Fevereiro de 2005
Para a esquerda brasileira e internacional qualquer coisa vale para demolir a livre iniciativa e a propriedade privada
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Carta do Diretor

Paulo Corrêa de Brito Filho
Caro leitor,

Relatando a um amigo o projeto que, de forma subreptícia, está em andamento no Congresso Nacional (Proposta de Emenda Constitucional — PEC 438/01), visando expropriar, sumariamente e sem qualquer indenização, terras ou imóveis urbanos cujos proprietários venham a ser qualificados como exploradores do “trabalho escravo”, ele exclamou: “Só faltava essa!”.

De fato, ele tinha razão, pois qualquer coisa se inventa para denegrir, debilitar e até extinguir o direito de propriedade, bem como prejudicar os produtores rurais e urbanos.

O que é esse “trabalho escravo”, segundo a tal proposta de Emenda Constitucional?

É uma figura jurídica vaga, ambígua e “elástica”, “fabricada” por certa esquerda, com forte carga emocional e própria a chocar o público. E caso a PEC venha a ser aprovada, prejudicará enormemente o Brasil, pois parece feita para atingir primeiramente o setor mais dinâmico da economia nacional, o agronegócio. Não apenas os proprietários seriam lesados, mas também os trabalhadores, uma vez que os primeiros deixariam de empregar em larga escala, pelo receio de serem tachados de “escravocratas”, perderem seus bens e até serem presos.

Depois dessa acusação indefinida e malsã de “escravocrata”, o que mais se inventará? Para a esquerda brasileira e internacional — estando nela incluída a esquerda católica, especialmente a CPT, o MST, certas ONGs, o Fórum Social Mundial de Porto Alegre e congêneres — qualquer coisa vale para demolir a livre iniciativa e a propriedade privada, valores constitutivos de qualquer sociedade justa na qual reine a harmonia entre patrões e empregados. Tal demolição visa a implantação no Brasil de uma sociedade igualitária e miserabilista do tipo cubano — o grande sonho de muitos membros do PT e dos assim chamados teólogos da libertação.

Desmascarando essa nova artimanha da esquerda, foi lançado o livro-reportagem Trabalho escravo, nova arma contra a propriedade privada, de autoria do jornalista Nelson Ramos Barretto, colaborador da Associação dos Fundadores da TFP — Tradição Família Propriedade. Catolicismo solicitou ao autor uma síntese do livro, e a publicamos como matéria de capa desta edição, a fim de auxiliar nossos leitores a tomar conhecimento dessa ardilosa manobra.

Tal publicação visa também despertar muitos proprietários da inexplicável anestesia e indiferença em que se encontram face às ameaças que circundam seus direitos. Se perdurar essa inação psicológica das cúpulas agrárias, é de se temer que prontamente a PEC será aprovada, e com ela o socialismo agrário dará um passo gigante. Os dirigentes do MST terão, com isso, um novo pretexto para intensificar ainda mais os conflitos no campo e nas cidades, “descobrindo” ou forjando novos “escravos”.

Unamos nossos esforços para impedir a aprovação dessa danosa reforma constitucional e mobilizemo-nos na defesa do direito de propriedade e da livre iniciativa em nosso País. Caso contrário, poderá ocorrer um imenso tsunami agrário, varrendo as propriedades no campo e nas cidades, o que impulsionará o Brasil na senda da cubanização.

Desejo a todos uma boa leitura.

Em Jesus e Maria,

Paulo Corrêa de Brito Filho
Diretor

paulobrito@catolicismo.com.br

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