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Ação Católica

Em Defesa da Ação Católica, obra providencial

Há 60 anos, veio a lume o livro-denúncia, o “livro-kamikaze” de Plinio Corrêa de Oliveira. Obra fundamental para se entender a origem da crise estabelecida na Santa Igreja na fase pós-conciliar e a existência do misterioso processo de “autodemolição” da Igreja, apontado por Paulo VI.

 

  • Nelson Ribeiro Fragelli

Prof. Plinio Corrêa de Oliveira

Em junho de 1943, Plinio Corrêa de Oliveira era presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica de São Paulo. Publicava então seu primeiro livro, Em defesa da Ação Católica (Editora Ave Maria). Foi um livro-bomba. Embora trouxesse um prefácio do então Núncio Apostólico no Brasil, D. Bento Aloisi Masela, e tivesse recebido cartas de aplauso de mais de 20 bispos, ao lado do silêncio de muitos, suas teses suscitaram irritação furibunda de outros. A obra foi um brado de alerta, que despertou muitas almas da letargia em que se encontravam.

Os erros que então grassavam em surdina nos meios católicos foram apontados de público e solidamente refutados. Foi quebrada a unanimidade silenciosa que se construía em torno desses erros. Seis anos mais tarde, o próprio Papa Pio XII interferia na polêmica, enviando carta de louvor ao autor. Assim, Plinio Corrêa de Oliveira exercia plenamente, embora ainda muito jovem, sua missão de “pedra de escândalo”.1 E o progressismo nascente levava duro golpe, do qual nunca mais se refez.

O movimento católico, no fim dos anos 30, formava um bloco coeso. No círculo, Plinio Corrêa de Oliveira, na época líder as Congregações Marianas.

Aurora de luz

Em todo o Brasil, o movimento católico reunia o que havia de mais pujante no laicato. Por especial obra da graça, nele frutificavam sementes de evangelização aqui lançadas por Portugal, cultivadas ao longo de quatro séculos pelo zelo apostólico das grandes ordens religiosas e defendidas por valorosas figuras como Dom Vital. 

O movimento católico prestava precioso serviço à Igreja. Ele arrebanhava, formava e mantinha na prática das virtudes evangélicas a maioria dos brasileiros. Unidos a seus legítimos pastores, formavam um bloco coeso, pesando decisivamente na opinião nacional.

A década de 30 chegava ao fim. O clima de piedade e concórdia reinava, de modo geral, entre pastores e fiéis, entre pais e filhos, patrões e empregados. A Religião católica era absolutamente majoritária no País; para muitos moços, ficava bem mostrar na lapela o distintivo de uma associação religiosa, em particular das Congregações Marianas.



D. Bento Aloisi Masela, então Núncio Apostólico no Brasil, escreveu o prefácio para o livro Em Defesa da Ação Católica.

Nuvem em luminoso horizonte

Em seus albores, apresentava-se promissor em nosso Brasil o Pontificado de Pio XII, no início dos anos 40.

Uma ameaçadora nuvem, entretanto, toldava um ponto do horizonte, nessa aurora de esperanças. Mas o que pode uma sombra num vasto panorama de luzes?

Outras épocas históricas haviam afundado em sombras que, a princípio,  pareciam manchas tênues. Luís XVI não julgara ser a queda da Bastilha um simples motim, quando já estava nas ruas a Revolução de 1789, na França?

Plinio Corrêa de Oliveira conhecia essas épocas e sua tragédia; conhecia bem as nuvens que rapidamente tornam-se tempestades. Elas se apresentam, inicialmente, sob a forma de mudanças quase ingênuas, difíceis de se criticar. Na Ação Católica, eram alterações sorrateiras na concepção da prática religiosa, preferências por novas formas de rezar, críticas a “velhas” práticas até então unanimemente adotadas, maior independência em relação à autoridade eclesiástica. O apostolado tomava acentos naturalistas, negligenciando o sobrenatural e a graça, aproximando-se das formas de proselitismo laico, procurando as massas (apostolado de massa) mais do que formar elites, distanciando-se assim dos métodos recomendados pela milenar sabedoria da Igreja e pelos mestres consagrados da vida espiritual.

Formas de piedade individual, tão do agrado de nosso povo, eram contestadas
pela nova moda espiritual. Ela se dizia inovadora e independente dos velhos mestres, ultrapassados. Inovava para ser popular — dizia-se então.

Iria ao encontro das mais íntimas aspirações dos fiéis, cansados da estagnação. Se a Santa Sé não aprovasse o que se fazia — conforme diziam na época — , terminaria por ceder, vendo a euforia do povo de Deus, uma vez superados remotos ritos. Assim, o Rosário, a devoção a Nossa Senhora e o culto dos Santos eram apresentados como incompatíveis com os novos tempos. A Via Sacra e os Exercícios Espirituais de Santo Inácio eram vistos como obsoletos.



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