Junho de 2002
TFP repudia peça teatral blasfema baseada em Saramago
Atualidade
Fac-símile do diário carioca "O Globo", de 20/4/2002

TFP repudia peça teatral blasfema baseada em Saramago

Realizou-se no Hotel Glória, Rio de Janeiro, no dia 13 de abril último, o 28º Encontro Regional de Correspondentes-Esclarecedores da TFP e participantes da Campanha Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis!

Ao final do evento, uma resolução dirigida a D. Eusébio Oscar Sheid SCJ, Arcebispo do Rio de Janeiro, foi subscrita por 424 participantes.Tal documento solicita ao Prelado que proteste e atue para que cesse no Rio de Janeiro, ou em qualquer outra cidade do Brasil, a apresentação de uma peça blasfema e imoral, baseada na obra Evangelho segundo Jesus Cristo, de autoria do escritor comunista português José Saramago. A peça estava então em exibição no teatro Villa Lobos, do Rio de Janeiro.

A referida resolução foi entregue, juntamente com carta endereçada ao Prelado, no dia 15 do mesmo mês, no escritório do Sr. Arcebispo do Rio, tendo sido recebida por um funcionário da Mitra Arquidiocesana.

Transcrevemos abaixo o texto, praticamente na íntegra, do oportuno e enérgico documento, o qual bem exprime a indignação, o repúdio e o protesto de fiéis católicos — filhos extremosos da Santa Igreja — diante da ignóbil encenação teatral.

***

Reverente apelo da TFP ao Sr. Arcebispo do Rio de Janeiro

Essa peça [Evangelho segundo Jesus Cristo] transpõe para o teatro a mesma cascata de blasfêmias contidas no livro de idêntico título, de autoria [...] de José Saramago, qualificado em homilia pelo Sr. Arcebispo de Braga (Portugal), D. Eurico Dias Nogueira, como um `ateu confesso e comunista impenitente'.

O ilustre Prelado português considerou esse livro como "uma delirante vida de Cristo", concebida "na perspectiva da [...] ideologia político-religiosa [de Saramago] e distorcida por aqueles parâmetros", o que trouxe como resultado "um livro blasfemo, espezinhador da verdade histórica e difamador dos maiores personagens do Novo Testamento, como Nossa Senhora, São José e os Apóstolos, além de Cristo, o principal visado, e, por isso mesmo, insultuoso para os cristãos crentes: para todos nós."

Em certas circunstâncias, só a descrição crua da realidade consegue provocar o choque salutar. Desde já pedimos perdão a Vossa Excelência por utilizar aqui este recurso.

Segundo Marici Salomão, do Caderno 2 de "O Estado de S. Paulo", a peça mostra "a casa de Maria E OS FILHOS, o bordel de Maria Madalena, a trajetória de um Jesus angustiado, sentenciado por Deus e pelo Diabo ao sofrimento para mostrar aos homens de todos os tempos os conceitos do Bem e do Mal. [...] `Jesus de Saramago não segue o caminho de sua ideologia oficial', sustenta o jovem ator Eriberto Leão —. `Ele sai de casa para se rebelar contra o próprio destino de mártir.' [...] Deus não é tão bom, o Diabo, tão mau. Ambos são `capitalistas' de vidas, agem acordados em prol de um futuro maniqueizado para o homem. [...] Maria Madalena [revela-se] mais prostituta e mulher. [...] Deus [...] ganha um recorte mais humano: é mesquinho, maquiavélico, seu comportamento está tangenciado pelo projeto de poder. Diabo ganha a pele de pastor; parece mais generoso que o próprio Deus (jornal citado, 24/11/2001 - grifos nossos).

Nessa obra teatral — continua o artigo — "Jesus, ao deixar a casa materna, vai ao encontro do autoconhecimento. Trabalha [...] para um Pastor (Diabo) e passa pelos mundanismos de um homem comum. Com Maria de Magdala ..." [o que se segue constitui blasfêmias e imoralidades que não podemos transcrever].

José Saramago

Para se medir em que fonte envenenada tal peça teatral foi beber sua inspiração, Saramago — afrontando a verdade histórica, a fé e o espírito cristão — imagina doentiamente em seu livro um ato sexual de Maria e José, durante o qual Deus Pai misturaria seu sêmen com o de José, e do qual Jesus viria a ser concebido. Blasfêmia e heresia inimagináveis, que contradizem a doutrina da Igreja e afrontam gravissimamente a alma católica!

A virgindade de Maria, imaculada antes, durante e depois do parto, é também escandalosamente negada mediante a afirmação de que ela teve de São José mais oito filhos. Jesus teria sido o primogênito que escapou do anonimato. Ele teria abandonado a casa paterna e conhecido Maria Madalena num bordel, vivendo com ela a partir de então, no mais completo concubinato (cfr. artigo "O quinto evangelista", de Marcelo Rollemberg, em "Isto é Senhor", 6/11/1991).

Para completar a blasfêmia e a heresia, o relacionamento de Jesus com o Padre Eterno está longe de ser amistoso. Segundo o já citado artigo de Marcelo Rollemberg, o Jesus de Saramago é cético, cheio de dúvidas, potencialmente um revoltado. E Deus Pai é um vingativo, um colérico, sem paciência com as dúvidas existenciais do Filho. Ao ponto de, pouco antes de morrer na cruz, Jesus afirmar blasfemamente, parafraseando a citação bíblica: "Homens, perdoai-lhe, porque ele [Deus] não sabe o que fez".

Diante dessa torrente de blasfêmias, heresias e injúrias não podemos nos omitir! Não podemos cruzar os braços! Não podemos ficar calados.

Cremos firmemente em Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é o Homem-Deus! E assim o crê um número incontável de brasileiros, os quais sentem-se injuriados quando vêem o seu Deus ser objeto de tanto insulto, desprezo e escárnio.

Como fiéis católicos, é natural, pois, que, suplicantes, levantemos os olhos para o nosso Arcebispo. Falai, Senhor Arcebispo! Falai, protestai e atuai para que cesse, no Rio de Janeiro ou em qualquer outra cidade do Brasil, a apresentação dessa peça blasfema, herética e imoral. [...]

É o que respeitosa e filialmente vos pedimos, rogando a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, inspirar a Vossa Excelência, e aos nossos Pastores, palavras de sabedoria e de força no cumprimento de sua sacrossanta missão de velar pelo rebanho e conduzir as almas para Nosso Senhor Jesus Cristo.