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Entrevista

TFP põe os pingos nos is

Há precisamente um ano dissidentes da entidade iniciaram processo reivindicando alterações substanciais nos estatutos idealizados pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Sentença em 1ª instância rejeita as absurdas alegações

Com freqüência crescente, membros da imensa família de almas de Catolicismo nos têm escrito ou telefonado pedindo esclarecimentos sobre fatos internos ocorridos na TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade).

Sobre esses fatos, ocorridos “intra-muros” preferiríamos fazer silêncio e resolvê-los internamente na TFP. Mas uma vez que nossos oponentes saíram a público, abriram um processo contra a TFP, bem como procuraram a mídia para divulgar tais fatos, nosso silêncio estava se tornando inexplicável, pois, como diz o velho ditado, quem cala consente.

Assim, Catolicismo no afã de sempre esclarecer e alertar seus leitores, decidiu entrevistar o Sr. Paulo Henrique Chaves, Assessor de Imprensa da TFP, para que nos falasse sobre esta delicada questão.

Ele atendeu amavelmente a nossa reportagem em seu escritório, respondendo calma e decididamente a cada pergunta formulada.



* * *

Catolicismo - Sr. Paulo Henrique, o primeiro ponto que nossos leitores mais nos têm perguntado, é como e quando começou esta questão interna na TFP.

Paulo Henrique Chaves - A TFP, na sua já longa existência de quase 40 anos, foi objeto 12 grandes estrondos publicitários movidos por nossos adversários, muitas vezes apoiados pelos grandes meios de comunicação. Ela os enfrentou com a serenidade e altaneria que lhe são próprias.

Dessa vez o ataque surgiu de maneira completamente diferente. Após o falecimento, em 1995, do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, líder e pensador católico, fundador da TFP e Presidente vitalício de seu Conselho Nacional, foi convocada uma Assembléia Geral para eleger a nova diretoria, conforme exigiam os Estatutos. Resolveu-se manter vago o cargo de Presidente do Conselho Nacional da Entidade, em homenagem a seu fundador, e foi eleito, Vice-presidente o Dr. Luiz Nazareno de Assumpção Filho, que já era diretor desde 1960. A mesma diretoria completou seu mandato.O Vice-presidente exerceria as funções da presidência.

Cumpre de passagem esclarecer que tais Estatutos foram inspirados pelo próprio Dr. Plinio e por ele cuidadosamente revistos nas alterações que se seguiram à primeira redação.

Em 1997, dois anos após o falecimento de Dr. Plinio, sócios e cooperadores, manifestaram-se descontentes com os Estatutos, pelo fato de que estes não lhes concediam o direito de voto, como sempre ocorreu desde a fundação da entidade em 1960. Visando, talvez, tomar a direção da TFP, abriram um processo civil contra a entidade. Dói dizê-lo, pela primeira vez em sua história, a TFP foi objeto de um processo judicial movido por pessoas a ela ainda pertencentes.

Catolicismo - O Sr. poderia explicar melhor o que fizeram esses dissidentes?

Paulo H. Chaves - Hoje, analisando os fatos, tudo indica que o plano dos dissidentes foi preparado com bastante antecedência. Explico-me. A entrada do processo no Fórum da capital paulista deu-se no dia 21 de novembro de 1997. Três meses antes, no dia 23 de agosto do mesmo ano, pessoas ligadas aos dissidentes já haviam fundado uma nova sociedade civil intitulada Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima, e registrada no Cartório de Campinas em 5 de setembro de 1997 (*) cuja semelhança de nomes e objetivos com a imensa e benemérita campanha Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis!, da TFP prestar-se-ia a causar confusão nos participantes da mesma.

Catolicismo - Que prejuízos tais dissidentes vêm causando à TFP, que sempre obteve a confiança e o respeito de grande número de brasileiros?

Paulo H. Chaves - Uma vez que o processo judicial, ao qual acabo de referir-me, não lhes corria favoravelmente, começaram os dissidentes a visitar os participantes da Campanha Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis!, numa tentativa de convencê-los a abandonar esta campanha e passar a apoiar a nova associação por eles criada. Confirma-se assim a confusão, anteriormente referida, que a semelhança das campanhas e dos nomes cria.

Percebendo a reação dos participantes das Campanhas da TFP às suas propostas deles, começaram a levantar falsas acusações contra a diretoria da entidade. Esta tem o direito de que a verdade seja conhecida, e se dispõe a esclarecer em especial seus milhares de simpatizantes e todos os que queiram conhecer os fatos. Em futuro breve, confirmar-se-á o que disse Nosso Senhor: “Pelos frutos, conhecereis a árvore”. Além dos danos morais, os dissidentes provocaram também danos materiais, procurando pessoalmente os doadores mensais de nossas campanhas, para repetir as mesmas falsas acusações e desviar seus donativos para nova associação; ou, ao menos, para conseguir que os mesmos fossem suspensos para a TFP. Isto foi obtido, em muitos casos pela perplexidade que causou a idéia de uma divisão dentro da admirável obra do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.

Mesmo assim, a maioria dos participantes da campanha Vinde Nossa Senhora de Fátima não tardeis! -- os quais tantas vezes foram favorecidos por imensas graças, através da mesma -- não acreditou nos dissidentes. De um advogado mineiro pude ouvir incontinenti: “Se defendemos a tradição, por que inovar?”

Catolicismo - O Sr. falou em processo. Em que consistiu tal processo?

Paulo H. Chaves - Sempre contestando as autoridades legítimas da TFP, os dissidentes moveram um processo contra a entidade, na tentativa de conseguir através do Poder Judiciário, modificar os Estatutos da TFP. Pois estes, segundo costumam argumentar, os impediam de assumir uma influência decisiva na direção da TFP, já que só os sócios fundadores têm direito de voto. O mais incrível é que as mesmas pessoas, que durante a vida do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, mostravam-se ardorosos combatentes e adversários de princípios revolucionários, de repente, começaram a utilizar jargões igualitários e socialistas próprios dos partidos e movimentos de esquerda, saindo a público numa contestação declarada à autoridade constituída, exatamente como fazem o PT, a CUT e os Boffs da esquerda católica. Isso não passou despercebido a órgãos de imprensa como no caso da revista “Isto é” de 8-7-98, que qualificou judiciosamente um dos dissidentes de o "Boff da TFP". E também da “Folha de S. Paulo” de 19-8-98 que ao noticiar o resultado da sentença judicial dando vitória à TFP, ressaltou mediante epígrafe, no alto da página: “‘Conservadores’ derrotam ‘ progressistas’ sobre estatuto da entidade”.

Catolicismo - Quando saiu a sentença judicial e qual foi a decisão do Processo?

Paulo H. Chaves - No dia 19 de julho, Vigília da Festa de Santo Elias, o Dr. Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso, Juiz de primeira instância, da 3ª Vara Cível da Comarca de São Paulo, assinou a sentença, dando inteiramente ganho de causa à TFP.

A principal reivindicação dos dissidentes era o direito de voto de todos os sócios, cooperadores e correspondentes da TFP. A isso o Juiz respondeu peremptoriamente: “O direito de voto não é pleno e irrestrito conforme pretendem fazer crer os autores [da ação]. Pelo contrário, a própria legislação das sociedades comerciais estipula, expressamente, a possibilidade da existência de sócios votantes e não votantes. A estes últimos é assegurado o sagrado direito de retirada”.

Catolicismo - Haveria, na referida sentença mais algum tópico a ser ressaltado?

Paulo H. Chaves - Há vários, mas cito apenas mais um. Os dissidentes haviam manifestado descontentamento em relação à diretoria da TFP, ao que o juiz sentenciou:

“Se durante estes anos a administração feita pelos sócios fundadores os contentou e atualmente a gerência lhes desagrada, resta o direito de retirada da sociedade e não a sua modificação, como que surgindo judicialmente uma nova pessoa jurídica, conforme os interesses daqueles que nunca tiveram direito estatutário a voto”.

Catolicismo - O Juiz deu alguma saída para a questão?

Paulo H. Chaves - Sim. Ele deu, concluindo.

“Cumpre apenas salientar que a força de uma associação de pessoas vem do número e da qualidade de seus associados. Se os autores [da ação] são inúmeros, basta aos descontentes que busquem criar uma nova pessoa jurídica, mais democrática, e condizente com os fins sociais por estes pretendidos”.

Catolicismo - Com base nessa vitória, parece que a TFP não vai alterar seus Estatutos para contentar tais dissidentes. Seria bem isso?

Paulo H. Chaves - A TFP não pode abrir mão dos traços fundamentais definidos pelo seu fundador. Lembro-me com saudades de um episódio histórico, comentado pelo Dr. Plinio em mais de uma reunião para sócios e cooperadores da TFP. Em meados do século XVIII, começou uma verdadeira onda de perseguição à Companhia de Jesus. A primeira investida foi em Portugal, através do Marquês de Pombal. Em seguida, foi a vez da França. A luta estava renhida. O rei Luís XV, numa tentativa de conciliação, propôs como solução alterar alguns pontos do estatuto da Companhia. Ficou célebre a resposta do então Superior Geral, dos jesuítas, Pe. Ricci: “Aut sint ut sunt, aut omnino non sint” (Ou sejam [os jesuítas] como são, ou, de todo, não existam). E o Estatuto não foi alterado. Por desgraça, 116 jesuítas franceses cederam e aderiram à heresia galicana.

Catolicismo - Além do processo judicial em São Paulo, houve algo mais digno de nota pelo Brasil afora?

Paulo H. Chaves - Infelizmente, o ato de indisciplina atingiu alguns setores da TFP. Em Campos (RJ), um grupo de dissidentes invadiu a sede principal que a entidade mantém naquela cidade, efetuando em seu interior manifestação muito parecida com as invasões promovidas pelo MST em edifícios de órgãos públicos. Os manifestantes desobedeceram o encarregado local da sede, o qual temia o agravamento da situação. A TFP obteve então, de um Juiz local, medida liminar proibindo outras manifestações semelhantes. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro confirmou, por unanimidade, a decisão liminar do Juiz daquela Comarca.

Catolicismo - A experiência, seja histórica, seja político-social, comprova o fato de que um movimento desses não surge sem um líder. Quem lidera esses dissidentes?

Paulo H. Chaves - Isso me faz lembrar uma frase de Dr. Plinio que anotei? “Quanta coisa boa ficou estirada ao longo dos cemitérios da História porque a certos homens faltou critério”.

No dia 23 de junho p.p., a TFP publicou na “Folha de S. Paulo” um esclarecimento à opinião pública brasileira sobre este assunto, esclarecimento este que foi, que foi aliás, reproduzido na edição de julho/98, nº 571, de Catolicismo, e do qual destacamos o seguinte tópico, que responde a essa pergunta: “Somente com o falecimento do Prof. Plinio, ocorreu que um veterano integrante da TFP, João Scognamiglio Clá Dias, que se auto-atribui a missão de suceder ao fundador, conseguiu arregimentar em torno de si um grupo de ativistas procurando utilizar-se de instrumentos processuais para tomar o controle da entidade e de seu patrimônio”.

Catolicismo - O Sr. gostaria de dizer algumas palavras a mais para os leitores de Catolicismo?

Paulo H. Chaves - Por amor à brevidade, faço um apelo não apenas aos leitores de Catolicismo aos quais dirijo especialmente, mas aos participantes e aderentes das Campanhas Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis! e O Amanha de Nossos Filhos – esta última tive a honra de coordenar por seis anos --, bem como aos ruralistas contrários à Reforma Agrária socialista e confiscatória, e demais simpatizantes de todas beneméritas iniciativas promovidas pela TFP. Tal apelo é para que abram os olhos quanto às pretensas inovações dos dissidentes de nossa entidade. Colaborando com a TFP desde os bancos universitários, no início da década de 60, tenho razões de sobejo para fazer este apelo.Encerro minhas palavras afirmando que até Deus respeita o livre arbítrio do homem, pois qualquer um é livre para tomar um rumo ou outro. Mas cuidado com os lobos travestidos de ovelhas! Nosso Senhor já advertia os primeiros cristãos a respeito desse perigo. Alguém poderá observar que nunca imaginaria que uma coisa dessas pudesse acontecer na TFP. Pois bem, eu respondo: veja a História da Igreja, veja o primeiro Colégio Apostólico. Como poderia ter surgido um apóstolo que trairia o próprio Homem Deus, que o escolherá? Na verdade, lamentamos muito o que aconteceu. Jamais deveria ter ocorrido. Mas lembremo-nos de que, onde há o homem, podem aparecer a vaidade e o pecado. Terrível herança, após o pecado original, dos filhos de Adão.

 

 

Aviso aos leitores de Catolicismo

Algumas pessoas tem sistematicamente visitado em diversas regiões do País os assinantes de Catolicismo, alegando que a revista está sendo substituída por outra intitulada “Dr. Plinio”.


Não é verdade!


Catolicismo, com 47 anos de existência, continua sua gloriosa trajetória ascensional desde que foi fundada por iniciativa e sob a inspiração do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, sendo a única revista porta-voz da TFP. A revista denominada “Dr. Plinio”, nada tem a ver com a TFP.

(*) Cartório Privativo de Registro Civil das Pessoas Juridícas de Direito Privado da Comarca de Campinas, registro nº 11.722, livro A-39, fls. 159.

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