Julho de 2005
Perseguição motivada pela distribuição da Medalha Milagrosa
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Ação Contra-Revolucionária

Perseguição motivada pela distribuição da Medalha Milagrosa

Avenir de la Culture e TFP francesa, vítimas de brutal perseguição. Após larga distribuição gratuita de Medalhas Milagrosas a pessoas de todos os recantos da França, deseja-se impedir tal difusão. Quem?

  • Roberto Guimarães

As associações francesas TFP e Avenir de la Culture acabam de denunciar publicamente violenta perseguição jurídico-policial realizada em suas sedes, levada a efeito em 15 de junho último. Repleta de irregularidades e mesmo de ações ilegais, ela não configura entretanto senão a ponta de um iceberg que tem por base calúnias oriundas de certos setores religiosos aliados a representantes do laicismo político, segundo ampla documentação disponível no site www.tfp.asso.fr.

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Em 10 de outubro de 2001, a TFP francesa colocou no correio seu primeiro envio da Medalha Milagrosa de Nossa Senhora das Graças a seus amigos e simpatizantes mais próximos, num total de 18 mil pessoas. Era o que permitiam os meios da associação naquela data.

Posteriormente, o entusiasmo e o apoio dos doadores fez a campanha crescer como bola de neve. Hoje, são cerca de 4 milhões de medalhas enviadas gratuitamente a pessoas de todos os recantos da França. Dezenas de milhares de cartas recebidas pela TFP francesa atestam os benefícios espirituais e a utilidade dessa campanha. Uma amostragem de tais cartas encontra-se à disposição dos interessados no site acima citado.

Entretanto, apenas uma semana após a postagem das primeiras medalhas, o episcopado francês já tentava bloquear essa campanha. Com efeito, em 17 de outubro o secretário da Conferência dos Bispos, D. Bernard Lagoutte, escreveu à superiora das freiras da Rua du Bac, em Paris (onde se encontra a famosa capela na qual a Santíssima Virgem comunicou as revelações da Medalha Milagrosa a Santa Catarina Labouré), acusando gratuitamente a TFP de “angariar fundos” e de nunca publicar suas contas. Mons. Lagoutte teria sido alertado a respeito pelo então Arcebispo de Tours, hoje arcebispo de Paris, Mons. Vingt-Trois. A carta foi afixada pelas freiras no painel da Rua du Bac, a fim de expor a TFP à execração pública, pois a capela é freqüentada por peregrinos de todo o orbe.

A TFP respondeu às acusações injustas enviando às religiosas seus balanços financeiros deficitários, para que a superiora também os afixasse, se quisesse.

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“Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem, e mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos Céus, pois assim perseguiram os profetas, que existiram antes de vós”
(São Mateus, 5, 11-12).

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A esse propósito entabulou-se longa correspondência entre a TFP francesa e as autoridades religiosas concernidas, a saber: o Núncio Apostólico, o secretário da Conferência Episcopal, os superiores da Congregação da Missão. A TFP colocou tal correspondência à disposição do público em seu mencionado site. Constatou-se a impossibilidade de estabelecer um diálogo, e a TFP ficou sem compreender por que razão era repreendida.

Com efeito, Nossa Senhora não veio pedir a difusão da medalha? Esta é vendida livremente em todo o mundo, ninguém tem exclusividade para a sua difusão. A campanha da TFP evita qualquer confusão com a Rua du Bac. Por que então esse ódio contra a associação? Em que consistem as “numerosas queixas” que o capelão da Rua du Bac afirma ter recebido, em nota afixada no quadro em fevereiro de 2002? Nenhum esclarecimento...

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A partir dessas acusações vagas, começou uma campanha de detração da TFP, através de alguns boletins diocesanos. O semanário "Paris Notre-Dame", da arquidiocese, publicou dois ataques em maio de 2002. Num deles, acusou a TFP de “seita”. A TFP desmentiu mediante dois “direitos de resposta”.

Em junho de 2002, o boletim "Le Lien" foi mais longe na hostilidade, afirmando: “A Congregação da Missão e a Associação da Medalha Milagrosa, com a ajuda da Conferência dos Bispos da França, estão estudando como apresentar queixa na Justiça para fazer cessar essa campanha”.

Logo depois, começou um processo judiciário...

Em dezembro de 2002, "La Croix", o principal jornal católico do país, próximo ao episcopado, publicou um artigo de página inteira contra a TFP, acusando-a de “desvio da medalha”. A TFP respondeu. O diário recusou-se a publicar a contestação. Seu diretor acabou sendo condenado a uma multa e a publicar a resposta, mas isso ocorreu dois anos após a desinformação...

* * *

Com o atual inquérito, nos moldes totalitários denunciados no site da TFP francesa, os setores mais radicais do progressismo católico parecem ter encontrado o meio de jugular a associação sem envolver-se diretamente, como fez o Sinédrio enviando Nosso Senhor a Pilatos.

Por quê?

Porque a TFP defende a tradição cristã contra a paganização da França? A família monogâmica e indissolúvel contra o “casamento” homossexual, o aborto, a eutanásia e a corrupção da juventude?
A denúncia da TFP francesa registra um fato significativo, por ocasião da recente batida policial em sua sede. Um dos policiais teria declarado que, para cessar o inquérito policial, “basta vocês suspenderem a campanha...”

Se a razão dessa verdadeira perseguição é a difusão da Medalha Milagrosa, pode-se aplicar à associação as palavras que dizem respeito a Nosso Senhor Jesus Cristo na Paixão: “Ataram-lhe as mãos porque faziam o bem” (sobre esse tema, vide Catolicismo, nº 16, abril/1952). Para um católico, nada mais glorioso do que imitar assim o Divino Mestre.

Em seu relato, a TFP francesa afirma que, serena, confia suas atividades, seus numerosos amigos e mesmo seus inimigos encarniçados à proteção maternal de Nossa Senhora das Graças, a qual é “terrível como um exército em ordem de batalha”.

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