Junho de 2001
Com a palavra o Diretor
Redação

Com a palavra o Diretor


Amigo leitor,



A observância do 7º mandamento da Lei de Deus — “Não roubarás” — é uma questão muito mais séria e complexa do que o modo como é compreendido pela generalidade dos fiéis. Não diz respeito apenas aos particulares, mas também ao Poder Público. Assim, quando um governo efetua qualquer desapropriação de terra sem respeitar os princípios da moral católica, por exemplo, aplicando uma lei de Reforma Agrária socialista, comete um atentado contra o direito de propriedade privada, violando, em conseqüência, o 7º mandamento do Decálogo.

Essa é a razão capital pela qual os católicos devem se opor à Reforma Agrária de cunho socialista e confiscatório.

Imaginemos, porém, só para argumentar, que tal Reforma fosse uma questão inteiramente alheia à moral católica em outros termos, consistisse num tema meramente opinativo, podendo qualquer católico livremente apoiá-la ou rejeitá-la, sem comprometer com isso a própria salvação. Ainda assim, o estrondoso fracasso da Reforma Agrária no País, do ponto de vista sócio-econômico, seria de sobejo suficiente para que não se continuasse a implantá-la.

A consideração acima exposta fica largamente comprovada na oportuna e candente matéria de capa desta edição. Nela se reproduz, inclusive, a sintomática declaração de um notório esquerdista, o deputado federal Francisco Graziano, ex-presidente do INCRA: “Os números que refletem os resultados da Reforma Agrária são trágicos .... não dá para corrigir os desvios”.

O artigo ressalta uma constante no processo de implantação da Reforma Agrária no Brasil, desde seu início, há quatro décadas: investida contra a propriedade rural. As várias fases desse processo, ostentando rótulos diversos, poderiam ser comparadas às variações em torno de um só tema numa composição musical. Enquanto na música tais variações constituem uma das formas de manifestar o belo artístico, no processo da Reforma Agrária, elas visam encobrir o mesmo sinistro tema: investida contra a propriedade rural.

Parece haver uma pertinácia dos agro-reformistas, incluído o governo, em prosseguir a política de desapropriações para a constituição de novos assentamentos — sistema falido que vem favelizando largas extensões do território nacional. Isso evoca ao espírito dos homens de bom senso o conhecido adágio popular que figura em nossa capa: “Errar é humano, persistir no erro é diabólico”.

Há ainda o absurdo favorecimento do MST. O processo de agitação agro-reformista, executado principalmente por esse movimento, está chegando a um ponto tal, que leva o espírito naturalmente a estabelecer uma analogia cada vez mais próxima entre o MST e os movimentos guerrilheiros da Colômbia e do México.

O artigo faz ainda um breve apanhado da evolução histórica e orgânica do ager brasileiro: das capitanias hereditárias e da colonização ao usucapião... até chegarmos à chamada grilagem atual.

O modo tendencioso como a questão da grilagem está sendo levantada por autoridades públicas e pela mídia coloca-a como a mais recente variação do mencionado monotema agro-reformista. Nesse ritmo, poder-se-á chegar a um novo e corrosivo aforismo jurídico: “Até que se prove o contrário, todo indivíduo é ladrão”...

Caro leitor, as considerações apresentadas acima, por certo, são de molde a prosseguirmos a campanha de esclarecimento do público a respeito da Reforma Agrária no País, e a redobrarmos nossas preces a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, para que vele particularmente pela Terra da Santa Cruz.



Em Jesus e Maria,

Paulo Corrêa de Brito Filho
DIRETOR