Fevereiro de 2006
Encontro preocupante
Informativo Rural

Encontro preocupante

Fracasso total — É notória a inconformidade das esquerdas, sobretudo da esquerda católica, com o fracasso da Reforma Agrária no Brasil e no mundo, sem exceção. No caso brasileiro, quanto mais o governo investe dinheiro público nos assentamentos e acampamentos, maior é o vulto do fracasso. Beneficiam-se os aproveitadores, os oportunistas, toda gama de sanguessugas, as lideranças do MST. Mas o agricultor autêntico e a produção nacional, esses vão à breca. Note-se que assentamento não se confunde com pequena propriedade ou propriedade familiar. Esta sempre teve papel de realce na agricultura nacional e, com as propriedades grandes e médias, é um dos pilares da prosperidade nacional.

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Terrorismo agrário — As esquerdas têm necessidade vital da Reforma Agrária para levar a cabo a revolução socialista. É o que afirma o guerrilheiro comunista Che Guevara (foto 1) em seu livro “Guerra de Guerrilhas”. Para ele “o guerrilheiro é, antes de tudo, um revolucionário agrário” e “a base das reivindicações sociais que levantará o guerrilheiro será a mudança da estrutura da propriedade agrária. A bandeira da luta durante todo este tempo será a reforma agrária” (http://www.marxists.org/espanol/guevara/guerrra/cap1.htm e cap.2.htm).







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Salvar o fracasso? — Uma tentativa gigantesca de reavivar a Reforma Agrária, e portanto o socialismo, está em curso e terá seu apogeu no próximo mês de março, em Porto Alegre, com representantes de 55 países, capitaneada pela FAO (organismo da ONU para agricultura e alimentação), juntamente com o governo Lula. Pelas informações publicadas na mídia — especialmente no site www.icarrd.org (foto 2), criado para divulgação do encontro — deduz-se que agora a estratégia é superar o fracasso da Reforma Agrária por meio de uma ação muito mais ampla. A Reforma Agrária não mais seria conduzida como política de um determinado governo, mas como política mundial propugnada pela ONU e seus organismos, com participação dos governos e a colaboração de ONGs e da sociedade civil organizada (jargão hoje em dia usado mundialmente pelas esquerdas para designar grupos de pressão política). O projeto prevê monitoramento e supervisão permanente da ONU, com seus mecanismos de imposição, para fazer cumprir as resoluções. A reboque estão sendo propostas medidas de cunho coletivista, ambientalista, indigenista e outras, tendo a Reforma Agrária como carro-chefe. Buscar-se-ia assim sufocar, juntamente com as desigualdades injustas e rejeitáveis, aquelas que, pelo contrário, são harmônicas e proporcionadas e sempre foram defendidas pela doutrina católica.

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Agronegócio — Tendo como fundo de quadro a idéia falsa e perniciosa de que a justiça social se identifica com a igualdade, e de que a fome se erradica com o socialismo, o encontro pretende promover em escala mundial a pequena propriedade, apresentada como forma de garantir o desenvolvimento sustentável e a soberania alimentar. No caso brasileiro, o encontro visará atingir seriamente o agronegócio (foto 3), cujo expressivo sucesso se deve, em grande parte, ao fato de ser conduzido pela iniciativa particular, harmonizando grandes, médias e pequenas propriedades: estas últimas constituem 40% dessa atividade. Que autonomia teriam tais “propriedades” ditas familiares, fruto do esfarelamento geral das propriedades, frente a um Estado todo-poderoso ante o qual elas não pudessem mais contar com o anteparo natural e orgânico das propriedades maiores?