Julho de 2006
Estados Unidos: o filme O Código Da Vinci fracassa
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Ação Contra-Revolucionária

Estados Unidos:
o filme O Código Da Vinci fracassa

Uma reação muito saudável, sobretudo manifestada pela opinião pública norte-americana, impediu o sucesso do filme baseado no livro de Dan Brown. Lição para aqueles que pretendem atacar a fé católica com novas blasfêmias.

Luiz Sérgio Solimeo
Estados Unidos

Encerramento da campanha em Nova York (24-6-06)
Encerramento da campanha em Los Angeles, Califórnia, em frente aos estúdios da Sony

O filme O Código Da Vinci, baseado no romance do mesmo título, tinha tudo para ser o maior sucesso cinematográfico de todos os tempos. Desde que o livro foi lançado, em 2003, recebeu apoio contínuo e sem precedentes da mídia do mundo inteiro. Segundo se propaga, foram difundidos mais de 30 milhões de exemplares nas principais línguas vivas.

Em torno da novela de Dan Brown — a qual repete os velhos clichês anticlericais do século XIX contra a Igreja Católica, nega a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e apresenta a velha doutrina da gnose como sendo o “verdadeiro cristianismo” — criou-se uma espécie de “cultura paralela” com livros explicativos, álbuns, vídeos, jogos eletrônicos, fóruns de discussão, etc. Para manter sempre no noticiário o romance e preparar o lançamento do filme, até um processo foi aberto nos tribunais de Londres contra o autor de O Código Da Vinci.

No entanto, sobretudo nos Estados Unidos, uma reação sempre crescente fez-se sentir contra a novela blasfema. Inúmeros livros, ensaios e artigos foram escritos para desfazer os erros teológicos, históricos e factuais da novela gnóstica. Entre eles destacou-se o estudo da TFP americana intitulado Rejeitando o Código Da Vinci.

A partir do lançamento do filme, em 19 de maio último, a TFP americana promoveu, por mais de um mês, uma campanha de protestos em frente a cinemas de todo o país. No total, foram realizados 2.082 protestos, do Alaska à Flórida, da Califórnia à Nova Inglaterra. No domingo 18 de junho, a TFP convocou os organizadores dos protestos para fazerem uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento, como reparação contra as blasfêmias de O Código Da Vinci.

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Outras cenas da brilhante campanha contra o filme blasfemo

A campanha de protestos contra a novela e o filme encerrou-se solenemente no sábado 24 de junho p.p., com as concentrações promovidas pela TFP e America Needs Fatima tanto em Nova York como na Califórnia, diante dos escritórios e dos estúdios da Sony Corporation, produtora do filme.

Já nos dias anteriores, as previsões do tempo eram de fortes chuvas no sábado, festa de São João Batista. E, de fato, choveu o dia todo. Quando os manifestantes chegaram ao local, caiu uma pancada fortíssima durante uns 15 minutos. Mesmo assim, 450 pessoas já estavam a postos, portando cartazes para o início da manifestação.

Assim que começou o evento, às 14:00 h, a chuva amenizou. Robert Ritchie, diretor de America Needs Fátima, anunciou o programa, e o Padre Carpens iniciou as orações. Em seguida sucederam-se vários oradores, assinalando a importância da manifestação, entremeados por orações, especialmente a do terço, cânticos, brados de slogans, numa vibrante participação dos manifestantes, os quais, para defender a honra de Nosso Senhor Jesus Cristo, tinham ido debaixo de chuva à concentração e lá se mantiveram até o fim.

Do mesmo modo e à mesma hora, realizou-se outro protesto em frente aos estúdios da Sony em Los Angeles, reunindo mais de uma centena de pessoas. Com essas duas concentrações encerrou-se a campanha, que demonstrou o aspecto combativo e o zelo dos católicos norte-americanos.

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Além dos Estados Unidos, em diversos outros países ocorreram manifestações contra o ignóbil filme inspirado em Dan Brown. Até o momento, temos notícias de lançamentos de livros refutando o autor, em edições adaptadas da publicação norteamericana, no Brasil (com a obra O Código Da Vinci – Mentira e Falsificação); no Chile, Colômbia e Peru; na Alemanha, Áustria, França, Inglaterra, Itália e Portugal. Houve também protestos na África do Sul, Austrália, Filipinas e Canadá.

No Peru, ademais do lançamento do livro “Rechazando el Código Da Vinci”, publicado pela “Asociación Santo Tomás de Aquino”, dezenas de conferências a respeito foram realizadas por membros do movimento “Tradición y Acción”, em Lima e províncias, assistidas por milhares de pessoas de todas as idades e condições.

Na Itália, além do livro-denúncia “Il Codice da Vinci: false rivelazioni e autentiche menzogne contro la Chiesa”, a “Associazione SOS Ragazzi” fez uma vasta campanha de envio de cartões de protesto contra O Código Da Vinci. Tais cartões foram enviados abundantemente à sede italiana da Sony, condenando energicamente o filme, pois ele “se permite jogar na lama a honra de Jesus Cristo, negar a veracidade dos Evangelhos e ofender a Santa Igreja, em seus membros e na sua história”, como informa o Comunicado de Imprensa de 19 de maio p.p., assinado pelo diretor daquela associação, o Sr. Guido Vignelli.

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Aspectos do protesto diante dos escritórios da Sony Corporation, em Nova York

O certo é que o filme O Código Da Vinci não teve, nem de longe, o sucesso esperado. Em sua semana de lançamento nos Estados Unidos, ficou em segundo lugar nas bilheterias, com um total de 77 milhões de dólares. A partir de então, e sob a ação dos protestos junto à opinião pública, o filme não fez senão despencar, caindo 80% em relação à sua receita inicial ao cabo de quatro semanas. Do segundo lugar, passou para o quinto lugar dos filmes em exibição, com apenas 14 milhões de receita.

Tendo em vista que os gastos para a realização do filme foram de 125 milhões, mais cerca de 70 milhões gastos com propaganda, só nos Estados Unidos, o filme representaria um prejuízo colossal para os produtores, não fosse o fato de no exterior — especialmente na Europa, onde foram raros os protestos — o filme ter tido melhor acolhida.

Para se ter uma idéia da reação saudável da opinião pública norte-americana, para a qual contribuíram sobremaneira os protestos organizados pela TFP americana, basta comparar dois filmes que aqui estão sendo vistos como contraditórios: A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, e O Código Da Vinci. Enquanto o primeiro não teve apoio da mídia, mas, pelo contrário, enfrentou o fogo cerrado da crítica e da intolerância da mídia liberal, o segundo recebeu todo o apoio possível. No entanto, comparando a receita de lançamento de ambos os filmes, temos que A Paixão de Cristo, lançado em fevereiro de 2004, obteve um total de 83.848.082 dólares, enquanto, apesar do enorme apoio, O Código da Vinci recolheu precisamente 77.073.388. Considere-se ainda que A Paixão de Cristo foi exibida em apenas 3.043 salas, contra 3.735 para O Código Da Vinci.

Adoração diante do Santíssimo Sacramento em reparação pela abominável blasfêmia

Comparando todos esses dados, o jornalista Austin Ruse publicou na “National Review” (13 junho de 2006) um artigo com o título sugestivo: “O Código da Vinci está morto”. Por esse resultado, devemos dar graças a Deus, e também aplaudir o esforço de incontáveis pessoas de todas as categorias e idades, que sacrificaram seus fins de semana enfrentado as intempéries, por vezes chuvas e ventanias fortíssimas, próprias ao fim de primavera no hemisfério norte, para defender a honra de católico e desagravar publicamente a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, atacada soezmente.

Essas manifestações mostram como existe muito mais reação contra o mal, na opinião pública, faltando apenas lideranças adequadas que despertem e coordenem a reatividade. Esse foi o grande papel desempenhado pela American Society for the Defense of Tradition, Family and Property —TFP.

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