Fevereiro de 2006
Nossa Senhora, obra-prima de Deus
Página Mariana

 

Nossa Senhora, obra-prima de Deus

Na origem dos ataques à Santíssima Virgem, constatamos o ódio de seus inimigos à sua superioridade majestosa. O que é causa de alegria para seus devotos constitui motivo de ódio para os maus.

Valdis Grinsteins

Sempre me chamou a atenção a mania dos adeptos de seitas protestantes em atacar Nossa Senhora. Não só eles, mas também comunistas, ateus e outros inimigos declarados ou encobertos da Igreja Católica. Poder-se-ia supor que, por mero interesse tático, eles se absteriam de atacar a Mãe de Deus, para assim poderem afastar das fileiras sagradas da Igreja os incautos. E isso mais especialmente em países como o nosso, nos quais a figura materna é objeto de admiração e respeito. Mas dificilmente conseguem eles cessar suas invectivas. Preferem perder todas as vantagens que lhes traria a camuflagem ideológica, se ficassem calados nesse ponto e atacassem outros. Qual o motivo de conduta tão pouco razoável?

O ódio à superioridade

Pietá – Maestro de Alzira (séc. XVI) – Museu de Belas Artes, Valença (Espanha)
Para entender bem a questão, devemos primeiro analisar por que uma pessoa dominada pelo vício do orgulho não consegue se refrear diante da superioridade evidente de outro.

Quando Deus criou o mundo, decidiu colocar muitas perfeições nestas ou naquelas pessoas, em graus e formas diversos. Convinha à perfeição de Deus que houvesse um ser humano com todas as perfeições possíveis a uma criatura humana. Por que convinha? Porque Deus criou o universo à maneira de uma escada, onde um degrau leva a outro, uma perfeição conduz a outra. E, de degrau em degrau, chega-se ao alto. Alguém deveria ser o degrau superior, como que representar a soma das diversas perfeições dos degraus inferiores. E Deus escolheu, para ocupar tal lugar, justamente aquela criatura que desejou ter como Mãe. Por isso, Ele a fez não só perfeita, mas perfeitíssima.

Para o homem de hoje, subjugado pela obsessão do prazer, isso significa que Ela necessariamente teria todas as vantagens e nenhuma das cruzes atribuídas por Deus ao resto do gênero humano. Entretanto, seria difícil imaginar engano mais completo. Pois Ela também teria que refletir perfeições como a paciência na adversidade, a dignidade no sofrimento, a esperança no socorro divino. Basta pensar que Deus quis d’Ela que assistisse à morte de seu Divino Filho. Numa situação como a da Santíssima Virgem, o normal é que uma mãe sem grande virtude se pusesse a gritar, agredisse alguém, ou simplesmente desmaiasse de dor. Pior ainda, se fosse ímpia, poderia até blasfemar, julgando que Deus lhe pedira um sacrifício demasiado.

Pois bem, a atitude de Nossa Senhora ao pé da Cruz não poderia ser mais admirável e mais conforme à vontade de Deus. E mais dolorosa. Foi a de uma mãe perfeita.

O demônio odeia Nossa Senhora

Devemos ressaltar que no mundo neopaganizado de hoje, quando falamos de perfeição, normalmente as pessoas pensam na perfeição física, mais do que na perfeição moral, esquecendo-se de que a alma vale muitíssimo mais que o corpo. Do ponto de vista físico, basta lembrar que Nossa Senhora não estava sob o jugo do pecado original. Em vista disso, não sofria suas conseqüências, como os achaques da velhice, por exemplo.

Mas o mais importante é o aspecto moral. Pois neste âmbito, diversamente do estrito campo físico, temos a possibilidade de crescer, de ser melhores. Ou de ser piores. Nossa perfeição depende em boa medida de nós mesmos. Não basta receber uma graça, é preciso ser fiel a ela; não basta ter sido dotado de talento, devemos desenvolvê-lo.

E Nossa Senhora, neste ponto, atingiu a perfeição máxima. Não só porque tenha recebido evidentes e inigualáveis graças e talentos, mas porque soube ser fiel a eles e desenvolvê-los ao máximo. Tal esforço, Deus o pediu d’Ela. É verdade que as graças eram superiores, mas a fidelidade a elas era necessária.

E aqui se encontra a razão mais profunda do ódio que o orgulhoso vota ao perfeito: este conseguiu ser fiel às graças, ao passo que o orgulhoso não o foi. E isto torna-se patente por ter ele o vício do orgulho. O orgulhoso não tolera a proclamação do seu fracasso, e o perfeito proclama esse fracasso simplesmente pelo fato de existir. Se não houvesse vitoriosos nessa luta pela virtude, ele não se sentiria humilhado, seria apenas mais um que falhou. Mas, como existem aqueles que triunfaram, a inferioridade deles torna-se óbvia. O demônio foi um anjo, e como tal foi submetido a uma prova, tendo falhado miseravelmente por sua culpa. Entende-se por isso que ele não possa suportar a simples existência de Nossa Senhora, que passou magnífica e vitoriosamente pela prova que lhe foi apresentada.

Superioridade esplendorosa

O que mais irrita as pessoas orgulhosas não é apenas que outro seja superior, mas que tal superioridade seja difundida, reconhecida, elogiada, apresentada como modelo. Talvez lhes fosse suportável uma superioridade que existisse escondida, posta de lado, abafada.

Coroação da Virgem - San Pietro de San Simone (séc. XIV) - Museu de Belas Artes, Valença (Espanha)
Em termos religiosos, os orgulhosos até não têm grande dificuldade em admitir a superioridade de Jesus Cristo, porque Ele, embora sendo verdadeiro homem, é também verdadeiro Deus; e como nós, homens comuns, não podemos ser deuses, isso lhes parece mais tolerável. Mas que alguém que seja simplesmente um ser humano como eles, tenha chegado a um grau de perfeição que eles são incapazes não só de atingir, mas até de conceber inteiramente, isso os deixa fora de si. Por esta razão, não suportam ver ou ouvir falar de Nossa Senhora.

Também nisso comprovam eles como estão longe da perfeição. Toda pessoa de reta intenção gosta de reconhecer o progresso dos outros, não se importando que sejam mais do que ela. Pode ser que uma pessoa não tenha nenhuma capacidade para pintar um quadro. Mas se sua alma está em ordem, fica contente em ver a aptidão e o progresso de outros aos quais esse talento foi concedido. Irritar-se diante da superioridade de Nossa Senhora, como agem tantos protestantes, comprova tão só a deficiência espiritual deles.

Para terminar, basta pensar o que seria o mundo se não houvesse uma criatura perfeita e admirável como Nossa Senhora. Se em todas as criaturas meramente humanas, por melhores que fossem, pudéssemos sempre apontar este ou aquele defeito, faltaria ao conjunto dos homens aquele esplendor de perfeição que Nossa Senhora lhe comunica. Seria como mesa sem verniz, ou um piano ao qual falta uma nota. E o conjunto todo ficaria afetado.

Que Nossa Senhora seja perfeitíssima, só pode alegrar os que preferem a harmonia do conjunto ao interesse próprio. Que Ela ajude a todos nós a compreender e amar isto.