentário do Pe. Luís Cláudio Fillion

Antes de madurar, o joio não se distingue do trigo

A cizânia, também conhecida como joio, que se encontra com freqüência nos trigais da Palestina, produz grãos muito parecidos com os do trigo, mas menores, e em geral de cor marrom. Misturados com o pão em certa quantidade, produz vertigens e convulsões, circunstância que aumenta o crime do "inimigo". Num primeiro período de crescimento, não difere do trigo, de modo que até os mais experimentados mal a distinguem. Mas, quando aparece a espiga, saindo do talo, até as crianças distinguiriam facilmente as duas plantas. Razão pela qual a separação se pode fazer com mais facilidade no tempo da colheita (2).

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Notas

1 - Santo Tomás de Aquino, Catena Aurea, Cursos de Cultura Catolica, Vol. I, Buenos Aires, 1948.

2 - Pe. Luiz Claudio Fillion, Nuestro Señor Jesucristo según los Evangelios, Ed. Difusión, p. 166, Buenos Aires, 1962.

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