Junho de 2002
O adeus à Rainha Mãe
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Tradição

O adeus à Rainha Mãe

Paul Folley

A Inglaterra parou para o derradeiro adeus à figura mais popular da Monarquia inglesa, e o mundo todo pôde assistir às comoventes homenagens de seus súditos. Para os britânicos ela representava a Tradição!

O Rei George VI e a Rainha Elisabeth examinam os estragos causados no Palácio de Buckingham pelo bombardeio alemão, em setembro de 1940

Londres — O mundo inteiro reconhece a grande perda sofrida pela Inglaterra, devido à morte da Rainha Mãe com seus respeitabilíssimos 101 anos de idade. Embora esperada para qualquer momento há mais de 20 anos, tal perda representou um profundo golpe quando, afinal, ocorreu. O que se lamenta não é tanto sua morte, mas o desaparecimento do que ela representou.

É paradoxal que uma grande dama no velho estilo, sem conhecimentos tecnológicos nem atuação empresarial, sem liderança política nem posição de mando, significasse tanto para todos nós. Por que ela inspirava tanto respeito, admiração e popularidade?

A Rainha Mãe com seu neto, o Duque de York e as filhas deste, as Princesas Beatriz e Eugênia

Rainha que une seu povo na adversidade

Certamente seu papel durante a Segunda Guerra Mundial, permanecendo em Londres, mesmo durante os bombardeios nazistas, e incentivando com seu nobre exemplo os líderes sociais e políticos, foi decisivo para a união de esforços que a situação exigia, a ponto de Hitler considerá-la seu pior inimigo na Inglaterra.

O féretro da Rainha Mãe na capela ardente do Westminster Hall

Certamente seu apoio aos líderes políticos e militares durante a guerra e seu amparo moral ao próprio Rei representaram muito para o resultado final do conflito.

Certamente os sacrifícios que a família real assumiu durante a guerra — alimentando-se parcamente como quaisquer outros, e dormindo nos próprios trens em que viajavam pelo país para reconfortar seus súditos e encorajar a resistência ao inimigo, evitando assim incômodos à população — representaram muito para a estima geral que todos tinham por ela.

Cortejo com o féretro dirige-se para a Abadia de Westminster

Rainha-símbolo de valores tradicionais

Porém, muito mais do que tudo isso — que já é muito — ela era admirada pelos valores que representava. Nas décadas que se seguiram ao fim da guerra, quando os valores e estruturas tradicionais sofreram golpes e ataques crescentes, ela tornou-se sua defensora, prestando assim seu maior serviço à nação. Sua preferência pelos valores perenes, ao invés dos caprichos da moda, era um constante ponto de atrito com outros. Ela tornou-se o símbolo da dignidade, num mundo em que a vulgaridade e a superficialidade predominam. Tais qualidades dessa "grand lady" serviram para inspirar e elevar toda a nação.

Populares externam sua tristeza ao assistir a passagem do cortejo fúnebre

De acordo com o autor do afamado livro Majesty, Robert Lacey, "se há uma lição que a nova geração da família real pode aprender com seu exemplo, é a destreza com que ela conseguia contrabalançar as suas preferências com os seus deveres". Esta é uma característica das almas nobres.

A família real durante uma das leituras na Abadia de Westminster

Seu amor à tradição não a tornava, de nenhum modo, insensível. Ela gostava de agradar as pessoas que encontrava, fossem grandes ou pequenos. Sem dúvida era uma mulher forte, uma grande Rainha.

Esplendor no enterro da Rainha Mãe: o diamante Koh-i-Noor

Koh-i-Noor, ou Montanha de Luz, é o nome do diamante mais famoso do mundo, e que faz jus ao seu título. Consta que foi extraído das minas de Golconda (sul da Índia) no ano de 1100.

Por volta de sete séculos passou ele entre guerras, rebeliões, matanças e dramas, até a metade do século XIX, quando os britânicos conquistaram a Índia e o levaram para a Inglaterra.

Atualmente essa célebre pedra preciosa com 108,8 quilates, lapidada pelos joalheiros da Casa real inglesa, tornou-se brilhantíssima ao perder 40% de seu volume inicial. Incrustada na coroa real inglesa, como um galardão da monarquia britânica, o diamante acompanhou o cortejo a Westminster Hall sobre o féretro da Rainha Mãe da Inglaterra.

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