Novembro de 2005
A revolução sexual destrói a família
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A revolução sexual destrói a família

A radical agressão sexual que atingiu a América do Norte e Europa, de há muito assola também o Brasil e demais países latino-americanos. A dissolução da família, um objetivo primordial. Quem resistirá a essa implacável investida?

  • Alfredo MacHale

Há cerca de 15 anos a tirania soviética desmoronou em todo o Leste europeu, apesar das atrozes medidas repressivas exercidas contra a população, vítima da miséria irremediável resultante do coletivismo, do estatismo e da inércia generalizada.

A partir de então, fracassados no campo político, os fautores da descristianização do mundo transformaram a revolução sexual, e a conseqüente destruição da família na via preferencial para corromper, conquistar e demolir o Ocidente, certos de que o resto da humanidade não porá obstáculos em seguir o mesmo caminho.

O caso espanhol, paradigma de como se perverte um país

"Cristãs a favor do casamento homossexual" é o que diz a faixa na manifestação no centro de Madri. Atos como este são cada vez mais comuns nas ruas dos países ocidentais.
A revolução sexual alcançou seu mais recente avanço com a imposição, feita pelo atual governo socialista espanhol, do pseudo-casamento homossexual e do “divórcio express” — ou seja a dissolução do matrimônio num processo sumário, bastando a vontade de um dos cônjuges —, desprezando as censuras de João Paulo II, o qual advertiu para a perseguição religiosa que assim se prepara. Mais ainda, o governo espanhol resolveu não só afrontar o falecido Pontífice e seus porta-vozes, mas ameaçar a Igreja e a opinião católica espanhola com ataques odiosos, em detrimento da moral e da vida religiosa.

Tanto ódio à Igreja não se via na Espanha desde fins dos anos 30, no auge da guerra civil. A resposta indignada da opinião católica a essa prepotência sectária do governo de Zapatero deu-se através de colossais manifestações de rua. Ao mesmo tempo, a Santa Sé mantinha atitude severa, mobilizando diversos cardeais romanos em defesa da família e fazendo sentir que não cederá ante essas ameaças.

Contrariamente ao que se deveria esperar, a Conferência Episcopal espanhola mostrou-se muito tímida, elegendo para seu presidente o bispo mais condescendente com o governo socialista, tentando subtrair-se o quanto possível à polêmica em curso. A maioria dos prelados espanhóis parece esperar que se evite assim o conflito, mas, como é freqüente nesses casos, o mais provável é que apenas o adie… e também o agrave, pois este é o fruto habitual da pusilanimidade diante do mal.

É entretanto indiscutível o perigo de uma nova perseguição religiosa eclodir na Espanha, porque a simples existência de setores que não se deixam convencer pela imoralidade crescente pode mover a tal os socialistas no poder.

A isso se somam panoramas também sombrios em outras nações da União Européia, nas quais políticos laicistas e sectários — muitos dos quais há duas décadas eram marxistas declarados, e hoje não têm coragem de se manifestar como tais — mostram de novo suas garras de forma cada vez mais agressiva e incontida, ao mesmo tempo que, com freqüência, vêem com simpatia o islamismo ameaçador.

Acrescenta-se ainda o fato de haver, tanto no Canadá como nos EUA, setores de muito peso nas respectivas populações, com numerosos e poderosos representantes no mundo político, que também demonstram extremo liberalismo em matéria de costumes. Assim, o pseudo-casamento homossexual foi aprovado recentemente no Canadá, enquanto setores da esquerda se esforçam por introduzi-lo nos EUA, apesar da vigorosa reação moralizadora de grande parte da opinião pública do país.

Que caminho adotará a América Latina?

Nesse contexto, qual é o panorama na América Latina? Muitas nações dessa região são governadas pela esquerda, que se apresenta em alguns países cautelosa quanto à forma, mas com profunda virulência de fundo.

No Brasil, já sabemos qual é o desejo do governo petista, pois este há um ano apresentou à ONU moção para incluir a “opção sexual” entre os chamados “direitos humanos” protegidos por aquele organismo. Isto constitui um grave elemento de pressão sobre as demais nações para que aceitem como normal a homossexualidade, inclusive o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Nessa ocasião, por influência do Vaticano e de alguns países muçulmanos, o debate sobre o assunto foi adiado, mas a proposta não foi recusada, permanecendo como ameaça que poderá efetivar-se de um momento para outro.

Uma posição ideológica análoga a favor da diversidade de “opções sexuais”slogan adotado pelo permissivismo extremo em matéria de costumes — observa-se em setores da esquerda em vários outros países da América. Tende a cristalizar-se em diversas iniciativas legais; passíveis, em muitos casos, de se transformar em leis num futuro próximo.

O divórcio, infelizmente, já se tornou regra sem exceção no continente americano, graças aos opositores mornos, medíocres e concessivos que encontrou. No Chile, por exemplo, onde foi introduzido mais recentemente com inédita radicalidade, ocorreu devido à defecção de grande parte dos parlamentares católicos, com a colaboração de numerosos representantes do clero e a omissão manifesta e lamentável de boa parte da Hierarquia eclesiástica.

Espantoso aumento da promiscuidade sexual

"Divórcio por $299"... A lei do divórcio já se tornou regra sem exceção no continente americano
Tornou-se também regra geral na América Latina a igualdade legal imposta entre filhos legítimos e ilegítimos, entre a esposa verdadeira e a concubina, entre o casamento e o concubinato. De tal modo que a família autêntica já não tem reconhecidos os seus direitos, sendo equiparada a uniões que são dela uma caricatura ou paródia, ou que usurpam suas legítimas prerrogativas.

Aumenta assim cada vez mais a proporção de nascimentos ilegítimos. Em vários países estes já superam os legítimos, enquanto em outros o Estado nega-se a considerar a diferença entre eles. Vai sendo erodido também, nesse processo, o direito de herança da família verdadeira, que é amiúde forçada a dividir os bens com os filhos adulterinos.

Generalizou-se uma caudalosa difusão de anticoncepcionais e preservativos em praticamente todas as nações, com o patrocínio habitual do Estado. A pretexto de combater a Aids, essa difusão se realiza com a insolente obsessão de querer fazer sentir à população que a imoralidade tem direitos, mas a moralidade não.

Em nenhum país da América Latina os governantes pensam em promover a castidade como único meio eficaz de impedir a expansão da Aids, embora em muitas nações a distribuição de preservativos e o conseqüente aumento da promiscuidade sexual não tenham feito senão aumentar o número dos afetados pela doença.

Vão sendo também promulgadas, mais ou menos em todos os países, leis de proteção aos chamados “direitos sexuais e reprodutivos”, cujo papel verdadeiro é promover as formas mais licenciosas e agressivas de vida sexual, para todas as idades e condições, bem como impedir toda coerção — inclusive a dos pais que desejam preservar a retidão moral dos filhos —, procurando fazer com que as mais diversas aberrações e taras passem a ser consideradas como simples “opções” pelo comum da população.

Aborto: a matança de inocentes estende-se pelo mundo

Embora o aborto tenha sido legalizado em quase toda a Europa e na América do Norte, ainda não o foi em muitos países latino-americanos. Nestes, contudo, existem projetos de lei e reiteradas tentativas de aprová-lo, e em vários se teme que o seja num futuro próximo. No que tange à tolerância com a prática do aborto clandestino, ela se estende por toda parte, praticamente sem medidas policiais nem judiciais para impedi-lo. Pior ainda, em várias nações ele vai sendo introduzido sub-repticiamente, sem que se produzam maiores protestos.

No Brasil já não são punidos legalmente, e até são oficialmente incentivados, o denominado aborto terapêutico e aquele autorizado para os casos de violação da mulher. Ambos absolutamente ilícitos e criminosos, por consistirem na privação da vida de um inocente. Com eles se introduz a prática desse crime a título supostamente de exceção, mas sem o menor rigor para conferir, ao praticá-lo, se efetivamente houve estupro ou mal formação do feto.

Mais ainda, sob a alegação de que se discute se a “pílula do dia seguinte” é ou não abortiva — embora seja óbvio que o é, pois ao administrá-la estabelecem-se condições que tornam impossível a subsistência do óvulo já fecundado — generaliza-se a sua difusão. Em diversos países ela é distribuída gratuitamente pelo Estado a todas as mulheres interessadas em tomá-la, em especial às jovens, o que em muitos casos viola sentenças judiciais que proíbem tal prática, acentuando também, gravemente, a degradação moral da sociedade.

Aliança mundial pró-aborto

Cartaz a favor do aborto na Argentina. Uma das frases diz: "Se o papa fosse mulher, o aborto seria lei"
Há em todos os quadrantes poderosas forças abortistas que, sem contar embora com muitos aderentes, estão conectadas internacionalmente com ativistas enquistados no seio da ONU e de numerosos governos, em geral sob o pretexto de pseudo-direitos da mulher. Tais forças freqüentemente atuam como ativistas em colaboração com governos de esquerda.

Essa ação chega à audácia de pretender que entre os direitos da mulher se incluiria o de “dispor do próprio corpo”, alegando que quando ela está grávida o filho que ainda não nasceu é parte do seu corpo; ou seja, negando ao filho não só a vida, mas também a própria natureza humana individuada.

A ONU realizou diversas convenções mundiais nas quais se firmaram acordos cada vez mais favoráveis ao aborto, qualificando-o de um “direito humano” que deve ser defendido, a fim de forçar os países signatários a que o introduzam nas suas legislações; e são constantes as pressões nesse sentido.

Isso chega ao auge com a qualificação do aborto como um meio de “anticoncepção de emergência”, isto é, fica legalmente autorizado para os casos em que a mulher grávida não tenha usado eficazmente os meios anticonceptivos — alegação a que sempre poderá recorrer qualquer mulher que deseje desfazer-se criminosamente do filho que engendrou.

Numa palavra, enquanto uma aliança mundial de abortistas exerce pressão sobre cada nação para que legalize esse crime, o conjunto da população, que o recusa totalmente, não tem a menor idéia sobre essa conspiração e simplesmente abstém-se de intervir contra ela na vida pública, e mesmo de interessar-se por ela. Pelo que sua resistência ao processo de degradação é apenas de inércia, não se ouvindo vozes de alerta em número suficiente para frear o avanço da imoralidade.

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