Junho de 1998
Santo Sudário: a ciência oscula a Fé
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Santo Sudário:
a ciência oscula a Fé

A Sagrada mortalha de Jesus Cristo, diversas vezes salva da destruição, é glorificada às vésperas do terceiro milênio.

Diogo Waki


Há 100 anos, em 1898, um devoto do Santo Sudário, o advogado italiano Secondo Pia, não imaginava que um simples e despretensioso gesto seu iria mudar substancialmente a história daquela sagrada relíquia.

Sendo fotógrafo amador, foi ele quem pela primeira vez fotografou o venerável tecido durante uma exposição pública, no período de 25 a 28 de maio daquele ano. Qual não foi sua surpresa ao constatar, quando revelou o filme, ter aparecido no negativo a figura de Nosso Senhor Jesus Cristo, imperceptível na observação direta do pano.

Diante desse acontecimento, o Santo Sudário saiu do quase anonimato, a que estava reduzido, para a glória. A descoberta foi considerada como "a revelação de fim de século", reacendendo o antigo fervor na devoção ao Sagrado Linho.

O advogado Secondo Pia, primeiro fotógrafo do Santo Sudário

Esta devoção, até então apenas popular, passou a ser um verdadeiro desafio à ciência. Pesquisadores dos mais diversos países acorreram a Turim e debruçaram-se sobre o misterioso lençol para tentar decifrar o seu enigma.

Afinal, qual a origem daquele tecido? O que ele representava? Como foi estampada aquela figura na foto?

Para a piedade católica, porém, não havia dúvidas. Aquela imagem impressa no negativo era a prova mais evidente da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. E por isso a relíquia era digna de toda veneração.






Médico católico demonstra: é Nosso Senhor Jesus Cristo


O cofrezinho que foi utilizado no transporte do Sudário de Chambéry a Turim

O primeiro estudo sobre o Sudário que se tornou público foi a análise médico-científica feita pelo Dr. Pierre Barbet, em 1932. As conclusões, descritas no livro A paixão de Cristo segundo o cirurgião (Ed. Loyola, São Paulo, 1976), foram impressionantes:

- na face havia sinais de contusões, o nariz estava fraturado e a cartilagem descolada do osso;

- no corpo foram contados 120 sinais de golpes de açoite, produzidos por dois flageladores, um de cada lado da vítima;

- o flagelo utilizado foi o que se usava no Império Romano, composto de duas ou três correias de couro, terminando em pequenos ossos de pontas agudas, ou em pequenas travas de chumbo com duas bolas nas extremidades;

- duas chagas marcavam o ombro direito e o omoplata esquerdo;

- o peito muito saliente denotava a terrível asfixia suportada durante a agonia;

- os pulsos apareciam perfurados, tendo o prego perfurante secionado em parte o nervo mediano, fazendo contrair o polegar para dentro da palma da mão;

- pela curvatura das pernas e as perfurações nos pés, tem-se a nítida impressão de que o esquerdo foi sobreposto ao direito e presos ao madeiro por um único prego;

- os dois joelhos estavam chagados;

- havia um sinal de sangramento, produzido por grande ferida, no lado direito do tórax;

- por fim, havia 50 perfurações na fronte, cabeça e nuca, compatíveis com uma coroação de espinhos...

Não havia mais dúvidas! (1)

Era uma constatação científica, totalmente coerente com a descrição evangélica da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tratava-se realmente do Santo Sudário que envolvera o corpo do Redentor, quando este foi descido da cruz para ser sepultado.

Como São Tomé, a ciência "meteu a mão no lado" do Sudário

Em 1978, cientistas norte-americanos submeteram o Sudário a uma série de acurados exames

Mas os céticos, ateus e materialistas não podiam concordar. Não teriam sido aqueles sinais sobre o pano pintados por algum hábil falsificador para que os homens cressem tratar-se de Jesus Cristo?

A Santa Igreja não teme a ciência. Pelo contrário, abre possibilidades para que ela, usando seus métodos de pesquisa e análise, diga o que lhe compete para comprovar a veracidade de um fato ou a autenticidade de um objeto.

Assim como São Tomé só acreditou na Ressurreição de Nosso Senhor quando meteu o dedo no lugar dos cravos e a mão na chaga aberta pela lança, o mesmo aconteceu com a ciência a propósito do Santo Sudário.

Partindo da hipótese de que poderia ser uma falsidade, os cientistas ocuparam-se em estudá-lo. E a cada progresso nas pesquisas, novas maravilhas foram sendo descobertas.

Em 1959 foi fundado o Centro Internacional de Sindonologia em Turim.

Nos Estados Unidos, formou-se um grupo de investigação denominado Projeto de Pesquisa do Sudário de Turim (STURP). Em 1978 uma equipe de cientistas desse grupo efetuou uma série de exames num total de 120 horas.(2) Dentre os vários testes aplicados, cumpre destacar fotos e microscopia eletrônica, raio-X, espectroscopia, fluorescência ultravioleta, termografia e análises químicas.(3)

Os resultados dos exames laboratoriais demonstraram que o desenho que aparecia no pano não poderia ter sido feito por mãos humanas e que não se tratava de uma pintura.

As manchas de sangue marcaram o tecido de modo diverso do que seriam as produzidas por um cadáver comum. Quando a impressão se produziu, tudo leva a crer que o tecido não estava comprimido pela pressão do corpo. Tratava-se realmente de sangue humano, de tipo sangüíneo AB. (4)

Um criminologista e botânico suíço, Max Frei, identificou células de pólen de quarenta e nove plantas diferentes presentes no tecido, sendo algumas delas européias e trinta e três originárias da Palestina e da Turquia. Este fato confirma o percurso do Santo Sudário de Jerusalém a Turim nos seus vinte séculos de existência. (5)

Dois físicos da Força Aérea norte-americana notaram a presença de objetos circulares colocados sobre os olhos e levantaram a hipótese de que fossem moedas. Francis Filas, professor da Universidade Loyola, de Chicago, comprovou por análise de computador que se tratavam realmente de moedas de Pôncio Pilatos, cunhadas entre os anos 29 e 32 de nossa era. Estudos arqueológicos em cemitérios judaicos confirmam que os judeus no primeiro século costumavam colocar moedas sobre os olhos dos mortos para manter as pálpebras cerradas. (6)

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