Novembro de 2005
O Purgatório (Conclusão)
Leitura Espiritual

 

O Purgatório
(Conclusão)

Na parte V desta série, tratou-se do modo como podemos mitigar as penas que devem cumprir as almas padecentes. Com a presente, conclui-se a série a respeito do Purgatório.(*)

Nossa Senhora do Carmo, com seu escapulário, socorre as almas padecentes
Depois do Santo Sacrifício da Missa, temos uma multidão de meios muito eficientes para aliviar as santas almas, se os empregamos com espírito de fé e fervor (e estando em estado de graça) [...].

Sabemos que o Santo Rosário mantém o primeiro lugar entre todas as orações que a Igreja recomenda aos fiéis. Essa excelente prece, fonte de tantas graças para os vivos, é também singularmente eficaz no alívio dos falecidos. [...]

Se as boas obras ordinárias obtêm tanto alívio para as almas, qual não será o efeito da obra mais santa que um católico pode fazer, ou seja, a sagrada comunhão? [...]

Depois da santa comunhão, falaremos da Via Sacra. Esse santo exercício pode ser considerado em si mesmo e nas indulgências com que é enriquecido. Em si, é uma solene e muito excelente maneira de meditar na Paixão de nosso Salvador, e, conseqüentemente, o mais salutar exercício de nossa santa Religião. [...]

Assim, essa devoção, tanto pelas muitas excelências de que é objeto, quanto em razão de suas indulgências, constitui um sufrágio de grande valor em favor das santas almas. [...]

A gratidão pelo que fazemos pelas almas

As indulgências são, na Igreja, um verdadeiro tesouro que permanece aberto aos fiéis. A todos é permitido dele se servir para pagar as próprias dívidas e as dos outros. [...] As almas do Purgatório, que se encontram em tão extrema necessidade, suplicam-nos com lágrimas em meio aos seus tormentos; temos os meios de pagar suas dívidas por meio das indulgências, mas não nos empenhamos em fazê-lo. [...]

O Doutor Angélico dá preferência às esmolas em relação ao jejum e à oração, quando se trata da expiação das faltas. Diz ele: “Esmolas possuem mais completamente a virtude da satisfação do que a prece, e esta mais completamente que o jejum”. Esta é a razão por que grandes servos de Deus e grandes santos a escolheram como um principal meio de assistir aos falecidos. [...]

A esmola cristã, essa misericórdia que Jesus Cristo tanto recomenda em seu Evangelho, compreende não só a assistência corporal aos necessitados, mas também todo bem que fazemos ao nosso próximo, trabalhando para sua salvação, suportando seus defeitos e perdoando suas ofensas. Todas essas obras de caridade podem ser oferecidas a Deus pelos falecidos, e contêm grande virtude satisfatória. [...]

Falamos da gratidão das santas almas. Isso elas podem algumas vezes manifestar de maneira clara, mas freqüentemente o fazem invisivelmente, por suas preces. As almas rezam por nós não somente depois de sua libertação (do Purgatório), quando estão com Deus no Céu, mas mesmo em seu lugar de exílio e em meio a seus sofrimentos. Se bem que não podem rezar por si mesmas, no entanto, pelas suas súplicas, elas obtêm grandes graças para nós. [...]

Se as almas são tão gratas a seus benfeitores, Nosso Senhor Jesus Cristo, que ama essas almas, que recebe como feito a si todo o bem que empreendemos em relação a elas, conceder-nos-á abundante recompensa, muitas vezes nesta vida, e sempre na próxima. Ele olha para aqueles que praticam essa misericórdia, e pune os que se esquecem de fazê-la para as almas do Purgatório.(**)

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Notas:

(*) Os leitores de Catolicismo podem sugerir temas para esta seção denominada Leitura Espiritual. Escrevam-nos indicando assuntos relacionados à vida espiritual sobre os quais têm mais interesse.

(**) Padre F.X. Schouppe, S.J., Purgatory, illustrated by the lives and legends of the Saints, TAN Books and Publishers, Inc., Rockford, USA, 1973.