Julho de 2016
Nada justifica o aborto provocado
Por que Nossa Senhora Chora?

Nada justifica o aborto provocado

Os jornais brasileiros, bem como as televisões, rádios e internet noticiaram abundantemente, dias a fio, o caso de uma adolescente, no Rio de Janeiro, frequentadora de bailes funk e usuária de drogas, que sofreu um estupro coletivo em 21 de maio último. Algumas notícias falam em 30 agressores, outras, mais modestamente, dizem tratar-se de 3 ou 4. No momento em que escrevemos, os fatos ainda não estão inteiramente elucidados.

Seja como for, e em que condições for, o estupro é sempre condenável e os fautores desse crime devem ser punidos. Até aí, nada de novo.

Mas o que pareceu estranho foi a avalanche de notícias, comentários, cartas etc. que esse fato reprovável ocasionou. E grande parte deles tinha um mal disfarçado fim: defender a prática do aborto em casos de estupro, como se um crime justificasse outro!

Mas a onda propagandista foi ainda mais longe, pedindo que fossem ampliados os casos em que o aborto não é penalizado – e não apenas quando ocorre estupro.

A impressão que fica é de que o tal estupro coletivo – altamente condenável, repetimos – foi utilizado como ocasião pela corrente abortista para fazer sua propaganda malévola, mais preocupados estavam seus componentes em propagar a interrupção voluntária da gravidez, do que em condenar o pecado de estupro.

*        *        *

A pressão do lobby que propugna a matança de inocentes no seio materno vai tão longe que busca forçar mudanças de posição até em representantes de setores públicos. Compare o leitor estas as notícias abaixo.

* “Apresentada nesta terça-feira, 31, como a nova gestora da Secretaria de Políticas para Mulheres, a ex-deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP) é evangélica e não concorda com a descriminalização do aborto. Ela já se manifestou contra o procedimento inclusive em casos de estupro”. (“O Estado de S. Paulo”, 31-5-2016)

* Depois disso, houve grande pressão do lobby abortista. No dia seguinte: “A secretária de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes, emitiu uma nota nesta quarta-feira (1) defendendo o direito de aborto para mulheres que engravidaram após serem estupradas. O conteúdo da nota representa um recuo de Pelaes que, quando era deputada federal, havia se manifestado contra o direito de aborto para vítimas de estupro. (“UOL Notícias”, 1º/6/2016)

*        *        *

O Catecismo da Igreja Católica é bem claro:

“2270.A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção” [...]

“2271.A Igreja afirmou, desde o século I, a malícia moral de todo o aborto provocado. E esta doutrina não mudou. Continua invariável. O aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral [...]

“2272.A colaboração formal num aborto constitui falta grave. A Igreja pune com a pena canônica da excomunhão este delito contra a vida humana”.

Diante de tantas pressões abortistas e tantas concessões, como pode Nossa Senhora não chorar?

A propósito, convém lembrar a frase do Profeta Isaías: O Senhor chamou-me desde o útero, e do ventre da minha mãe chamou-me pelo meu nome”(Is 49,1).