Julho de 2016
A morte de stalin, a vitória de Deus
Ambientes, Costumes e Civilizações

A morte de Stalin — a vitória de Deus

      Plinio Corrêa de Oliveira

Há uma narração da morte de Stalin, redigida por sua própria filha, que é muito bem feita.

Ponham diante dos olhos as vastidões do Kremlin. Misteriosa fortaleza-palácio, inteiramente murada, em Moscou. Dentro dela, mais um drama se desenrola: a morte do ditador Stalin. Um homem devasso, que está expirando.

A inevitável doença, ou envenenamento, que atinge determinado paroxismo e que produz o estraçalhamento, a dilaceração: a alma está se separando do corpo. Stalin encontra-se impotente, mas seu organismo poderoso luta contra a morte.

Mas, apesar dessa reação — uma espécie de fúria selvagem e de poder biológico e psicológico —, a morte vai prostrando o ditador. Ele vai sendo estraçalhado e reagindo com uma impetuosidade, uma força de resistência maior à medida que vai notando que os golpes da morte vão se abatendo sobre ele.

Constata-se, porém, que Stalin morre longe da graça de Deus. Nada há nada que externe a ideia de religião. A vida dele foi de um ateu e de um propugnador do ateísmo. De um homem que, ainda que se às ocultas, acreditasse em Deus, de tal maneira ofendeu o Criador, que é de se presumir que tenha caído no pecado de desespero, ou no pecado da negação da existência de Deus.

Portanto, morrendo com ódio, desesperado. Sua reação é vã, o ar vai faltando, sua natureza está minada por todos os lados. Em certo momento, o ditador percebe a situação em que se encontra. Ele, que não tinha feito outra coisa na vida a não ser governar pelo terror, impulsionado pela força do ódio, abre os olhos e — talvez sem dar-se bem conta do que estava acontecendo, considerando-se envenenado ou vítima de uma conspiração — fita todos os presentes no local com um olhar terrível; e, sentindo confusamente que estava sendo derrotado, procura ainda reagir.

A seguir, levanta o braço num gesto de ameaça — a única coisa que ele sabia fazer. Pouco depois, Deus chama sua alma para julgamento. O braço cai, ele não é senão um cadáver.

O homem que passou a vida inteira odiando, e que havia governado com brutalidade, verga, quebra, rui. Sobrevém a placidez do cadáver.

Para uma pessoa que sabe interpretar essas cenas com os olhos da fé, uma só coisa constata como epílogo: a vitória de Deus!

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 13 de janeiro de 1975. Sem revisão do autor.