Junho de 2001
TFP norte-americana focaliza a séria ameaça do comunismo chinês
TFP´s em ação

TFP norte-americana focaliza a séria ameaça do comunismo chinês

A propósito da recente e grave crise entre os Estados Unidos e a China comunista, a TFP americana lançou oportuno manifesto, publicado nos jornais “Washington Times”, “Miami Herald” e “The Wanderer”; e saiu às ruas em campanha, para difundi-lo em importantes cidades daquele país. Excertos do mencionado documento são transcritos a seguir para conhecimento do público brasileiro.

Uma lição deveria ser tirada do choque do avião chinês com o  norte-americano. O fato, de si, é muito adequado para sacudir no Ocidente a indolência otimista face ao comunismo, que muitos insistem em afirmar — apesar das evidências em contrário —que “morreu”.

Antes de comprar qualquer mercadoria proveniente da China comunista (que abarrotam nossas lojas), nosso público deveria refletir nas conseqüências de sua ação, pois estará não só adquirindo um produto geralmente ordinário, de péssima qualidade, mas colaborando com o governo comunista de Pequim. Este se enriquece à custa daqueles que compram tais objetos baratos, produzidos à base de trabalho escravo ou semi-escravo, por detrás da “Cortina de Bambu.”

A queda de um mito

Hora da verdade na China

A euforia causada pelo retorno da  tripulação do avião de reconhecimento EP-3 acabou. À medida que baixa a poeira sobre a tensa situação por que passou nosso País por 11 longos dias, somos colocados diante da fundamental necessidade de refletir sobre essa traumatizante experiência. ....

Abrindo todas as portas

Desde a viagem do Presidente Nixon à China em fevereiro de 1972, os sucessivos governos norte-americanos estabeleceram com relação a ela uma política baseada na ilusão de que através do diálogo poderíamos ganhar a simpatia dos comunistas chineses1.

Durante esses anos todos, abrimos as portas de par em par, na esperança de que nossos sorrisos e dólares pudessem abrandar os frios corações dos ideólogos do Partido. De tal maneira abrimos nossos mercados, que nossas lojas estão abarrotadas de produtos chineses baratos, a ponto de causar desemprego no País. Absorvemos um terço do total das exportações chinesas, ao mesmo tempo que nosso déficit comercial anual é nada menos de 86 bilhões de dólares.

Transferimos à China fábricas inteiras e tecnologia de ponta. Nossas universidades e escolas técnicas estão lotadas de estudantes chineses, que se aproveitam de nossas pesquisas e infra-estrutura educacional.

Esperanças frustradas

Em nosso esforço otimista para promover democracia e livre mercado na China, fizemos o possível e o impossível para contemporizar, a fim de não atrapalhar a tão sonhada — e nunca atingida — transição à democracia. Isso chegou ao ponto escandaloso de fazermos vistas grossas aos abusos de direitos humanos e às desumanas práticas trabalhistas adotadas na China. ....

Entretanto, a desfaçatez demonstrada pelo governo chinês durante todo o incidente só pode reforçar, na opinião pública, a crescente impressão de que a China faz tabula rasa das leis e padrões internacionais. E, ficou claro, o faz não somente com relação aos direitos humanos, como também em assuntos militares. Os fatos demonstram claramente que o contínuo “diálogo” com a China precisa descer das nuvens para a realidade. A tão almejada “nova China” não passa de ilusão.

O comportamento da China

Embalados por esperanças otimistas e lucros fáceis, fizemos, por tempo excessivo, vistas grossas a essa perturbadora realidade.

O fluxo maciço de capital ocidental não foi suficiente para arrancar o governo chinês de seu obstinado apego à ideologia comunista, que causou a morte de dezenas de milhões de cidadãos chineses.

Tampouco impedimos, com tal fluxo, que o governo chinês continuasse a violar direitos humanos em grande escala. Doze anos após o sangrento episódio da Praça da Paz Celestial, a implacável opressão não dá sinal de diminuir.

De fato, num informe de fevereiro, a Anistia Internacional analisa alegações de tortura por parte não somente de policiais, como também de agentes coletores de impostos e outros, entre os quais funcionários do Ministério da Saúde, que obrigam brutalmente mulheres grávidas a abortarem. O informe conclui: “Tortura e maus tratos a detentos e prisioneiros na China são generalizados e crônicos” 2.

Podemos simplesmente continuar a ignorar os gemidos dos milhões de católicos chineses das catacumbas? A Fé católica é proibida, as igrejas são demolidas e os párocos aprisionados. Bispos idosos são rotineiramente presos e espancados. Segundo a bem-informada Cardinal Kung Foundation, essa perseguição intensificou-se ainda mais nos últimos anos3.

A própria tecnologia, que deveria transformar a China num Estado de direito moderno e civilizado, acaba sendo utilizada em programas militares que fazem parte de seu agressivo esforço armamentista. A China prepara-se para a guerra e produz mísseis balísticos de longo alcance apontados às bases militares e cidades norte-americanas.

O mínimo que se poderia dizer é que, com esse incidente, a China ultrapassou todos os limites. O que deveria abrir nossos olhos à crescente agressividade chinesa e convencer-nos de que é hora de pararmos de investir ainda mais, na vã esperança de salvar um capital mal empatado. ....

O fato é que, por detrás do incidente do EP-3, reside o problema muito mais grave da empedernida ditadura comunista chinesa. ....

Não podemos pretender ser sócios estratégicos, concorrentes ou aliados de um regime que nos trata como inimigos.

A hora da verdade

A American Society for the Defense of Tradition, Family and Property (TFP) apela a nossos governantes e ao público em geral para que adotem uma fundamental mudança de atitude em relação à China. A descida repentina do EP-3 rumo ao mar do sul da China deve chocar-nos para que caiamos na realidade. E esta, como o incidente deixou claro de maneira contundente, é que não se pode confiar nos comunistas chineses. Trata-se de um regime que, mais uma vez, acaba de mostrar sua verdadeira face. E esta não é a de um amigo, mas de um adversário.

É preciso que nossos governantes adotem atitudes políticas e econômicas que reflitam essa dolorosa realidade, ao invés de ingênuas ilusões. E que todos os norte-americanos tenham gravado este episódio em sua memória e o tenham em vista toda vez que forem a um shopping center. ....

. Que Deus Todo-Poderoso, pela intercessão de Sua Mãe Santíssima, conceda a cada norte-americano, e especialmente aos nossos governantes, a força para tomarem medidas enérgicas e resolutas diante da crescente ameaça chinesa. Que Ele proteja os EUA nos dias difíceis que se aproximam.

A TFP americana
16 de abril de 2001


    Aqueles que desejarem a íntegra do manifesto podem copiá-lo no site da TFP americana: www.tfp.org


Notas:

1. Segundo o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, “pode-se dizer, sem exagero, que desde a época da bolchevização da Rússia o comunismo não teve vitória comparável” à que lhe proporcionou a détente. “Até mesmo as catastróficas concessões de Roosevelt em Yalta não foram tão perniciosas quanto os profundos resultados da ‘queda de barreiras ideológicas’ promovida pela equipe Nixon-Kissinger na China” (Crise Louca, em “Folha de S. Paulo”, 18-8-74).

2. Erik Eckholm, China Begins to Turn Light on Wide Use of Torture, “The New York Times”, 13-2-01.

3. Ver http://www.cardinalkungfoundation.org

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