Junho de 2002
Santa Germana Cousin: exemplo saliente de resignação
Hagiografia
Santa Germana Cousin

Santa Germana Cousin: exemplo saliente de resignação

Plinio Maria Solimeo

Enjeitada pela família e por seu ambiente, a humilde pastora foi objeto de especial predileção da Providência Divina, que operou assinalados milagres por seu intermédio

O espírito marxista, disseminado em nossos dias, não só leva à luta de classes, mas reflete-se também numa revolta contra a Providência Divina, sob pretexto da injustiça que existiria em relação aos menos favorecidos pela fortuna.

Porém, a multiplicidade daqueles que se santificaram na vida secular — não só no trono imperial, como Santo Henrique e Santa Cunegundes, mas até no estado de mendicância, como Santo Aleixo — comprovam a falsidade do referido espírito marxista. Santa Germana Cousin, cuja festa comemora-se no dia 15 deste mês, é outro exemplo de santificação nas mais adversas condições de fortuna e saúde.

O corpo intacto da Santa foi redescoberto em 1644 na igreja de Santa Maria Madalena, em Pibrac

Corpo incorrupto durante 40 anos

Numa manhã de dezembro de 1644, procedia-se a um enterro na pequena igreja de Pibrac, localizada a algumas léguas de Toulouse. Tratava-se de Germana Audouane, que havia pedido, em testamento, para ser sepultada dentro do recinto sagrado.

Os coveiros apenas haviam tirado as primeiras lajes do solo para cavar a tumba, quando perceberam um corpo enterrado, fresco como se tivesse sido lá colocado na véspera. Um golpe de picareta atingira a face do cadáver, deixando ver uma carne viva e um sangue brilhante.

Enorme comoção. Todo o povoado de Pibrac foi atraído ao local. Desenterrado o corpo, viram que era de uma jovem de pouco mais de 20 anos, cujos membros estavam ainda flexíveis. As flores que a adornavam estavam apenas um pouco murchas, e a mortalha ligeiramente escurecida. No pescoço da jovem viam-se cicatrizes de pequenos tumores, e sua mão direita era deformada.

Quem seria? O vigário não a reconheceu, nem a maioria dos paroquianos. Mas dois dos antigos moradores de Pibrac, Pierre Pailhès e Joana Salères, a identificaram como uma contemporânea sua, Germana Cousin, que havia morrido cerca de 40 anos antes, e de quem, na época, contavam-se fatos maravilhosos.

O corpo foi colocado num caixão, na nave da igreja, para facilitar a visitação pública, pois todos queriam presenciar aquela preservação miraculosa.

Houve uma oposição. Madame de Beauregard, castelã dos arredores, tinha um assento reservado na igreja, onde era incomodada pela proximidade do corpo e afluxo de pessoas. Pediu ela que o removessem para outro local mais afastado. Nem bem se manifestara, sentiu uma pungente dor e o aparecimento de um tumor no peito. O castigo era tanto mais grave pelo fato de Madame de Beauregard estar amamentando uma criança. A castelã prostrou-se então junto ao corpo da humilde pastora e suplicou-lhe a cura, fazendo voto de oferecer à igreja uma urna de chumbo para conter-lhe o corpo. O segundo milagre veio tão rápido quanto o primeiro, o que fez aumentar a fama de santidade de Germana Cousin pelas cidades, vilas e lugarejos da redondeza.

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