Maio de 2007
A Mensagem de Fátima e as perseguições à Igreja
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A mensagem de Fátima e a previsão de castigos

Jacinta teve várias visões sobre a perseguição religiosa que viria, em escala universal

Como é sabido, a Mensagem de Fátima foi comunicada aos três pastorinhos videntes — Lúcia, Jacinta e Francisco — propriamente na terceira aparição, em 13 de julho de 1917, que teve lugar na Cova da Iria, em Fátima, Portugal.

Dita mensagem de Nossa Senhora ao mundo constitui o chamado “segredo de Fátima”, o qual consta de três partes.

Primeiro uma visão do Inferno, “para onde vão as almas dos pobres pecadores”.

Em segundo lugar, uma mensagem propriamente dita, na qual Nossa Senhora anunciou o fim da I Guerra Mundial, mas alertou: se os homens “não deixarem de ofender a Deus”, começaria outra pior (a II Guerra Mundial), pela qual Deus iria “punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre”. Caso a humanidade, apesar dessa punição, não se convertesse, Nossa Senhora profetizou ainda que a Rússia iria espalhar “seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas”.

Em terceiro lugar, uma visão simbólica do cumprimento dos castigos anunciados nessa segunda parte do segredo. Nela os pastorinhos de Fátima viram “um Bispo vestido de branco” (que eles pressentiram ser o Papa), seguido de “vários outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz”. Depois de atravessar uma cidade em ruínas, o Santo Padre, “chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns após outros os bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de várias classes e posições”.

Ou seja, a perseguição religiosa seria de tal magnitude, que não somente o Papa, os bispos, sacerdotes e religiosos poderão ser mortos uns após outros, mas até leigos de condição modesta! O que indica uma sanha persecutória particularmente virulenta. O número indeterminado de bispos, sacerdotes, religiosos e leigos martirizados leva a supor uma perseguição de caráter universal e sistemática, como as piores que já houve no passado.

Uma posterior visão particular de Jacinta confirma o caráter violento desses ataques à Igreja e ao Papa, que haveriam de vir. Estando junto ao poço da casa dos pais de Lúcia, Jacinta perguntou à sua prima:

Não viste o Santo Padre?

Não.

Não sei como foi, eu vi o Santo Padre numa casa muito grande, de joelhos diante de uma mesa, com as mãos no rosto a chorar; fora da casa estava muita gente, e uns atiravam-lhe pedras, outros rogavam-lhe pragas e diziam-lhe muitas palavras feias. Coitadinho do Santo Padre, temos que pedir muito por ele!

Em outro dia, em casa de Jacinta, Lúcia encontrou-a muito pensativa e interrogou-a:

— Jacinta, que estás a pensar?

— Na guerra que há de vir. Há de morrer tanta gente! E vai quase toda para o inferno! Hão de ser arrasadas muitas casas, e mortos muitos padres. Olha, eu vou para o Céu; e tu, quanto vires de noite essa luz que aquela Senhora disse que vem antes, foge para lá também”.

Tal como anunciara Nossa Senhora nas aparições, Jacinta adoeceu gravemente pouco depois. Transportada para Lisboa, ela foi levada para um hospital e ficou sob os cuidados da Madre Maria da Purificação Godinho, que tomou nota — embora nem sempre literalmente — de suas últimas palavras. Entre elas, há uma referência explícita à perseguição religiosa que viria:

Ai dos que perseguem a Religião de Nosso Senhor! Se o governo deixasse em paz a Igreja e desse a liberdade à Santa Religião, era abençoado por Deus”.

Por sua vez, a Irmã Lúcia também teve “várias comunicações íntimas” com Nosso Senhor, nas quais Ele insistiu no pedido de consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, com menção especial pela Rússia. Em carta datada de 2 de dezembro de 1940, ela disse a Pio XII que tal consagração era indispensável para “abreviar os dias de tribulação com que tem determinado punir as nações de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de várias perseguições à Santa Igreja e a Vossa Santidade”.

E no ano de 1943, enquanto residia em Tuy, cidade fronteiriça no lado espanhol, a mesma Irmã Lúcia relatou em carta ao seu confessor, o Pe. Gonçalves, que tinha enviado ao Arcebispo de Valladolid “um recado de Nosso Senhor para os Senhores Bispos cá de Espanha”, no qual Ele dizia que “Se os Srs. Bispos da Espanha não atenderem aos seus desejos, ela [a Rússia] será mais uma vez ainda o açoite com que Deus os pune”.

Sendo os bispos os punidos, entende-se que Lúcia indicava uma nova perseguição religiosa na Espanha, como a que tinha cessado apenas cinco anos antes.

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