Julho de 2006
Santo Inácio, General da Contra-Reforma católica
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Santo Inácio de Loyola

General da Contra-Reforma católica, em face da pseudo-Reforma protestante

450 anos transcorreram desde a morte de Santo Inácio, e sua gesta repercute até nossos dias. Dos maiores vultos da humanidade, suscitado pela Providência num dos momentos mais críticos da história da Igreja. Fundou uma milícia “para a maior glória de Deus”, combateu a heresia, conquistou povos pagãos, dilatou o Reino de Cristo por todos os continentes. Modelo exímio para os contra-revolucionários atuais.

Paulo Roberto Campos

Santo Inácio entrega ao Papa Paulo III a “Summa Instituti” (quadro na Igreja do Gesù, em Roma)

Ano jubilar na Companhia de Jesus, pois em 2006 a ínclita Companhia celebra três grandes acontecimentos: os quatro séculos e meio da morte de seu fundador, Santo Inácio de Loyola, em 31 de julho de 1556; os 500 anos do nascimento de São Francisco Xavier, em 7 de abril de 1506(1) e os 500 anos do nascimento do Beato Pedro Fabro –– segundo geral da milícia inaciana –– em 13 de abril de 1506.

Tais centenários não são comemorados apenas na Companhia de Jesus, mas também por todos os católicos autênticos, especialmente aqueles que tomam esses santos jesuítas como modelos de vida.




Brasil, “Terra de Santa Cruz”

Nos cinco continentes, muitas nações devem sua formação católica, em boa medida, à gesta impulsionada por Santo Inácio. Muito especialmente o Brasil. Basta lembrar dois exemplos exponenciais: Nóbrega e Anchieta. Dois filhos espirituais daquele grande santo, que dedicaram suas vidas para que nossa Pátria fosse verdadeiramente “Terra de Santa Cruz”.

O Padre Serafim Leite, S.J., que pode ser considerado o maior historiador da Companhia de Jesus em nossa Pátria, sintetiza nestas palavras o caráter transcendental do trabalho realizado pelos filhos espirituais de Santo Inácio, nos primórdios de nossa história:

“A história da Companhia de Jesus no Brasil, no século XVI, é a própria história da formação do Brasil nos seus elementos catequéticos, morais, espirituais, educativos e em grande parte coloniais”.(2)

Não trataremos aqui de Nóbrega e Anchieta, nem de São Francisco Xavier ou do Beato Pedro Fabro. Para tal seria necessária uma volumosa obra. Trataremos apenas da épica história de Santo Inácio de Loyola, e assim mesmo nos limitaremos a alguns aspectos desse infatigável combatente “Ad Majorem Dei Gloriam” (Para a maior glória de Deus) — lema por ele criado para a sua Companhia de Jesus.

“Dies mali sunt” (Ef 5,16) — “Os dias são maus”. Os males que conturbam a Santa Igreja nestes tempos pós-conciliares não pouparam sequer a milícia inaciana, como o reconhecem até alguns de seus membros. Mas isto não é motivo para que deixemos de nos voltar com admiração para a enorme figura de Santo Inácio e sua monumental obra apostólica, que marcou a fundo a história da Igreja, do Brasil e do mundo.


O Padre Ribadeneyra, principal biógrafo de Santo Inácio, descreve: “O semblante de seu rosto era alegremente grave e gravemente alegre; de maneira que com sua serenidade alegrava aqueles que o miravam, e com sua gravidade os recompunha”..

(Enciclopedia Universal Ilustrada, Espasa-Calpe S.A. Editores, Madrid, Tomo XXVIII [Primeira Parte], 1925, p. 952).



Nobre nascimento de um futuro cruzado

Batismo de Inácio na igreja São Sebastião de Soreasu, em Azpeitia

Um ano antes do descobrimento da América, Iñigo López de Oñaz y Loyola nascia no castelo de Loyola, em Azpeitia, na Biscaia (Espanha). Foi o último dos 13 filhos de D. Beltrán Yanez de Oñaz y Loyola e Da. Marina Sáenz de Licona y Balda. Cresceu no seio de uma família católica, que se orgulhava de seu passado guerreiro e da profunda fidelidade ao rei. Em sua época, reinavam na Espanha os reis católicos, Fernando de Aragão (1452 – 1516) e Isabel de Castela (1451 – 1504).

Aos 16 anos Iñigo (somente quando começou seus estudos em Paris é que passou a chamar-se Ignácio) foi enviado como pajem do nobre cavaleiro Juan Velázquez de Cuéllar, ministro das finanças dos reis católicos, o que lhe permitiu estar em contato contínuo com a corte. Bem dotado física e intelectualmente, o jovem de Loyola "deu-se muito a todos os exercícios das armas, procurando avantajar-se sobre todos seus iguais e alcançar renome de homem valoroso, honra e glória militar".(3) Levava vida prazerosa de cortesão galanteador, ou, como ele mesmo reconhece humildemente, "até os vinte e seis anos fui um homem dado às vaidades do mundo, e principalmente me deleitava no exercício das armas e no vão desejo de ganhar honra”.(4)

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