Junho de 1998
Socialismo requentado
Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão
Destaque

Socialismo requentado

 
Aproveitando a fase de prestígio, o trabalhista Tony Blair, primeiro-ministro britânico propôs uma Terceira Via que, na prática, não passa de um socialismo requentado

Tony Blair, primeiro-ministro da Inglaterra, vive um momento de popularidade. Está com a mesma aura de prestígio que cercou Felipe Gonzalez, quando este assumiu o Governo espanhol em 1982. O que Felipe Gonzalez foi pra o início dos anos 80, Tony Blair é para o fim dos anos 90. Tem propostas coruscantes e indeterminadas, é loquaz, apresenta-se bem apessoado e com família simpática, manifesta-se descrente dos velhos slogans do coletivismo socialista.

Ele aproveitou-se da maré a seu favor para pôr em circulaçäo uma idéia aliciante, ainda que imprecisa. Para ele, uma perspectiva excitante que oferece grandes esperanças: quer uma nova Internacional que englobe partidos de centro-esquerda de fisionomia renovada. Chama a isso de Terceira Via, um espaço entre a velha esquerda e a nova direita. Gostaria de ter como companheiros da empreitada os Presidentes Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso.

O primeiro mandatário brasileiro näo se manifestou muito entusiasmado com a iniciativa. Foi evasivo. Comentou que as vias säo várias. Näo apenas três...

Tony Blair pretende uma ofensiva ideológica contra o liberalismo, para reparar os danos que a desmoralizaçäo do coletivismo estatal e do Bem-Estar Social sofreram nos últimos anos, quando o socialismo, para atrair e ser factível, recorreu às receitas de seus antigos adversários: diminuiçäo do papel do Estado, privatizaçäo, reforço da propriedade privada e da livre iniciativa, mercado livre.

Suas propostas säo vagas. Advoga uma uniäo dos valores históricos da esquerda com economia de mercado e coesäo social. Quer redes sociais e comunitárias fortes. O que incumbia antes ao Poder Público no socialismo estatal caberia agora às tais redes. Daräo conta do recado?

Näo daräo. Só uma sociedade fortemente baseada na família teria condiçöes de assumir tarefas de segurança, proteçäo e educaçäo, hoje cuidadas - mal e insuficientemente - pelo Estado. E isso se a família estivesse em seu estado de normalidade, moralizada e protegida pelas leis.

Ora, a proposta neo-socialista neste ponto vai em rumo oposto. É permissivista, pretende legalizar costumes que agridem, desagregam e destroem a instituiçäo familiar. Torna inviável uma sociedade que possa cuidar efetivamente dos seus problemas. É utópica.

Na prática, o que estamos vendo nada mais é do que um socialismo requentado. Traz em si os germes que causaram o fracasso das incontáveis experiências socialistas anteriores. Mas os socialistas de todos os matizes näo aprendem. Näo gostam da realidade, apesar de serem agredidos por ela...

Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão