Junho de 2002
A Igreja, santa e imortal, prevalecerá
Destaque
Primeira página do comunicado no site da TFP norte-americana

A Igreja, santa e imortal,prevalecerá

Em face dos escândalos — casos de homossexualismo e pedofilia, veiculados "ad nauseam" pela mídia — atingindo sobretudo eclesiásticos dos Estados Unidos, a TFP norte-americana publicou um comunicado a respeito de página inteira na edição de 11-4-2002 do diário "The Washington Times". Abaixo transcrevemos excertos* desse importante e substancioso documento.

Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16,18). A esta primeira promessa, Nosso Senhor acrescentou uma segunda: "Passarão o céu e a terra, mas minhas palavras não passarão" (Mt 24, 35). Dessa forma Jesus Cristo estabeleceu a Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica, garantindo a sua imortalidade com a divina chancela.

A violência da tormenta que atualmente assalta a Igreja derrubaria qualquer instituição humana, não porém a instituição sustentada pelas promessas do próprio Deus. Os inimigos da Igreja tentam com todo o empenho difamá-La e desonrá-La. Atiram-lhe lama e detritos, mas não A conseguem macular".

Traída ignobilmente

[...] Essa é a Igreja Católica hoje. No auge de sua paixão, traída ignobilmente de dentro, atacada ferozmente de fora, nada pode perturbar a sua serenidade. Quando esmorecer esta terrível tormenta, Ela aparecerá novamente radiante e vitoriosa.

Mas, enquanto a tempestade persiste, o sofrimento é intenso e nossa fé é posta à prova. Para nós, católicos, isso significa a chocante constatação de que um elemento hostil, um horrível câncer, cresce dentro do Corpo Místico de Cristo. Estremecemos diante da coexistência pacífica, trágica e contra a natureza, entre o vício e aquilo que é virtuoso e santo.

A existência do homossexualismo na instituição que é a própria alma da pureza e da castidade é deplorável além de qualquer palavra. Igualmente deplorável é o fato de essa coexistência pacífica ter persistido por décadas, devido à imperdoável conivência de Pastores que deveriam ter preferido dar a vida, se necessário, para impedir que esse mal tivesse acesso ao redil [...].

Falamos de homossexualismo, pois, de fato, este é o problema. Todos sabemos a verdade: a vasta maioria dos escândalos ultimamente divulgados são casos de pedofilia, e, portanto, de um particular extravasamento do problema mais geral do homossexualismo. Largos setores da mídia, entretanto, preferem encobrir o homossexualismo e ressaltar a pedofilia.

Essa mesma mídia não tem escrúpulos em desencadear um feroz estrondo publicitário contra a Igreja, sua doutrina e sua moral. Acrescentando o insulto à injúria, ela dá a impressão de que o comportamento criminoso de alguns é a regra geral. Isto constitui uma suprema injustiça para com os padres e religiosos que são fiéis a seus votos. Mais ainda, ela sugere que os escândalos existem por causa do celibato clerical. Empedernidamente indiferente à fé e aos sentimentos de um bilhão de católicos, ela pouco faz para mostrar o outro lado da medalha, em especial a sublimidade do sacerdócio católico, tal como é refletido nos santos ao longo dos tempos".

Cúpula da Basílica de São Pedro, templo simbólico da Santa Igreja

Autodemolição

"Deixemos de lado, entretanto, o ataque externo contra a Igreja e focalizemos o problema mais importante — o interno [...].

O problema do homossexualismo na Igreja não existiria se não fosse a culpável negligência de numerosos pastores e, em alguns casos, a mais condenável das cumplicidades de outros. Há muita coisa a ser corrigida, vigorosa e urgentemente, pelo clero em suas fileiras [...].

Décadas atrás, o Papa Paulo VI advertiu que a fumaça de Satanás tinha penetrado na Igreja(1). Ele também disse que a Igreja estava passando por um misterioso processo de autodemolição(2). Tomamos nós essa advertência a sério? Investigamos esse misterioso processo, seus métodos, e como ele afeta tanto ao clero como aos fiéis? [...]

Essa fumaça de Satanás também espalhou o relativismo intelectual e moral por toda a Igreja. Tal relativismo não poupou nada: a sublime vocação e as pessoas sagradas do sacerdote e do bispo; a atmosfera recolhida e propícia à oração das igrejas; as regras da beleza na arte e na arquitetura das igrejas; a reverência devida à vida religiosa consagrada; as regras da modéstia no vestir, não somente em público mas até mesmo nas igrejas; e tanta coisa mais. Tudo aquilo que elevava as almas dos fiéis, tudo aquilo que os enchia de admiração e veneração pelo sobrenatural foi atingido [...].

Alguns críticos, movidos mais pelas emoções e pela força do hábito do que por um pensamento lógico, negarão esse processo de autodemolição. Infelizmente, a mídia nos traz diariamente os mais palpáveis sinais da continuação desse processo: vendo a Igreja tão duramente sacudida por escândalos, seus inimigos, tanto internos como externos, apressam-se em clamar por mais "reformas". Num aberto desafio ao seu Supremo Magistério, pedem à Igreja a abolição do celibato clerical e a aceitação da ordenação sacerdotal de mulheres, do divórcio, da contracepção, do aborto, e, muito estranhamente, até mesmo do homossexualismo. Isso é exatamente o que a Igreja não pode fazer! Isso seria mais um passo rumo ao abismo do total relativismo".

Voltando atrás

Só há um meio de nos livrarmos do problema no qual estamos imersos, agora que nossos olhos estão abertos: temos de voltar atrás, devemos voltar ao ponto de onde viemos. Somente na totalidade dos ensinamentos da Igreja encontraremos a solução para a presente crise. A Igreja lidou com muitos problemas durante seus dois mil anos de existência, e não é menos capaz de lidar com os de hoje.

A primeira coisa, evidentemente, é rezar.

A segunda é vigiar, como Nosso Senhor mandou. Precisamos aguçar nossa capacidade de vigiar, de prestar atenção para divisar o perigo. Então, quando o perigo aparece — particularmente quando vestido com pele de ovelha — devemos saber como resistir, como julgar as coisas à luz dos princípios católicos. Isso pressupõe um claro entendimento das verdades perenes da Fé e dos imutáveis princípios da moralidade, o que exige estudo. Este retorno ao estudo dos princípios básicos do ensinamento da Igreja reacenderá em nossos corações um ardente amor pelos princípios por tanto tempo erodidos pelo relativismo".

Conclamação ao heroísmo

O terceiro passo é uma verdadeira compreensão da santidade — a luta heróica pela virtude [...].

Para que seja bem sucedida esta viagem de volta à casa paterna, é preciso que ela se torne uma verdadeira cruzada espiritual, com toda a dedicação, sacrifício e zelo manifestados pelos heróis de outrora. Eles responderam à conclamação às armas pelo Bem-aventurado Papa Urbano II em Clermont-Ferrand, quando convocou a Primeira Cruzada, com o reverberante grito de Deus o quer! Deus o quer!

Se esse espírito cruzado arder em nossos peitos, sem dúvida nossos líderes eclesiásticos, certos do nosso entusiástico apoio, enfrentarão corajosamente esse inatacado processo de autodemolição com o indispensável vigor de pastores que defendem seu rebanho contra lobos ferozes".

A Igreja vencerá

Se todos, clero e fiéis, levarem avante as suas respectivas obrigações, com o infalível apoio da Bem-Aventurada Virgem Maria, de São José, seu casto esposo e Protetor da Igreja Universal, dos Anjos e dos Santos, seremos premiados com a visão da Igreja vencendo mais esta batalha. A presente crise não é senão um episódio — talvez o pior — em sua gloriosa história de lutas.

Somos lembrados disso pelo intelectual católico Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, que escreveu em seu fundamental ensaio Revolução e Contra-Revolução: "Alios ego vidi ventos; alias prospexi animo procellas (Já vi outros ventos; já contemplei outras tempestades — Cícero, Familiares, 12, 25, 5), poderia Ela [a Igreja] dizer ufana e tranqüila em meio às tormentas por que passa hoje. A Igreja já lutou em outras terras, com adversários oriundos de outras gentes, e por certo enfrentará ainda, até o fim dos tempos, problemas e inimigos bem diversos dos de hoje"3.

Notas:

*Aqueles que desejem a íntegra desse documento podem obtê-lo no Site da TFP norte-americana: www.tfp.org

1.Cfr. Alocução Resistite fortes in fide, 29 de junho de 1972, in Insegnamenti di Paolo VI, Poliglotta Vaticana, vol. 10, pp. 707-709.

2.Cfr. Alocução aos estudantes do Pontifício Seminário Lombardo, de 7 de dezembro de 1968, in Insegnamenti di Paolo VI, vol. 6, p. 1188.

3.Revolução e Contra-Revolução, Parte II, Cap. XII, 1.