Julho de 2006
O sacramento da confissão (cont.)
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Leitura Espiritual

O sacramento da confissão (cont.)

Prosseguimos com as considerações extraídas do Catecismo*, que iniciamos na última edição. Nesta parte, o autor insiste especialmente na necessidade da contrição.

Maria Madalena, séc.XVIII – Oficina de Lisboa, Museu Nacional

“Temos arrependimento de nossos pecados quando, de coração, nos pesa tê-los cometido.

Articular apenas com os lábios as palavras do ato de contrição não é ainda ter verdadeiro arrependimento. A contrição deve partir do coração. [...]

Ademais, quem deveras quer fazer uma boa confissão, já por isso dá a conhecer que está arrependido de seus erros. Uma prova segura de verdadeiro arrependimento é um propósito prático e decidido.

Nossa contrição é boa para a confissão, quando:

a) detestamos todos os nossos pecados, ao menos todos os mortais;

b) os detestamos porque por eles ofendemos a Deus;

c) os detestamos tão sinceramente, que nunca mais os queremos cometer.

A contrição é o requisito mais necessário da confissão. Sem contrição não há nunca o perdão de pecados. Deve-se excitar a contrição antes da confissão, ou ao menos antes da absolvição.

Quem não tiver de confessar senão pecados veniais, procure sempre arrepender-se de pecados graves da vida passada, incluindo-os na confissão. Assim a contrição se torna mais certa, mais fácil e eficaz.

Para a validade da confissão [do ponto de vista da contrição], é suficiente a contrição excitada pelo temor dos castigos divinos; mas também nos havemos de empenhar em arrepender-nos de nossos pecados por amor de Deus infinitamente bom, nosso supremo Benfeitor e amabilíssimo Pai.

O bom propósito é a vontade firme de emendar a vida, e de nunca mais pecar. O propósito é bom quando estamos firmemente resolvidos:

a) a evitar todos os pecados, ou ao menos todos os pecados mortais;

b) a fugir das ocasiões próximas de pecar, e a empregar os necessários meios de emenda;

c) a cumprir a penitência imposta, e a reparar os danos causados. [...]

Por ocasião próxima de pecado entende-se tudo que nos possa provavelmente induzir a cair em pecado, podendo ser, por exemplo, uma pessoa, uma companhia, uma diversão, um livro, etc. “Quem ama o perigo, nele perecerá” (Ecli. 3, 27).

Que pecados se devem confessar?

Todos os pecados mortais de que nos lembramos, indicando o número de vezes que foram cometidos, bem como as circunstâncias mais importantes.

Em toda confissão é necessário acusar coisa que seja realmente pecado. [...]

As circunstâncias que, por sua importância, convém declarar na confissão:

a) as que tornam mortal um pecado em si venial (p. ex., furto de um objeto de grande valor, grave dano);

b) as que mudam a espécie de um pecado mortal (p. ex., pecado contra a pureza, cometido por pessoa ligada pelo voto da castidade).

Depois da confissão devemos agradecer a Deus, renovar o propósito já feito, especialmente o de fugir das ocasiões de pecado, e cumprir imediatamente, sendo possível, a penitência imposta”.

___________

Notas:
* Fr. Antônio Wallenstein O.F.M., Catecismo da Perfeição Cristã, Editora Vozes, Petrópolis, 1956, pp. 18 ss.

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