Maio de 2011
“Mas quem terá escrito coisas tão belas sobre a Mãe de Deus?”
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“Ó DOCE VIRGEM MARIA”

O sublime nome de Maria não foi encontrado na Terra, nem inventado pelo entendimento ou arbítrio dos homens, como se dá com os outros nomes. Veio de Deus e foi-lhe imposto por ordem divina, como o atestam São Jerônimo, Santo Epifânio, Santo Antonino e outros. Diz Ricardo de São Lourenço: “A Santíssima Trindade vos conferiu este nome, ó Maria, que é superior a todo nome, depois do nome do vosso Filho; Ela enriqueceu-o de tanto poder e majestade, que ao proferi-lo, quer que se dobrem os joelhos dos que estão no Céu, na Terra e no inferno. O Senhor outorgou vários privilégios ao nome de Maria. Consideremos apenas um entre todos os demais: quanto Deus o fez suave na vida e na morte aos servos dessa Santíssima Senhora”.

Honório, santo anacoreta, dizia que o nome de Maria é cheio de divina doçura, e o glorioso Santo Antonio de Pádua nele achava tanta doçura como São Bernardino no de Jesus. “O nome da Virgem Mãe — repetia ele — é alegria para o coração, mel para a boca, melodia para o ouvido de seus devotos”. Muito grande era a doçura que achava nesse nome o venerável Juvenal, Bispo de Saluzzo. Lê-se em sua vida que se lhe notava nos traços do rosto a sensível doçura, que lhe ficara nos lábios, sempre que pronunciava o nome de Maria. Coisa idêntica sabe-se de uma senhora de Colônia, que contou ao Bispo Marsilio sentir sempre um sabor mais doce que o mel, toda vez que pronunciava o nome da Virgem Santíssima. E, repetindo-o devotamente, o bispo experimentou a mesma doçura.

No momento da Assunção da Senhora, três vezes perguntaram-se os anjos pelo nome: “Quem é esta que sobe pelo deserto, como uma varinha de fumo composta de aromas de mirra e de incenso?” (Cânt. 3, 6). “Quem é esta que vai caminhando como a aurora quando se levanta?” (Cânt. 6, 9). “Quem é esta que sobe do deserto inundando delícias?” (Cânt. 8, 5). E por que lhe indagam com tanta insistência o nome? — pergunta Ricardo de São Lourenço. É para terem o prazer de ouvi-lo mais vezes, tão suavemente lhes soava aos ouvidos.

Mas não falo aqui dessa doçura sensível, porque esta não se concede comumente a todos. Falo dessa salutar doçura de conforto, de amor, de alegria, de confiança e de fortaleza, que este nome de Maria ordinariamente dá àqueles que o pronunciam com devoção.

Na opinião de Franco abade, “é esse nome tão rico de bênçãos que, depois do nome de Jesus, nem no Céu nem na Terra outro se profere e do qual as almas devotas recebam tanta graça, tanta esperança, nem tanta doçura. Porque o nome de Maria contém em si uma virtude tão admirável, tão doce e tão divina, que deixa nos corações amigos de Deus um odor de santa suavidade”. [...]

Abrasado de amor, assim falava ternamente São Bernardo à sua bondosa Mãe: “Ó excelsa, ó bondosa e veneranda Virgem Maria! Como é vosso nome tão cheio de doçura e de amabilidade! Ninguém o pode proferir, sem que se veja abrasado de amor para com Deus e para convosco”. [...]

Pelo contrário, os demônios, diz Tomás de Kempis, tanto receiam a Rainha do Céu que, como do fogo, fogem de quem invoca o seu grande nome. A própria Virgem revelou o seguinte a Santa Brígida: “Por endurecido que seja um pecador, imediatamente o abandona o demônio, se invoca meu nome com o propósito de emendar-se”. Isso mesmo lhe confirmou em outra revelação, dizendo: “Todos os demônios têm um grande pavor e respeito diante de meu nome. Assim que o ouvem invocar, largam de pronto a alma presa em suas garras”.

E se os anjos maus se afastam dos pecadores que chamam pelo nome de Maria, os anjos bons tanto mais se chegam às almas justas que o pronunciam com devoção.

Sigamos sempre, por conseguinte, o belo conselho de São Bernardo: “Nos perigos, nos apuros, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca a Maria; nunca se aparte seu nome de teus lábios, de teu coração. Em todos os perigos de perder a graça divina pensemos em Maria, invoquemos o seu nome e o de Jesus, para que andem sempre unidos esses dois nomes. Nunca se apartem nem do nosso coração, nem da nossa boca, esses dois dulcíssimos e poderosíssimos nomes. Pois eles nos darão forças para não cairmos e para vencermos sempre todas as tentações”.

O nome de Maria é doce, sobretudo na hora da morte

A salutar doçura de conforto, de amor, de alegria, de confiança e de fortaleza, que este nome de Maria ordinariamente dá àqueles que o pronunciam com devoção.

Dulcíssimo é, pois, na vida, aos devotos de Maria, seu nome santíssimo, porque — como já vimos — lhes alcança graças extraordinárias. Muito mais doce, porém, ser-lhes-á na última hora, proporcionando-lhes uma suave e santa morte. [...]

Roguemos, pois, meu amado e devoto leitor; roguemos a Deus que nos conceda a graça de ser o nome de Maria a última palavra que a nossa língua pronuncie. Roguemos a Deus que no-la conceda, como lha pedia um São Germando, dizendo: “Ó doce e segura morte, a que é acompanhada e protegida com este nome de salvação, o qual Deus só concede proferir àqueles a quem quer salvar!”

Ó minha doce Mãe e Senhora, eu vos amo, e porque vos amo, amo também o vosso nome. Proponho e espero com o vosso socorro invocá-lo sempre na vida e na morte. Concluo, pois, com a terna oração de São Boaventura: “Para a glória do vosso nome, ó bendita Senhora, quando minha alma sair deste mundo, vinde-lhe ao encontro e tomai-a em vossos braços. Dignai-vos vir consolá-la com a vossa doce presença; sede o seu caminho para o Céu, alcançai-lhe a graça do perdão e o eterno descanso. Ó Maria, advogada nossa, a vós pertence defender os vossos devotos, e tomar a vosso encargo a sua causa diante do tribunal de Jesus Cristo”.

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