Junho de 2002
Quarto Artigo do Credo
Leitura Espiritual
Crucifixão — Duccio di Buoninsegna (1308-11), Museu dell'Opera del Duomo, Siena (Itália)

Quarto Artigo do Credo

"Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado"

O quarto artigo do Credo nos ensina que Jesus Cristo, para remir o mundo com seu precioso Sangue, padeceu sob Pôncio Pilatos, governador da Judéia, e morreu sob o lenho da Cruz, do qual foi descido e depois sepultado.

A palavra padecer exprime todas as penas sofridas por Jesus Cristo em sua Paixão. Ele padeceu como homem unicamente, porque como Deus não podia nem padecer nem morrer.

Quem condenou Jesus Cristo a ser crucificado foi Pôncio Pilatos, governador da Judéia, o qual tinha reconhecido sua inocência; mas cedeu vilmente às insistentes ameaças do povo de Jerusalém.

Jesus Cristo poderia ter-se libertado das mãos dos judeus ou de Pilatos; mas, conhecendo que a vontade de seu Pai Eterno era que Ele padecesse e morresse por nossa salvação, submeteu-se voluntariamente, e até saiu ao encontro de seus inimigos, deixando-se espontaneamente prender e conduzir à morte.

Crucificado no Calvário

Na cruz, Ele orou pelos seus inimigos, deu por Mãe ao discípulo São João — e, na pessoa dele, a todos nós — sua própria Mãe, Maria Santíssima; ofereceu a sua morte em sacrifício, e satisfez à justiça de Deus pelos pecados dos homens.

Não teria bastado que um Anjo viesse satisfazer por nós, porque a ofensa feita a Deus pelo pecado era, sob um certo aspecto, infinita; e, para satisfazê-la, requerer-se-ia uma pessoa que tivesse mérito infinito.

Era necessário que os méritos de Jesus Cristo fossem de um valor infinito porque a majestade de Deus, ofendida pelo pecado, é infinita. Mas não era necessário que Jesus padecesse tanto, porque o mínimo de seus sofrimento teria sido suficiente para a nossa redenção, sendo cada um de seus atos de valor infinito. Todavia, Jesus quis padecer tanto para satisfazer mais abundantemente à justiça divina, a fim de demonstrar mais plenamente seu amor e para nos inspirar o maior horror ao pecado.

À morte de Jesus o sol escureceu, tremeu a terra, abriram-se sepulcros e muitos mortos ressuscitaram.

O corpo de Jesus Cristo foi sepultado num sepulcro novo, cavado na pedra do monte, não longe do lugar onde foi crucificado.

Na morte de Jesus Cristo a divindade não se separou nem do corpo nem da alma, mas somente separou-se a alma do corpo.

Jesus Cristo morreu para salvação de todos os homens e satisfez por todos. Ele expirou por todos, mas nem todos se salvam, porque nem todos O querem reconhecer, nem todos observam sua lei, nem todos se valem dos meios de santificação que Ele deixou.

Textos extraídos do Catechismo Maggiore promulgato da San Pio X, Roma, Tipografia Vaticana, 1905, Edizione Ares, Milano.