Junho de 2001
Eis o Coração que tanto amou os homens
Excertos

“Eis o Coração que tanto amou os homens” 1

O Papa Clemente XIII instituiu, em 1765, a celebração oficial da festa do Sagrado Coração para todos os países e igrejas que o pedissem. E o Bem-aventurado Pio IX, em 1856, estendeu-a à Igreja universal.

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus praticada por Plinio Corrêa de Oliveira remonta à sua mais tenra infância. Ele contava que, antes mesmo de aprender a pronunciar as palavras papai e mamãe, a senhora sua mãe, a tradicional dama paulista Da. Lucilia Ribeiro dos Santos Corrêa de Oliveira, lhe ensinara — quando lhe perguntassem onde estava Jesus — a apontar para uma piedosa imagem do Sagrado Coração que se encontra num oratório de seu quarto (foto ao lado).

Sendo o corrente mês consagrado ao Sagrado Coração de Jesus, selecio­namos para esta página alguns comentários do Prof. Plinio a respeito do assunto. A dificuldade foi a escolha... eles são muitos!

O texto escolhido foi escrito durante a II Guerra Mundial, precisamente há 60 anos:

O Sagrado Coração de Jesus

“Insistentemente têm os Santos Padres recomendado que a humanidade intensifique o culto que presta ao Sagrado Coração de Jesus, a fim de que, regenerado o homem pela graça de Deus, e compreendendo que deve ser Deus o centro de seus afetos, possa reinar novamente no mundo aquela tranqüilidade da ordem, da qual tanto mais distantes estamos quanto mais o mundo descamba pela anarquia.

Assim, não poderia um jornal católico deixar desapercebida a festa do Sagrado Coração. Não se trata apenas de um dever de piedade imposto pela própria ordem das coisas, mas de um dever que a tragédia contemporânea torna mais tragicamente premente.

Não há quem não se alarme com os extremos de crueldade a que pode chegar o homem contemporâneo. Essa crueldade não se atesta apenas nos campos de batalha. Ela transparece a cada passo, nos grandes e nos pequenos incidentes da vida de todos os dias, através da extraordinária dureza e frieza de coração com que a generalidade das pessoas trata seus semelhantes”.

O coração, símbolo do amor de Deus

“Assim, é só aumentando nos homens o amor de Deus, que se poderá conseguir deles uma profunda compreensão de seus deveres para com o próximo. Combater o egoísmo é tarefa que implica necessariamente em “dilatar os espaços do amor de Deus”, segundo a belíssima frase de Santo Agostinho.

Ora, a festa do Sagrado Coração de Jesus é, por excelência, a festa do amor de Deus. Nela a Igreja nos propõe, como tema de meditação e o alvo de nossas preces, o amor terníssimo e invariável de Deus que, feito homem, morreu por nós. Mostrando-nos o Coração de Jesus a arder de amor, a despeito dos espinhos com que O circundamos por nossas ofensas, a Igreja abre para nós a perspectiva de um perdão misericordioso e largo, de um amor infinito e perfeito, de uma alegria completa e imaculada, que devem constituir o encanto perene da vida espiritual de todos os verdadeiros católicos.

Amemos o Sagrado Coração de Jesus. Esforcemo-nos para que essa devoção triunfe autenticamente em todos os lares, em todos os ambientes, e, sobretudo, em todos os corações. Só assim conseguiremos reformar o homem contemporâneo”.2


Notas:

1. Santa Margarida Maria Alacoque (1647 — 1690) rezava diante do Santíssimo Sacramento, em 1675, quando Nosso Senhor lhe aparece com o Coração à mostra e lhe diz:

“Eis o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-se e consumir-se, para lhes testemunhar seu amor; e por reconhecimento não recebe da maior parte deles senão ingratidões”. (Sainte Marguerite Marie, Sa vie écrite par elle-même, Éditions Saint Paul, Paris, 1947, p. 70).

2. “Legionário”, 22-6-1941.