Junho de 2013
O Santo e o Imperador
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O Santo e o Imperador

313-2013: dezessete séculos do Edito de Milão, através do qual o Imperador Constantino concedeu liberdade à Igreja, após longa perseguição sangrenta que obrigou os cristãos a se refugiarem nas catacumbas.

Gregorio Vivanco Lopes

A propósito da evocativa comemoração do Edito de Milão, transcrevemos alguns comentários de São Pio X, o grande Pontífice que há um século celebrou os 1.600 anos da libertação da Igreja. Com efeito, no dia 8 de março de 1913, para evocar o aniversario desse magno evento, ele pronunciou memorável discurso aos fiéis reunidos em Roma, do qual extraímos os trechos abaixo.(*)

*        *        *

Em meio aos graves problemas do início do século XX, o santo Pontífice exprime seu ardente desejo “[...] de que retorne aquele tempo no qual se concedia à Igreja poder gozar aquela liberdade que lhe é necessária para exercer frutuosamente o seu ministério para o bem das almas e da sociedade.

Imperador Constantino

 “Pois é bem doloroso ver que, enquanto agradecemos à Divina Providência ter chamado Constantino das trevas da gentilidade para aquela Religião que os seus antecessores, por três séculos, tentaram exterminar, a restituir aos cristãos os bens usurpados, e conceder ao cristianismo plena liberdade religiosa; nós, entretanto, em meio a tão apregoado progresso da civilização e tantas luzes de ciência, temos de reclamar em vão para a Igreja, mesmo de governos cristãos, aquela liberdade que eles mesmos reconhecem, ou deveriam reconhecer, necessária ao desenvolvimento de sua ação sobrenatural nesta Terra.

“A Igreja recebeu de Deus a missão de ensinar, e sua palavra deve chegar ao conhecimento de todos sem obstáculos que a detenham e sem imposições que a freiem. Pois Cristo não disse: a vossa palavra seja apenas para os pobres, os ignorantes, as massas; mas sim para todos sem distinção, porque vós, na ordem espiritual, sois superiores a todo poder soberano na Terra.

“E estes direitos [da Igreja] são tão sagrados que a Igreja sempre se achou no dever de sustentá-los e defendê-los, sabendo bem que, se cedesse só um pouco às pretensões de seus inimigos, não cumpriria o mandato recebido do Céu e cairia na apostasia.

“E disto estão de tal maneira persuadidos nossos próprios adversários, que dizem abrigar à sombra de sua bandeira toda espécie de liberdade; mas de fato a liberdade, ou melhor, a licenciosidade, é para todos, mas não a liberdade para a Igreja. Liberdade para qualquer um de professar o próprio culto, de manifestar o próprio sistema; mas não para o católico.

“Liberdade de ensino, mas sujeito ao monopólio dos governos, que permitem nas escolas a propagação e a defesa de todos os sistemas e de todos os erros; e que proíbem até para as crianças o estudo do Catecismo. Liberdade de imprensa e portanto liberdade ao jornalismo de vituperar as coisas mais sagradas e as pessoas mais veneráveis; mas não ao jornalismo católico que, por defender os direitos da Igreja e propugnar os princípios da verdade e da justiça, deve ser vigiado, chamado ao dever e apontado a todos como contrário às instituições livres e inimigo da pátria.

“Esta, como vós bem sabeis, é a liberdade de que goza a Igreja, mesmo em países católicos! E portanto temos bem razão de encontrar um consolo em vós, que reclamais essa liberdade, lutando por ela no campo de ação que até agora vos é concedido.

“Nesta luta certamente não faltarão dificuldades, aborrecimentos e fadigas: cuidado para não perderdes o ânimo, porque vos sustentará na luta o Senhor, com ajuda abundante e favores celestes”.

 

(*) http://www.vatican.va/holy_father/pius_x/speeches/documents/hf_p-x_spe_19130223_pace-costantino_it.html

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