Novembro de 2005
Nudistas velhas
Por que Nossa Senhora Chora?

 

Nudistas velhas

Do livro Contraponto, de Aldous Huxley, que li há muitos anos, uma cena ficou-me gravada na memória, por demonstrar a fina percepção psicológica do autor. Relato-a como ela se me apresenta ao espírito.

É um romance, em que um dos principais personagens é um libertino. Após experimentar todo tipo de prazeres sensuais, a tal ponto ficou deles saciado, que passou a procurar o grotesco. Já não mais buscava, como de início, as mulheres belas; deixara de sentir atração por elas, e procurava no mundo tenebroso da prostituição aquelas que mais se haviam degradado moral e fisicamente, as mais feias, as mais repugnantes, as que causavam maior repulsa, pois no sórdido encontrava algum prazer.

O personagem afundou-se depois, sucessivamente, nos vícios mais abjetos, até que um dia foi visto chicoteando umas belas flores. A deformação moral, que começara com uma sensualidade sem freios, termina com um ódio contra toda beleza, mesmo a beleza cândida e singela das flores de um jardim.

De modo semelhante, o barão de Charlus, personagem de Proust, fazia-se chicotear em espantosas cenas de masoquismo, para tentar arrancar à natureza torturada o prazer que não mais encontrava na retidão de uma vida normal.

É o caminho que os vícios fazem percorrer. Nem todos chegam ao fim da rampa, mas ela desce até lá. Viciados na sensualidade, sempre insatisfeitos com o que conseguem, desejando sempre mais e mais, não há aberração que os detenha. Ao contrário da virtude, que ordena o espírito, traz equilíbrio e paz de alma.

Nova tática de revistas nudistas

Estas duas simpáticas senhoras da cidade de Murano, na Itália, refletem bem a dignidade própria da idade, valor que o mundo moderno tenta derrubar
Existem nos dias de hoje diversas revistas que exploram o nudismo feminino (como já existem também as que exploram o nudismo masculino, mas deixemos isso de lado).

Sempre se entendeu que, para captar melhor seus leitores, tais revistas pornográficas escolhem suas modelos entre as mais jovens, pois é em face da juventude que a atração desregrada da sensualidade se exerce com mais força.

Pois bem, a imprensa noticiou que uma dessas revistas vai reproduzir fotos de uma mulher de 47 anos inteiramente sem roupa. E informa que outra dessas revistas, a mais conhecida, fará o mesmo com uma viúva de 51 anos.

Se a divulgação de fotos imorais de jovens é um incitamento à transgressão do 6º Mandamento da Lei de Deus, a publicação, nessas condições, de fotos de mulheres mais do que adultas tem já algo de particularmente pervertido. Atenta também contra a dignidade feminina. Quantas mulheres honradas devem sentir-se profundamente chocadas com tais fatos! Mas não pára aí.

“Doze senhoras decidem posar nuas em calendário para levantar recursos destinados a um hospital de câncer. [...] Nuas e segurando flores, fizeram fotos para um calendário de 2006 que estará à venda em todo o Brasil. [...] As modelos estão na faixa etária entre 50 e 80 anos”.(*) A mais idosa tem 82 anos e já é bisavó. A organizadora é avó e tem 60 anos.

Ajudar os cancerosos é muito bom. Mas será que essas senhoras não encontraram outro meio para fazê-lo?

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Tais notícias, aparecendo na imprensa em datas muito próximas, levantam a suspeita de uma campanha para impulsionar a imoralidade e a degradação também nas gerações de adultos e velhos. Mas o que se pode esperar de uma sociedade em que até as gerações mais antigas deixam de representar a moralidade e a dignidade e passam a levar água para o moinho do nudismo e mesmo da libertinagem?

Nossa Senhora, Rainha da Pureza, por enquanto chora através de suas imagens. O que fará depois?

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(*) Cfr. “Folha Online” (26-9-05) e “Folha de S. Paulo” (25 e 28-9-05).