Maio de 2011
“Mas quem terá escrito coisas tão belas sobre a Mãe de Deus?”
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“VIDA E DOÇURA NOSSA”

Nas suas angústias e especialmente nas da morte, que de todas são as piores, essa boa Senhora e Mãe são abandona seus fiéis servos.

A oração de Maria obtém-nos a graça da justificação. Para a exata compreensão de por que a Santa Igreja nos ordena que chamemos Maria de nossa vida, é necessário saber que, assim como a alma dá vida ao corpo, assim também a graça divina dá vida à alma. Uma alma sem a graça divina só tem nome de viva, mas na realidade está morta, como foi dito àquele bispo no Apocalipse: “Tens reputação de que vives, mas estás morto” (Apoc. 3,1). Obtendo Maria por meio de sua intercessão a graça aos pecadores, deste modo lhes dá vida. Ouçamos as palavras que a Igreja lhe põe na boca, aplicando-lhe a seguinte passagem do livro dos Provérbios: “Os que vigiam desde manhã por me buscarem, achar-me-ão” (8, 17). Os que recorrem a mim desde manhã, isto é, sem demora, certamente me acharão. Ou, segundo a tradução grega: encontrarão a graça. De modo que recorrer a Maria é recorrer à graça de Deus. Lemos por isso pouco depois: “Quem me encontra, encontra a vida e receberá do Senhor a salvação” (Prov. 8, 35). “Ouvi-o, vós que procurais o reino de Deus — exclamou São Boaventura — honrai a Santíssima Virgem Maria e achareis a vida juntamente com a eterna salvação”.

Na afirmação de São Bernardino de Siena, Deus não destruiu o homem logo após o pecado, devido ao singular amor para com esta sua futura filha. Não lhe resta a menor dúvida de que todas as misericórdias e mercês, em favor dos pecadores na Antiga Lei, só lhes tinham sido feitas por Deus em consideração desta abençoada Virgem. [...]

Maria é também nossa vida, porque nos alcança a perseverança

A perseverança final é um dom divino tão grande que, como disse o santo Concílio de Trento, é um dom todo ele gratuito que de nenhum modo podemos merecer. Contudo, Santo Agostinho diz que alcançam de Deus a perseverança todos aqueles que lha pedem. E conforme diz o Padre Suárez, infalivelmente a alcançam os que são diligentes até ao fim da vida em pedi-la a Deus. Por isso escreve São Belarmino: “Peça-se a perseverança todos os dias, para que ela seja obtida cada dia”. Ora, se é verdade — como eu o tenho por certo, conforme sentença hoje comum que depois mostrarei — que todas as graças que Deus nos dispensa passam pelas mãos de Maria, é também verdade que só por meio de Maria podemos esperar e conseguir esta sublime graça da perseverança. Esta mesma graça Ela promete a todos aqueles que fielmente a servem nesta vida. “Os que agem por mim não pecarão; aqueles que me tornam conhecidos, terão a vida eterna” (Ecli. 24, 30). [...]

Por intermédio de Maria obteremos a graça da perseverança

Com as palavras do livro dos Provérbios, a nós se dirige Maria: “Feliz aquele que me ouve e que vela todos os dias à entrada da minha casa” (8, 34). Feliz quem escuta a minha voz e por isso está alerta para vir sempre à porta da minha misericórdia, em busca de socorro e de luzes. Sem dúvida não deixará Maria de obter-lhe luzes e força para sair do vício e trilhar a vereda da virtude. Pelo que graciosamente Inocêncio III a chama “lua de noite, aurora de manhã, sol de dia”. É lua para quem está cego na noite do pecado, a fim de esclarecê-lo e mostrar-lhe o miserável estado de condenação em que se acha. É aurora, isto é, precursora do sol para quem já está iluminado, a fim de fazê-lo sair do pecado e recuperar a divina graça. Para quem já está em graça é finalmente sol, cuja luz o livra de cair em algum precipício. [...]

Concluamos, pois, com as palavras de São Bernardo: “Homem, quem quer se sejas, já sabes que nesta vida vais flutuando mais entre perigos e tempestades, do que caminhando sobre a terra. Se não queres ser submergido, não apartes os olhos dos resplendores desta estrela. Olha para a estrela, chama por Maria. Nos perigos de pecar, nas moléstias das tentações, nas dúvidas do que deves resolver, considera que Maria te pode ajudar, chama logo por Ela para que te socorra. O seu poderoso nome nunca se aparte do teu coração pela confiança, nem da tua boca para o entoares. Seguindo a Maria, não errarás o caminho da salvação. Quando te encomendares a Ela, não desconfies; sustendo-te, não cairás. Protegendo-te Ela, não temas perder-te; sendo tua guia, sem fadiga te salvarás. Em suma, pretendendo Maria defender-te, certamente chegarás ao reino dos bem-aventurados”. [...]

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