Novembro de 2003
Nossa Senhora do Rocio, Padroeira do Paraná
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Página Mariana

Nossa Senhora do Rocio, Padroeira do Paraná

Celebra-se no dia 15 de novembro significativa festividade cara a todos os habitantes desse importante Estado brasileiro, a qual desejamos tornar conhecida por todo o País

Valdis Grinsteins

Imagem de Nossa Senhora do Rocio
 Por vezes, Nossa Senhora não atende diretamente nossos pedidos, mas sim os rogos que outros fazem por nós.

Foi o que aconteceu em finais do século XVIII ou começo do XIX com Agostinho, escravo do Sargento-Mor Simão Cardoso Paes, homem rico e importante da cidade de Antonina, no Paraná. Simão era, entretanto, mais rico em bens espirituais do que materiais. Tendo o escravo caído gravemente doente, a ponto de os médicos darem o caso por perdido, o Sargento-Mor não desanimou. Invocou Nossa Senhora do Rocio de Paranaguá, prometendo que ajudaria durante seis meses na construção da nova igreja dedicada à Virgem do Rocio — iniciada em 1797, mas que avançava em meio a dificuldades materiais — caso Agostinho ficasse curado.

Promessa feita, milagre alcançado. E a história registra que, recobrada a saúde integralmente, também o escravo Agostinho passou a ajudar na construção da igreja.

Prodigiosa intervenção

Transfiramo-nos agora para o ano de 1932. Recordemos que Paranaguá é um porto paranaense dos mais importantes do País. O navio “Maria M” tenta chegar ao porto, mas furioso vendaval o lança num banco de areia, situado a nove milhas do Farol das Conchas da Ilha do Mel.

A embarcação ficou encalhada no dia 8 de agosto, e no dia 13 foi considerada perdida, apesar de todos os esforços da tripulação. As pessoas da capitania retiraram-se do navio. Entretanto, este não afundou. No dia 16, tendo o tempo melhorado, voltaram a bordo 77 homens, visando retirar a carga, a fim de que o barco, ficando mais leve, desencalhasse. Isso foi impossível. No dia 18 o navio partiu-se ao meio. A bordo a situação era lamentável, pois, além de exaustos, os marujos não dispunham de água para beber e corriam sério risco de afogamento. As embarcações de socorro mais próximas encontravam-se a uma distância de 700 metros. Sem saída, os tripulantes invocaram Nossa Senhora do Rocio. E, de modo incomum, mediante uma jangada improvisada, os tripulantes puderam ser salvos. No dia 23 do mesmo mês, todos eles dirigiram-se em piedosa romaria à capela do Rocio, a fim de agradecer a Nossa Senhora sua proteção naquela emergência.

Socorro maternal em epidemias

Santuário Nossa Senhora do Rocio, Paranaguá (PR)
Mais recentemente, em 1999, tendo começado uma epidemia de cólera na cidade, os habitantes de Paranaguá invocaram o auxílio da Virgem do Rocio, sendo atendidos. E ainda em três ocasiões, no século XX, Ela salvou a localidade de pestes. A primeira teve lugar em 1901, quando ocorreu um surto de peste bubônica. O vigário de Paranaguá fez um voto de edificar novo templo à Virgem, caso a moléstia cessasse, sendo então a imagem levada em procissão pelas ruas da cidade. A partir desse dia cessou o flagelo.

Em 1918, difundiu-se uma epidemia universal, conhecida como a “gripe espanhola”, a qual ceifou vários milhões vidas no mundo inteiro. Paranaguá foi atingida por ela. Era difícil encontrar uma residência da cidade sem ao menos um contagiado. Novamente os habitantes transportaram a imagem de sua capela até a cidade, tendo, após esse fato, diminuído sensivelmente o número de mortes.

Em 1926, novo surto de peste bubônica atingiu a localidade. Mais uma vez a imagem foi trasladada a Paranaguá, e novamente o resultado foi prodigioso. Após ter a imagem entrado na cidade, não mais se registraram casos da peste.

Além desses auxílios extraordinários durante pestes ou naufrágios, registram-se igualmente casos de prodígios individuais. Como o de Sotero de Sant'Anna Bonfim, um lenhador que, trabalhando na floresta, foi sepultado por uma pilha de toras que desabaram sobre ele. Ficou assim coberto pela madeira durante um dia. Todos que procuravam socorrê-lo já haviam perdido a esperança de salvá-lo. Sua esposa pediu então a Nossa Senhora do Rocio proteção especial para seu marido. Por fim, quando se conseguiu retirar o pobre lenhador, encontrava-se ele num estado lamentável, com várias fraturas graves. Permaneceu seis meses entre a vida e a morte, durante os quais teve uma visão em que a Virgem do Rocio lhe prometia a cura. Realmente o fato aconteceu, tendo o beneficiado se dirigido depois àquele santuário mariano em agradecimento.

A origem da imagem

Qual a origem de tão extraordinária imagem? Há carência de documentos históricos, mas existem várias tradições. A mais conhecida delas alude a um pescador chamado Pai Berê, que certo dia, no século XVII, apanhou a imagem em sua rede. Intrigado com o fato, contou-o a outros pescadores e colocou a imagem numa rústica capela. Ali começaram a render-lhe culto, especialmente mediante a recitação do Santo Rosário. Algum tempo depois, a imagem foi invocada para proteger as lavouras da chamada “peste da Bicha”. Nossa Senhora atendeu aos rogos, e a devoção começou a difundir-se por todo o Estado do Paraná.

Por que o nome do Rocio? Algo relativo ao famoso santuário que ostenta a mesma denominação, existente na Andaluzia (Espanha)? Nenhuma vinculação consta a respeito. Uma lenda ou tradição registra ter a imagem aparecido banhada pelo orvalho [rocio] e no meio de rosas-loucas (flores assim chamadas devido à facilidade com que perdem as pétalas).

Seja qual for a origem, o fato é que a prodigiosa imagem tem protegido o povo paranaense em numerosas ocasiões de provação. E por isso, desde 1977 ela foi proclamada oficialmente Padroeira Perpétua do referido Estado da Federação.

Respondendo a uma objeção

Algum leitor talvez alegue que os fatos aqui narrados podem não parecer propriamente extraordinários, mas apresentam características de acontecimentos comuns.

Não consideramos que tal observação obscureça a venerabilidade da imagem ou sua história. Nossa Senhora pode escolher o meio que desperte maior devoção dos fiéis. Assim como uma mãe conhece qual o método mais eficaz para chamar os filhos, repetindo-o com freqüência, assim também a Mãe de Deus pode utilizar reiteradas vezes meios aparentemente comuns, para nos inclinar à devoção. Por que teria Ela obrigação de criar um método inédito em cada nova aparição?

O que mais importa é constatar o resultado obtido: mediante a devoção a Nossa Senhora do Rocio, os paranaenses afervoraram-se na piedade marial.

* * *

Narramos aqui somente prodígios exteriores, que podem ser constatados pelos sentidos. Muito mais importantes são os milagres espirituais que a graça opera no interior das almas, os quais dificilmente podem ser avaliados. Quantas graças terá outorgado Nossa Senhora do Rocio para manter as famílias unidas, os corações tranqüilos, a fé de seus devotos? Sabê-lo-emos apenas no dia do Juízo Final. Por enquanto, estando nós neste vale de lágrimas, peçamos-Lhe que nos proteja nas provações que afrontam todos os verdadeiramente católicos nesta época de neopaganismo.

Fontes de referência:

“O Passarinho”, Curitiba, nº 249, Ano XX, maio de 1999.

Nair Vega, História de Nossa Senhora do Rocio, Paranaguá, 1977.

Novena de Nossa Senhora do Rocio, Curitiba, 1983.

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