Junho de 2002
O fazendeiro patriarcal
Excertos

O fazendeiro patriarcal

O que beneficia os trabalhadores é a harmonia entre patrões e empregados, e não aluta de classes instigada no campo pelo agro-reformismo demagógico e confiscatório

Salta aos olhos que o MST não tem como meta a redistribuição de terras em favor daqueles que não a possuem, mas sim a utilização da Reforma Agrária como instrumento de luta de classes, visando "cubanizar" o País mediante invasões de terras.

Fica também cada vez mais evidente que a solução para a população rural não consiste na mera distribuição de lotes a "sem terra", mas em criar condições para que o proprietário possa manter na zona rural as famílias de camponeses, auxiliá-las a prosperar e voltar a empregar no campo aqueles que migraram para as cidades.

Plinio Corrêa de Oliveira, no best-seller Reforma Agrária — Questão de Consciência (1960), descreve com acerto essa missão do fazendeiro como uma espécie de pai bondoso do colono:

O fazendeiro na tradição brasileira

"Senhor de terras adquiridas pelo trabalho árduo e honrado ou por uma legítima sucessão hereditária, [o fazendeiro] não se contentava em tirar delas, preguiçosamente, o estrito necessário para sua subsistência e a dos seus. Pelo contrário, movido por um nobre anseio de crescente bem-estar e ascensão cultural, aspirava ele ao pleno aproveitamento da fonte de riqueza que tinha em mãos. Para isto, franqueava suas terras largamente às famílias de trabalhadores braçais que, vindos de todos os quadrantes do Brasil e das mais variadas regiões do mundo, procuravam no campo as condições de uma existência honesta e segura. Dedicado de sol a sol à direção da faina rural, o proprietário, associado assim aos trabalhadores braçais na tarefa de tirar do solo recursos de que um e outros iam viver, era verdadeiramente o "pater", o "patrão" de cujos bens e de cuja atuação todos recebiam alimento, teto, roupa e meios de poupança, na medida da situação e da cooperação de cada qual.

E, como as relações de trabalho, quando bem entendidas, não ficam só em seu âmbito mais restrito, mas naturalmente criam compreensão, estima e mútuo apoio nas várias necessidades da vida, a harmonia entre o fazendeiro e o colono criava, freqüentemente, o hábito de este se aconselhar com aquele, recebendo proteção e amparo nos mais diversos assuntos; como, de outro lado, gerava no trabalhador uma dedicação por vezes heróica a seu patrão. É este um dos mais típicos e luminosos elementos de nossa tradição em matéria de relações de trabalho".